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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Voltar ao Anjo Suspenso de Barlach, pelo rosto de Käthe Kollwitz



Das coisas de cultura as fronteiras são quase sempre muito pouco permeáveis. Daqui até à França vai um instante mas, se prolongarmos o percurso até à Alemanha, em parte por causa do idioma, são precisos talvez anos até lá chegar, culturalmente. Eu levei muito tempo até vir a conhecer o magnífico Schwebender Engel de Ernst  Barlach (1870-1938) que se guarda numa pequena igreja do centro de Colónia (Antoniter Kirche). O rosto  do anjo foi inspirado na também escultora Käthe Kollwitz.



Mas não somos só nós a demorarmos a chegar até tudo aquilo que a cultura alemã tem para nos oferecer. O jornal  Le Monde de 9/12/2022 dá-nos conta disso de forma muito objectiva, quanto à obra maior de Käthe Kollwitz.
Refere, de início, o artigo de Harry Bellet (e traduzo): "Quem, em França, conhece Käthe Kollwitz (1867-1945)? (...) A artista alemã é mais bem conhecida na China. (...)".

domingo, 2 de outubro de 2016

Uma fotografia, de vez em quando (87)


O Museu Käthe Kollwitz, em Colónia, sendo relativamente pequeno, é muito agradável, bem projectado e rico de conteúdo quer pela obra gráfica, quer pela escultura e pintura que acolhe, da artista alemã homónima.
Presentemente, inaugurou no seu espaço uma mostra da obra fotográfica de Annelise Kretschmer (1903-1987), artista que integrou o movimento Neue Sachlichkeit (Nova Objectividade), tendo sido uma das mulheres pioneiras a gerir o seu próprio  estúdio, em Dortmund, com 26 anos apenas.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pinacoteca Pessoal 100


Nascida a 8 de Julho de 1867, em Königsberg (Prússia Oriental), a pintora alemã Käthe Kollwitz não viveu para ver amanhecer a paz, pois faleceu a 22 de Abril de 1945. A sua obra reflecte, obsessivamente, os horrores da guerra e a tragédia dos mais desfavorecidos, numa transição evolutiva com sequência coerente entre o naturalismo e o expressionismo. Mas, mais do que a pintura, é a sua obra gráfica que melhor identifica a exemplar qualidade do seu testemunho artístico e humano.

sábado, 26 de abril de 2014

Apontamento 43: Purgatório ou Inferno ?



Ao que parece não é apenas a Constituição da República Portuguesa, mas também a Carta de Direitos Fundamentais da EU, que estabelecem os valores universais da dignidade do ser humano, sem discriminarem, negativamente, os “velhos”, os “incapazes” ou outras “espécies a abater”.

Ora, a pergunta da Visão: O melhor mesmo é falecer ?, dirigida aos pensionistas, esconde, por detrás do livre exercício da liberdade de expressão, uma retórica totalitária que, noutros contextos e países, já teve os seus efeitos práticos na aniquilação de “gente” incómoda. Por associação histórica, também me lembrei de uma célebre afirmação do actual inquilino do Palácio de Belém, quando se referia, em termos muito semelhantes, a uma solução drástica para reduzir o número de funcionários públicos. Portanto, o “cheiro a bafio” que infesta determinadas ideologias políticas já ganhou estatuto para sair em parangonas nos jornais.

A partir deste momento é apenas esperar pelo passo seguinte na concretização do objectivo.

Não será, certamente, pelos métodos antigos e pouco higiénicos! A vaga de fundo das botas dos “camisas castanhas” modernizou-se e as suas roupagens apresentam-se mais executivas, empreendedoras e financeiras. Com efeito, a nova fogueira para os velhinhos está a ser preparada, entregando a sua sorte ao mercado todo-poderoso. E os novos carrascos têm outra lenha, aparentemente mais esterilizada, a saber, a produtividade e a evolução demográfica. São achas para a fogueira que só eles escolhem e dominam.


O dia 26 de Abril de 2014 não poderia ter sido mais dantesco!

Post de HMJ

sábado, 1 de junho de 2013

Pelo Dia Mundial da Criança


Pelos sinais do presente, é difícil augurar um futuro risonho às crianças que, hoje, o são.
Se Käthe Kollwitz (1867-1945) tinha razões para gravar, no tempo, estes filhos e filhas da guerra, hoje, Dia Mundial da Criança, os presságios de futuro não desenham motivos de optimismo claro. Hoje, como ontem, há países e senhores que as armam para a guerra, desde tenra idade; há quem as acantone em guetos sem horizonte, onde grassa a doença, o desespero, a fome e a sede. E onde nem sequer há espaço para o sonho, nem esperança de futuro. É por isso que tenho grande dificuldade, neste poste, em encontrar grandes motivos de alegria.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A sinceridade de pensar por si


Nunca, como hoje, a pouco mais de duas semanas de eleições, me encontrei tão dividido, tão cheio de hesitações e de dúvidas. Voto desde 1969 (C.E.U.D.) e, desde então, salvo umas "europeias", nos anos 80, por razões de dificuldade geográfica, nunca faltei com o meu voto na urna, claro e efectivo, como parte da minha responsabilidade cívica de cidadão. Nunca votei branco ou nulo. Por feitio e vida profissional, de mais de 38 anos de trabalho (fora a tropa), em empresas privadas, tento ser também pragmático e, por isso, votei "útil" algumas vezes - não muitas. Penso que não merecia assistir à grande maioria de mediocridade das lideranças europeias, porque fui criado e formado em princípios éticos de solidariedade com exemplos de estadistas de qualidade, mas a Natureza e o Tempo são, normalmente, padrastos. Nem merecia, também, estes líderes portugueses de "aviário", muitos deles que nem passaram pela vida real do sacrifício, do trabalho, do quotidiano difícil de cumprir obrigações e deveres. E preocupa-me, seriamente, o futuro dos meus Filhos e o porvir de Portugal. Mas vou continuar a ver, a ler e a pensar. A paciência, neste momento, acaba por ser um dever...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Salão de Recusados XXXI : arte menor (1)


Elegias em memória de J. G.


I
Pela mesa os vestígios
sólidos na terra: o verde
tranquilo, por agora, repousa
sobre as folhas de alface
na cozinha.

Sinais
que a memória te guarde.

Entretanto a notícia
enlouqueceu pelo caminho,
trocaram as datas: só por fora
do teu próprio futuro
é que morreste.

8-9/10/88 (-2010)

II

Penso então na morte indecifrável
dos amigos. Tudo quanto
não puderam dizer. E tenho raiva

dos que falam ainda e vão gastando
as horas do mundo e a minha vida.

Qlz.,14/10/88 (-2010)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ernst Barlach : "Der Schwebende Engel"






No mês em que se celebram os 65 anos da libertação dos sobreviventes de Auschwitz, pelo Exército Vermelho, apraz-me lembrar o gráfico e escultor alemão Ernst Barlach (1870-1938) cuja obra foi parcialmente destruida pelos nazis. Dos seus trabalhos, o meu preferido é "Der Schwebende Engel" (O Anjo Suspenso) que se pode ver na Antoniter Kirche, em Colónia, na Schildergasse. A pequena igreja (evangélica), integrada numa rua de intensa vida comercial, é um oásis de tranquila claridade e recolhimento. O rosto do Anjo é o retrato de Käthe Kollwitz (1867-1945), outra grande escultora e desenhadora alemã. A estátua suspensa é posterior à II Grande Guerra e foi feita pelo molde que Barlach deixara. Por baixo do Anjo está uma lápide com as datas "1914-1918 / 1939-1945", celebrando as vítimas da Guerra.