Mostrar mensagens com a etiqueta Jean Daniel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jean Daniel. Mostrar todas as mensagens

sábado, 28 de agosto de 2021

Tomar o pulso



O antigo Le Nouvel Observateur, hoje renomeado L'Obs, na altura dirigido por Jean Daniel (1920-2020), terá sido certamente a revista estrangeira que eu mais frequentei. Os meus primeiros contactos com o magazine datam de 1968 e até há pouco tempo, embora com interrupções breves anteriores, continuaram. A fraca qualidade presente da revista fez-me interromper a compra sistemática e semanal. Muito embora não resista, por hábito antigo, a tomar-lhe o pulso, de vez em quando, para aquilatar da sua qualidade actual. Foi o que fiz recentemente.
Não me parece ter havido uma melhoria significativa, neste último número. Mas gostei de saber, pelo L'Obs, que Joséphine Baker (1906-1975) ganhou as honras do Panthéon, onde virá a ser inumada a 30 de Novembro de 2021. Será a sexta mulher a ser sepultada no local. E creio que a primeira negra.



quarta-feira, 4 de março de 2020

Mais um cartoon


Exercício adivinhatório e poliglota:
für les poucos happy.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Despedida


A primeira vez que folheei, de empréstimo, Le Nouvel Observateur, terá sido em finais de 1968 ou 1969, num estabelecimento militar, ali para os lados de Sta. Apolónia. O exemplar da revista era do Martins, jovem louro de formação marxista, e que, com o Neves, o Roseta, o Medeiros (de Valpaços, também louro, mas muito de direita, politicamente) e o Trindade, alferes milicianos, além de mim, completávamos a equipa de serviço. Estávamos a cerca de cinco anos do fim do Império...
Na altura, Jean Daniel (1920), pied-noir esclarecido e que fora grande amigo de Albert Camus, pontificava na conceituada revista francesa, que eu comecei a comprar, semanalmente, a partir de 1971. De alguma forma, o magazine contribuiu para fortalecer a minha formação ideológica e política, que se iniciara em Coimbra, em 1963, com as movimentações académicas. E foi com algum orgulho patriótico que vi Portugal, nos anos de 74 e 75, fazer algumas capas de Le Nouvel Observateur.
Com alguns hiatos e, recentemente, de forma mais esporádica (folheava-o previamente, para ver se me interessava), fui-o adquirindo às Quintas ou Sextas-feiras. Mas fui-me também apercebendo, com mágoa, da diminuição gradual de qualidade da revista francesa, das cedências ao lado róseo das coisas, do aumento de imagens nas páginas, da trivialidade de muitos temas abordados, do abaixamento profissional de uma boa parte dos jornalistas e colaboradores.
No local onde o compro, dos 6 exemplares que recebiam, há 4 ou 5 anos, passaram apenas a 2, que, muitas vezes, nem se esgotavam, apesar de menos. Ou seja, nem as cedências à banalidade de parte dos assuntos tratados fizeram com que a revista se vendesse mais - o crime nem sempre compensa, felizmente... E, às vezes, eu pensava que o velho Le Nouvel Observateur se tinha transformado, para além do nome (que agora se chama L'Obs.), numa espécie de Hola de luxo, com temas políticos.
Mas hoje, ao comprá-lo, no quiosque lisboeta habitual, tive mais uma desagradável surpresa. Dos 3,90 euros, que custava, passou a custar 4,70 euros: mais de 20% de aumento, numa publicação que, sendo de prestígio antigo, só tem vindo a piorar de qualidade, nos tempos mais recentes.
Para mim, chega!...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ressaca


Os franceses sabem, quase sempre, frequentar os sentimentos com elegância.

Por isso me atrevo a traduzir para português o início do editorial que Jean Daniel (1920), no último L'Obs (nº 2723), dedicou a Mário Soares:
"Evocar ligações como aquelas que nos uniam a Mário Soares traz-nos um frio à alma e calor ao coração. (...)" 

sábado, 9 de julho de 2016

Jean Daniel, a propósito da morte de Michel Rocard (1930-2016)


Envelhecer é ainda mais difícil quando pessoas como tu, Michel, têm a péssima ideia de nos deixar.

Jean Daniel, in L'Obs. (nº 2696).

L'Obs.


