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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Osmose (10)


O frágil fio de voz, que vai e vem, como se fora um murmúrio - tanta vez ininteligível. O corpo débil como um vime, ou vegetação flébil espontânea, frágil e abandonada às oscilações do vento. Onde a mudança das estações, cruelmente, se inscreve. E destrói, quase, a ligação à Terra.
O dia parece uma noite ininterrupta, com brevíssimos clarões de luz, que não de tempestade.
E, depois, há uma outra voz que a chama à Vida. Que se debruça, persistente, e lhe fala. Ciclicamente, num dever amoroso, sem pedir recompensa, senão ouvir o seu próprio nome vindo das trevas. Num afecto despojado e fiel que não procura nada, senão que a ligação não se perca. Que se mantenha esse cá e esse lá, ainda que silencioso. Antes da Morte.