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terça-feira, 20 de junho de 2017

O grau zero do jornalismo


Há sempre quem, de forma despudorada, se aproveite da tragédia dos outros, para daí tirar dividendos ou benefício. Mostrando, num exibicionismo vergonhoso disfarçado de compaixão, as imagens da desgraça. Já nos bastavam essas moles humanas indiferenciadas e imitativas que, desde a morte de Diana, e cacofonicamente, se apressam, de tempos a tempos, a encher de campos de flores, velinhas votivas e mensagens infantis, ou "je suis charlie", os locais, as ruas e as praças dos massacres e tragédias.
Mas sempre se esperava que, ao menos os jornalistas, soubessem respeitar condignamente o luto dos outros e os corpos insepultos. Pois nem isso aconteceu, agora, com a tragédia de Pedrógão Grande. Até uma senhora - curiosamente, também ela vítima de uma infelicidade pessoal, há poucos anos - da TVI, se pavoneou, escandalosamente, em reportagem, ao lado de um cadáver. Outros jornalistas de televisão imitaram este macabro espectáculo miserável, do ponto de vista humano. Chegamos, efectivamente, ao grau zero do jornalismo.

(Chamo a atenção para a exemplar crónica de António Guerreiro, sobre este assunto, publicada no jornal Público de hoje, e intitulada: As vítimas dos incêndios e da televisão. )