Criada como fui com leite
fresco da vaquinha, de uma quinta perto da nossa casa, continuamos a beber
apenas leite fresco do dia. O resto dos pacotes UHT, com andanças e
armazenagens sem fim, sujeitos a temperaturas várias, não os considero leite,
porque o tratamento impróprio tira qualquer designação semelhante a esse tipo
de simulacro.
Verdade seja que não tem sido
fácil encontrar leite Vigor. Já temos andado “às voltas ao Marão” para comprar
o “nosso” Vigor, de embalagem VERDE. O Vigor azul está entre o leite e a água.
Do Vigor róseo nem falar, seria mais apropriado, talvez, que a chamassem
aguadilha envergonhada.
O nosso consumo diário é
alargado. Começa pelo café com leite Vigor ao pequeno-almoço. Tomo, igualmente,
uma chávena de chá cheio de leite ao lanche e outra antes de me deitar. Faz de
conta que eram as sopinhas de leite que a minha mãe me fazia ao jantar.
Ora, com este consumo,
costumamos comprar entre 3 a 5 embalagens por semana. Foi o que fiz noutro dia.
Ao abrir a primeira embalagem, vi que o leite estava todo talhado, mas não
estragado. Fiz as provas com os restantes 4 pacotes e só se salvou um. O resto
do leite estava todo talhado. Que fazer ? Deitar comida fora, e neste caso
leite, não se encaixa bem no meu universo.
Lembrei-me de umas férias, na
minha juventude, na casa de uma amiga que vivia na Baixa-Saxónia. O pai
trabalhava numa leitaria e, de repente, vieram-me à cabeça os grandes
alguidares, tipo amassadeiras, onde o leite, com belíssimo aspecto de natas, se
movimentava para daí, passado umas horas, se recolher a manteiga.
Assim, o nosso leite talhado,
embora com menos natas, passou por uma rede e, ao fim do dia, com a ajuda de
uma batedeira, trabalhou-se a parte sólida ao ponto de ficar – quase –
manteiga. Com um bocado de sal, aqui está.
Post de HMJ