A forte herança genética sempre
contribuiu para admirar e, até, pretender exercer um ofício. No entanto, o
desejo não tivera apoio materno pelas escolhas por ofícios pouco recomendáveis
a meninas, porque o marceneiro da família era o tio, homem, portanto. O
objectivo final seria uma carreira de arquitectura de interiores, mas, sem a
aprendizagem do ofício, nada feito.
Ficou, todavia, a observação
permanente da composição manual que deixou memórias inesquecíveis e, mais
tarde, ajudou na escolha de um curso livre de encadernação. Assim, da
composição até à conclusão do ciclo do livro, fechando-o no invólucro que o
segura e protege, temos todo um conjunto de ofício e saberes que se encontram em
vias de extinção.
Recentemente, tive o enorme
prazer em assistir, durante vários dias, ao restauro de um livro antigo. Deixo
em imagem a encadernação, no seu estado antes da intervenção. Para além dos
ensinamentos, reencontrei uma “alma gémea”, pois o mestre encadernador que lhe
tinha transmitido os saberes fora, afinal, também o meu.
Durante todo o percurso de
trabalho, e não encontrando à minha volta gente nova a aprender a arte,
perguntava-me até quando haverá obreiros dedicados nestes ofícios em vias de
extinção.
Post de HMJ, dedicado ao Mestre
Mourão