De vez em quando, ainda faço o favor de comprar L'Obs. Não sei se é um favor à minha juventude já distante ou se o respeito por um afecto já perdido.
A revista francesa fez parte da minha aprendizagem política e comecei a lê-la com 24 anos. Pontificava então Jean Daniel (1920), seu fundador, e um pied-noir que foi amigo de Camus. Já afastado, ainda hoje, de tempos a tempos, escreve alguns editoriais, normalmente exemplares, sobre assuntos importantes, que leio com prazer. Ao folhear a revista, previamente, antes de me decidir a comprá-la, na banca lisboeta que frequento, se deparo com um artigo de Jean Daniel, não resisto.
Mas nunca mais voltei a comprar L'Obs. sistemática e indiscriminadamente. O semanário piorou muito ao longo dos últimos anos. Fechou-se também muito sobre a realidade francesa. No grosso do seu miolo têm lugares cativos a política gaulesa, por extensas páginas, o Daesh, o terrorismo de uma forma geral, e os refugiados. Repetidamente. Que saudades do tempo em que falavam de Portugal por causa do 25 de Abril, e em que algumas figuras portuguesas chegaram a fazer capa da revista!...
O jornal Le Monde noticiava, há dias, que a Direcção de L'Obs queria reduzir as despesas em 5 milhões de euros por ano, e que haveria um plano de rescisões amigáveis, em marcha... Eu creio que a culpa é de quem tem vindo a refazer a revista e nas cedências que tem procurado fazer para angariar mais leitores - sem resultado. Normalmente até dedicam 6 ou 7 páginas (cerca de 10% da revista) a assuntos róseos ou quejandos... Há vinte anos atrás, seria um sacrilégio.
Ora isto é como a Igreja ou o Partido Comunista. Se abre muito, definha e morre...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Novo grafismo, diminutivo antigo


Saúde-se a ligeira mudança, que não me parece que altere, substancialmente, o que tem sido o conteúdo, nos dois ou três últimos anos, e a marca mais visível de Le Nouvel Observateur. A grande entrevista e foto de capa até fazem esquecer o editorial de boas intenções do veterano Jean Daniel...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Uma ironia de Jean Daniel, sobre F. Hollande


"...Ele é feito dessa fibra e temos que nos resignar. (...) E, no entanto, eu encontrei, neste 14 de Julho, um François Hollande melhor do que o habitual. Com o risco de parecer indulgente, ou até mesmo complacente, descobri que, nele, mesmo os seus defeitos não deixavam de ter uma certa robustez. ..."

Jean Daniel, no Editorial de Le Nouvel Observateur (nº 2593).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A indiferença e a distância

A frase, lida há muito e já não sei aonde, nunca a esqueci. Diz mais ou menos isto: incomodámo-nos mais com um vizinho que partiu um braço, do que com 50.000 pessoas que morreram na China, por causa de uma grande inundação. É o insólito das reacções humanas. Que se mantém.
Porque, ontem, ao ler o "Obs", no editorial de Jean Daniel, deparei com uma ideia muito semelhante que, traduzida, diz o seguinte: "Não há um dia em que o boletim informativo não termine, cada vez mais resumidamente, com o número de mortos sírios, e que se lhe preste, gradualmente menos atenção do que ao boletim metereológico."

sábado, 2 de julho de 2011

ND versus DSK


Evitei, por várias razões e motivos, escrever aqui, ou comentar, sobre o caso, na altura e a quente. Mas agora que, ao que parece, a "montanha" da Justiça americana "pariu um rato", parece-me oportuno dizer alguma coisa. Verberar a histeria dos Media, sobretudo do grupo Murdoch que aproveitou o caso até à exaustão. A condenação anunciada do ex-director-geral do FMI terá sido um filão rentável para as audiências. E as imagens serviram, optimamente, os desígnios torpes (onde é que eu já vi isto?). É, no entanto curioso, que a libertação, substituída por retenção domiciliária, de DSK se tenha produzido só depois da nomeação da Sra. Lagarde para a direcção do FMI. E da proclamação de Martine Aubry, como candidata às eleições presidenciais francesas. Até parece uma conspiração feminina...
Resta-me referir as sábias palavras de um homem ponderado que talvez ajudem a perceber o caso. Jean Daniel disse: "...Havia um homem e uma mulher, um rico e uma pobre, um judeu e uma muçulmana, em suma, qualquer reserva sobre o fundamento das acusações do procurador revelam um preconceito." Finalmente, no "Le Monde", Alain Frachon escreveu: "Quando o par justiça/imprensa funcionam sem um contrapeso entramos numa voragem devoradora." E é tudo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A quente


É difícil e arriscado, ainda para mais de uma perspectiva centralista europaízante, interpretar, a quente, o "terramoto" político e social que varre o Norte de África. E nada garante o optimismo, nem que, de velhas ditaduras, estes países, não possam caminhar, a médio prazo, para novas ditaduras. Mas talvez valha a pena, a benefício de inventário, traduzir o início do editorial de Jean Daniel (pied-noir como Albert Camus), em Le Nouvel Observateur que saíu hoje. Segue:
"O que surpreende decisivamente mais nestas intifadas de mãos nuas que se oferecem ao combate, destes sublevados da «primavera árabe", é que eles não pegam em armas e, na Líbia sobretudo, oferecem o seu peito. Não temos aqui kamikazes, partidários fanáticos de atentados suicidas. Eles não matam, deixam o pecado de matar aos seus inimigos. Dir-se-ia que eles sabem aquilo que Albert Camus faz dizer a um dos seus heróis: «De cada vez que um oprimido pega em armas em nome da justiça, ele dá um passo no campo da injustiça.» Eles impõem a força imensa e colectiva da sua própria e única presença. Eis o que os separa dos cavaleiros do extremismo. ..."