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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Citações CCXLII


O futuro é um paraíso donde, exactamente como do outro, ainda ninguém regressou.

Pierre Reverdy (1889-1960), in En vrac.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um pequeno poema de Gerardo Diego


Guitarra

Haverá um silêncio verde
todo feito de guitarras desatadas

A guitarra é um poço
com vento em vez de água


Gerardo Diego, in Imagen.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Osmose (45)


O homem foi enumerando: Monte Athos, as Cartuxas que há por esse mundo, os diversos tons de cinzento, alguns castanhos puros e duros, a sua despensa escura de infância, todos os momentos de espera, em antecâmaras silenciosas e brancas; referiu ainda essas, raras, transformações nocturnas que ocorrem, três ou quatro vezes numa vida e que,  sendo solitárias, são também radicais. De alguma forma, falava do silêncio ou de tudo aquilo que é intransmissível.
Por fim, citando Sartre, rematou: "O inferno são os outros".
Eu estava aturdido e, embora não concordasse inteiramente com ele, fiquei silencioso.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Está na moda!


São às dezenas, nos últimos dias, as visitas sobre esta pintura de Juan Gris (postada há longo tempo - 23/3/2011). E, embora não lhe saiba a origem (alguma central proxeneta e sugadora de imagens de blogues alheios?), incomoda-me esta massificação seguidista dos cibernautas preguiçosos, nesta época de globalização acéfala. Era tão bom que cada um pensasse e escolhesse por si!... Infelizmente, há sempre mais carneiros do que pastores. Virtudes da net.
Aqui  recoloco a imagem, para memória futura dos tempos pobres que correm.

Nota: o "pimp" sanguessuga, acabei por descobrir, é um tal pomposo "Museum Quality Hand Made - Oil Painting Reproductions" que, central mercenária de língua inglesa (americana, decerto), parasitariamente, vive à custa do trabalho dos outros, vendendo-o, à boa maneira "liberal", aos que, por preguiça não se querem dar ao trabalho de procurar.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Favoritos XLIX : Juan Gris




Juan Gris (1887-1927), pseudónimo de José Victoriano Gonzalès, nasceu em Madrid, a 23 de Março. É, porventura, o meu pintor cubista preferido, embora no traço dos desenhos goste mais da mão de Picasso, pela sua sábia e escorpiónica destreza. Juan Gris chega a Paris com 19 anos - uma idade em que tudo parece possível, mesmo transformar o mundo... Traz consigo uma formação-base, de raíz científica, que imprimirá a toda a sua obra a marca do rigor, ou a sua tentativa, naquilo em que a Arte consente.
Paris está em plena efervescência modernista. Juan Gris faz a sua 1ª exposição no "Salon des Independents" de 1912 e, entretanto, vai ganhando a vida com desenhos satíricos que vai fazendo para l'Assiette au Beurre, Le Cri de Paris, le Charivari, etc.. Mais tarde fará cenários e projectos de roupa para os Ballets de Diaghilev (Juan Gris era um apaixonado pela dança). Mas cedo desiste pela sua incompreensão da desordenação artística da Companhia de Diaghilev.
A frágil saúde, acompanhadas de uma pleurisia e de asma, determinam a sua morte, a 11 de Maio de 1927.
para MR, estas guitarras de Juan Gris, numa parceria geminada com os jornais do Prosimetron.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Letras sobrepostas


Como ao vestir, de novo, roupa de véspera o corpo se sente incomodado, e um desconforto se instala, quando é Verão, porque a transudação parece ter vidrado o tecido já usado; ou, se for Inverno, a pele se ressente da aspereza engelhada e de um odor a flanela húmida, assim a revisitação de obras acabadas ou antigas - que fizemos - nos provoca, também, um estranho desconforto: parece que já não cabemos nelas. E, se as queremos re-criar, cerzi-las de novo, é trabalho difícil, aturado, a mais das vezes, próximo do insucesso. Por essa, e outras razões, lhe chamei, em poste anterior: arte menor.
Porque se, muitas vezes, a emoção que as ditou, ressurge, já não há natural invenção, mas acrescento de experiências e tempo - perdeu-se a pureza original. Se o primeiro verso nos é dado (e, às vezes, também o segundo), ele não volta mais. E, se o não fixarmos ou anotarmos (numa rua, num encontro, num café, num autocarro) de imediato, ele perde-se da nossa vida e nunca mais se cruza connosco.
Por outro lado, revisitar obras antigas, acabadas na sua imperfeição, para as re-criar ou corrigir, tem os seus perigos traiçoeiros. Porque já não existe a força interior que as ditou, muita embora ressurja, normalmente, a paixão, a reflexão ou a ternura num dejà vu enganador, num jogo de espelhos de falsas imagens nebulosas. Mesmo que sejam elegias, cristalizadas no irremediável, ainda sentidas e presentes na sua eternidade fatal - sem retorno. A erosão do Tempo diferiu-as, para sempre.