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sábado, 22 de outubro de 2016

Da janela do aposento 64: Ofícios em extinção




A forte herança genética sempre contribuiu para admirar e, até, pretender exercer um ofício. No entanto, o desejo não tivera apoio materno pelas escolhas por ofícios pouco recomendáveis a meninas, porque o marceneiro da família era o tio, homem, portanto. O objectivo final seria uma carreira de arquitectura de interiores, mas, sem a aprendizagem do ofício, nada feito.

Ficou, todavia, a observação permanente da composição manual que deixou memórias inesquecíveis e, mais tarde, ajudou na escolha de um curso livre de encadernação. Assim, da composição até à conclusão do ciclo do livro, fechando-o no invólucro que o segura e protege, temos todo um conjunto de ofício e saberes que se encontram em vias de extinção.

Recentemente, tive o enorme prazer em assistir, durante vários dias, ao restauro de um livro antigo. Deixo em imagem a encadernação, no seu estado antes da intervenção. Para além dos ensinamentos, reencontrei uma “alma gémea”, pois o mestre encadernador que lhe tinha transmitido os saberes fora, afinal, também o meu.

Durante todo o percurso de trabalho, e não encontrando à minha volta gente nova a aprender a arte, perguntava-me até quando haverá obreiros dedicados nestes ofícios em vias de extinção.

Post de HMJ, dedicado ao Mestre Mourão 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ofícios, religião e patronos


É já do século XIV, em Portugal, a disposição régia que obrigava a que arruassem, no mesmo local das cidades, os mesteirais do mesmo ofício. Daí, ainda se poderem encontrar, em Lisboa, a rua dos Sapateiros, a rua dos Remolares (fabricantes de remos), a rua dos Correeiros... Ou, por exemplo, em Guimarães, existir uma zona da cidade que dá pelo nome de Caldeiroa. Do ponto de vista imaterial, também era comum os artífices das diversas corporações colocarem-se sob a invocação de um santo patrono. E, se a corporação fosse rica, até lhe erigiam capela própria, se não, davam assistência e cuidavam, numa igreja próxima, de um altar dedicado ao santo patrono do respectivo ofício. Variando, ligeiramente, de terra para terra, eis alguns dos patronos dos diversos ofícios:
Sto. Elói: ourives.
N. Sra. da Silva: ferreiros (no Porto).
S. Jorge: barbeiros, serralheiros, cutileiros.
S. Miguel: canteiros, luveiros, albardeiros.
Sta. Catarina: livreiros.
S. Crispim (às vezes em conjunto com S. Crispiano): sapateiros, curtidores.
N. Sra. das Mercês: pasteleiros, torneiros.
S. José: pedreiros, carpinteiros.
S. Gonçalo: vidraceiros, tintureiros e tecelões.
N. Sra. das Candeias: alfaiates.