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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Era uma vez...


Quando eu era pequenino e me liam, ou eu lia, histórias de fadas, habituei-me à tranquilidade do Bem sempre triunfar sobre o Mal, no fim das narrativas. E adormecia descansado. Mas depois, veio o Vincent Price, o Ed Wood, canhestro embora, Somerset Maugham, Simenon, Coetzee, o Scorcese, o Copolla e o Tarantino, o Oliveira Costa e o Salgado, que me destruiram as ilusões, quase completamente, às vezes com a complacência da própria Justiça. Representada por agentes manhosos e marotos, a maior parte das vezes, mal vestidos, ou sem gosto no trajar. Provincianos em suma, mas aparentemente impolutos na sua maneira de ser.
Porém, recentemente, alguns pequenos sinais caridosos me fizeram acreditar que os vilões (a czarina e o grão-duque, maléficos, de que falei aqui, há uns postes atrás) podem ser derrotados, e o Bem talvez possa, de novo, vir a triunfar sobre o Mal.
(Ou será que entrei definitivamente na infância da velhice, melhor dizendo, terei voltado ao princípio da ilusão inteira?)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As ditaduras de algodão


De uma forma subtil e sofisticada, mas gradualmente persistente, tem vindo a propagar-se, no mundo, uma nova ordem quase monolítica de pensamento único e de métodos uniformes de Poder. Já não tem a aparência férrea e intimidatória das ditaduras do século XX, mas as maças do poder único, embora recobertas a algodão "suave", aparentemente macio, ao baterem, têm no seu interior, a dureza e a força do metal pesado.
O alibi mais usado e invocado são as razões de ordem económica, mas incidem sempre sobre o cidadão comum, sufocando-o, restringindo as suas liberdades e diminuindo os seus direitos. Mas o despudor vai tão longe que, por vezes, nem a decisão dos governos é justificada perante os nacionais. A abstenção de Portugal no Conselho de Segurança da ONU, aquando do voto sobre a aceitação da Palestina, é disso um bom exemplo. A Espanha e a Itália tiveram a hombridade e coragem de votar a favor. O sr. Portas não precisava de ser tão "americano".
Outro dos exemplos é a retirada das subvenções à Unesco, por parte dos Estados Unidos (do sr. Obama, imagine-se!, que se tem revelado um grande cómico...), em retaliação pelo organismo internacional ter aceite, no seu seio, a Palestina.
Mas o caso e exemplo mais flagrante destas novas ditaduras de algodão ocorre na Rússia. Quais Dupont e Dupond, de Hergé, os srs. Putin e Medvedev preparam-se para a terceira contra-dança, na troca de cadeiras do Poder, nas próximas eleições presidenciais, em Março de 2012. Putin candidatar-se-á, de novo, à Presidência e, uma vez eleito (como tudo indica), nomeará Medvedev para seu fiel Primeiro Ministro. Mais do mesmo, sob a capa inefável de algodão puríssimo. E como diz o anúncio: " o algodão não engana!"