Nos Ensaios Recentes 2006--2017, a páginas 167/8, e na recensão a Platero e eu, de Juan Ramón Jiménez (1881-1958), J. M. Coetzee (1940) tece algumas considerações muito originais sobre os olhos de alguns animais, que, parcialmente, passo a transcrever:
quarta-feira, 5 de janeiro de 2022
Da leitura 50
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
J. R. Jiménez (1881-1958)
Biblioteca Mia
Que a obra a si própria não se sinta,
que não entenda sequer
sua formosura!
Nem mesmo o sol se sente,
e temos dele inveja, o imortal? -
Ah! os livros
assim sozinhos, quando vou p'ra longe
- o sol assim fica, lento e cego, a iluminá-los
e nós que os trazemos no olhar!
Juan Ramón Jiménez, in Poesía (1917-1923).
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
Juan Ramón Jiménez (1881-1958)
Estampa de Invierno
Nieve.
Por onde se terão escondido as cores
neste dia negro e branco?
As folhas no escuro; cinzenta a água; o céu
e a terra, de um branco e negro pálido;
a cidade dorida como uma
água forte romântica.
Quem passe, escuro;
negro a medo o pássaro
atravessa o jardim - é uma seta...
Até o silêncio é duro, descolorido.
Cai a tarde. O céu
não se enternece. No poente
um vago amarelo incendiado
quase, que não é. Ao longe os campos
lembram ferro em placas.
Entra a noite, como
um funeral; de luto e frio
quase tudo, sem estrelas, branco
e negro, tal o dia fora negro e branco.
J. R. Jiménez, in Poemas májicos y dolientes (1909).
terça-feira, 24 de novembro de 2020
Citações CDIL
sábado, 7 de novembro de 2020
Últimas aquisições (28)
Será esta Patagónia de Bruce Chatwin (1940-1989) mais interessante que a de Luís Sepúlveda? Duvido, e até dizem que há alguma ficção entremeada por Na Patagónia (Quetzal, 2020), o que só corrobora o velho ditado: Quem conta um conto, acrescenta um ponto.
Pouco tempo depois, e para me iniciar na prosa de Antonio Gamoneda (1931), poeta espanhol que muito aprecio, adquiri Um Armário Cheio de Sombra (Almedina, 2020) deste vate nascido em Oviedo. Nem sempre os bons poetas escrevem prosa de qualidade, mas há honrosas excepções: Quevedo, J. Ramón Jiménez, Eugénio de Andrade, por exemplo.
A ver, ou melhor, a ler vamos o que se passa com Gamoneda...
segunda-feira, 23 de março de 2020
De JRJ, sobre Camões
Segue:
Crêem os espanhóis competentes que o desventurado Camões é um grande poeta do trono terrestre, marinho e celestial? Nesse caso, é indubitável fazerem-se as coisas com elevação e respeito, e assim que seja dom Miguel Unamuno a "representar-nos" nessa comemoração, bem como dom Antonio Machado, os mais portugueses dos nossos actuais poetas. Se, pelo contrário, miscelâneas político-jornalista-literárias, como é costume fazer-se, decidam formar-se em amigável consórcio com os seus parceiros, como sejam O Menino de Vallecas e O Bobo de Coria - veja-se o documento inapreciável de dom Juan Echevarria - nosso actual e fulgurante Azorín das Hurdes, perito em tortas e papas; de que eu fujo como se fosse da fogueira.
Não me é possível mandar-lhe o meu retrato, nem creio que seja necessário, neste caso, publicá-lo.
Obrigado por tudo, deste seu afectuoso amigo,
Juan Ramón Jiménez
Nota: a carta foi traduzida de JRJ Cartas / Antologia (Espasa Calpe, 1992).
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
O gosto e a idade
Eu acho que Paco Ibáñez percebeu isso, ao musicar (no vídeo do poste anterior), em tons muito diferentes, as palavras sensuais de Lorca e os versos terrestres de Quevedo. A secura essencial dos trinados aplicados a Quevedo contrasta com os requebros utilizados para os versos de Lorca.
Sabiamente.
sábado, 26 de maio de 2018
Neruda
Creio que a melhor síntese sobre a obra do poeta foi feita, em 1939, por Juan Ramón Jiménez: Siempre tuvo a Pablo Neruda por un gran poeta, un gran mal poeta, un gran poeta de la desorganización; el poeta dotado que no acaba de comprender ni emplear sus dotes naturales.
domingo, 30 de julho de 2017
Bibliofilia 155
O poema incluído, mais tarde, no livro As Palavras Interditas, que veio sendo aperfeiçoado pelo Poeta, na sua versão definitiva* (1990, Jornal/Limiar) ficou deste modo:
Post Scriptum
Agora regresso à tua claridade.
Reconheço o teu corpo, arquitectura
de terra ardente e lua inviolada,
flutuando sem limite na espessura
da noite cheirando a madrugada.
Acordaste na aurora, a boca rumorosa
de um desejo profundo de açucenas;
rosa aberta na brisa ou nas areias,
alta e branca, branca apenas,
e mar ao fundo, o mar das minhas veias.
Estás de pé na orla dos meus versos
ainda quente dos beijos que te dei;
tão jovem, e mais que jovem, sem mágoa
- como no tempo em que tinha medo
que tropeçasses numa gota de água.
Por cotejo, as diferenças são substanciais, como pode ver-se, mas julgo que o poema terá chegado à perfeição humana possível, ou de que Eugénio de Andrade seria capaz. Vale a pena lembrar, a propósito, uns versos lapidares de J.R. Jiménez, em pobre tradução minha: "... não lhe toques mais/ que assim é a rosa."
* A versão final do poema manteve apenas 7, dos 15, versos exactamente iguais aos da versão inicial.
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Ressonâncias
sábado, 13 de agosto de 2016
Animosidades poéticas
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Citações CCLXXIV
Juan Ramón Jiménez (1881-1958).
sábado, 16 de maio de 2015
Bibliofilia 120
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Bibliofilia 92
domingo, 1 de dezembro de 2013
Rosa de Dezembro
porque assim é a rosa!
Juan Ramón Jiménez
Nota: esta rosa (e como elas são difíceis em Dezembro!...) da varanda a leste, abriu entre Novembro e Dezembro, mas já estava prometida a sua imagem, antecipadamente.
O dístico perfeito de J. R. J., que traduzi, aplica-se objectivamente ao poema findo e completo. Mas também merece a beleza desta rosa perfeita.