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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Bibliofilia 159


Este folheto de 32 páginas, pomposamente intitulado Novo Atlas Geografico-Politico e Historico, com autoria de Diogo Soares da Silva e Bivar (1785-1865), foi editado em 1810, na Impressão Régia, e ocupava-se, exaustivamente, da Rússia. Não me parece que o Atlas tenha tido continuidade e sequência editorial...



O autor, natural de Abrantes, tinha sido apoiante de Junot e foi julgado por isso. Condenado ao degredo em Moçambique, conseguiu fugir para o Brasil, onde estabeleceu escritório de advogado e foi bem sucedido na profissão. Foi também jornalista conceituado.
O folheto em questão, embora com a capa e alguns picos de humidade no interior, está em razoável estado e foi barato. Muito informativo, é de leitura agradável.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Gomes Freire d'Andrade





Gomes Freire d'Andrade nasceu a 27 de Janeiro de 1757, em Viena. Como militar veio a servir Portugal, a Rússia onde se distinguiu pela bravura e recebeu várias condecorações, atribuídas por Catarina II; e a França, integrado na "Legião Portuguesa" criada por Junot, tendo participado na campanha da Rússia, levada a cabo por Napoleão Bonaparte. No regresso a Portugal, sob o governo militar do general inglês Carr Beresford, foi preso e acusado de conspiração contra a Monarquia, tendo sido enforcado no pátio da torre de S. Julião da Barra, a 18 de Outubro de 1817. A sua figura controversa inspirou a Sttau Monteiro a peça de teatro intitulada "Felizmente há luar!".

Há uns tempos, adquiri um livro de capa discreta (na imagem) em que aparecia o nome de Freire d'Andrade, escrito por um anónimo e que teria sido editado, pela primeira vez, em 1883. O seu nome era um chamariz, porque o volume era um libelo denso contra os malefícios da influência inglesa, em Portugal. E era uma reedição de 1942. Pela tarjeta colada, discretamente, na 2ª página, percebi que se tratava de propaganda nazi-alemã, a fim de conquistar adeptos ou provocar rejeição à Inglaterra, no período aceso da II Grande Guerra. Há muitas maneiras de matar moscas...

P.S.( muito posterior) : às visitas sorrateiras e caladas que vierem consultar este poste, para efeitos escolares, ou para surripiar a imagem-gravura de Gomes Freire d'Andrade, aconselho vivamente que leiam integralmente, em livro, a peça "Felizmente há luar" de L. Sttau Monteiro. Será muito mais útil, proveitoso...e honesto.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Saída Real para o Brasil


Os últimos tempos têm sido propícios e pródigos a reavaliações de algumas personagens históricas cujo papel, de uma forma geral, não era considerado positivo para o País. Refiro-me ao público português anónimo, e não à área científica que se ocupa da História.
Uma das figuras pouco apreciadas era D. João VI. Passava por um rei timorato, indolente, guloso, pouco disposto a tomar decisões ou iniciativas. E que se submetia, muitas vezes, à vontade da consorte espanhola, Carlota Joaquina.
A 27 de Novembro de 1807, a Família Real embarcou para o Brasil, fugindo ao avanço do general Junot, e para manter, teoricamente, a soberania portuguesa livre e intacta, juridicamente, da submissão napoleónica. Esta atitude era considerada ambígua, por parte de D. João VI.
Hoje, porém, esta iniciativa de conservar inteira a imagem do Poder é, pragmaticamente, considerada correcta. Mesmo depois, e ainda hoje, o recuo do poder representativo, para se manter a salvo de constrangimentos espúrios ou estrangeiros, é sempre considerado como hipótese previsível. Na época do Estado Novo, o recuo seria para os Açores. E, no tempo de Marcelo Caetano, a primeira étapa de refúgio era a base aérea de Monsanto.
Por isso, a partida da Família Real para o Brasil, em 27 de Novembro de 1807, é hoje , consensualmente, aceite como uma medida acertada. Muito embora se possa discutir a excessiva demora da Corte nas terras de Vera Cruz, uma vez que o regresso à Metrópole só se verificou em 1821. Seja como for, a estadia de D. João VI foi, pelo menos, bem útil para o futuro do Brasil.