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terça-feira, 4 de abril de 2023

2 tiradas de Jean-Louis Trintignant



O actor não deve ter personalidade de modo nenhum. Deve despir-se de todos os acessórios tal como uma página em branco. O que é dificil, tal como adquirir de novo a inocência infantil. E deve dar a impressão de que o cenário nunca foi escrito. E que ele está a ser inventado no preciso momento da representação - uma elaborada forma de improvisação.
...
Os Americanos fascinam-me. Tal como a ficção científica me fascina. Entre eles, eu sinto-me tão estranho, como se estivesse entre marcianos.

J.-L.Trintignant (1930-2022), in Films Illustrated (Julho de 1979).

sábado, 13 de agosto de 2022

Citações CDXL



É salutar desempenhar o papel de mau no ecrã. Tal como no poker, gastamos parte da nossa maldade.

Jean-Louis Trintignant (1930-2022).

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Jean-Louis Trintignant (1930-2022)




Seria difícil excluir o afecto das memórias que Trintignant me despertava, por alguns dos filmes que dele vi. Mas destacaria dois, particularmente: A Ultrapassagem (1962), do realizador italiano Dino Risi, e do polaco K. Kieslowski, o filme Vermelho (1994), com o actor francês, que faleceu hoje.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Uma realidade melancólica



Ainda assim, prefiro a "Il Surpasso" (1962), de Risi, relembrar Jean-Louis Trintignant (1930) em "Rouge" (1994) de Kieslowski, muito embora a Natureza seja quase sempre madrasta. A decrepitude física visível, um cancro (2017), a cegueira, reduziram, de algum modo, à sombra este grande actor, que aqui vemos e ouvimos através das suas humaníssimas palavras.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Passear as obrigações votivas


Os gatos, embora gostem de conservar as distâncias, não exigem muito dos seus donos. Bastam-se, domésticos, pelo interior das casas, e com alimentação pontual.
Mas também há famílias exigentes que não prescindem do seu passeio exterior, ao fim-de-semana. Motorizado ou pedestre, para apanhar ar.
Os cães, porém, obrigam, necessariamente, os seus donos a 3 ou 4 saídas, todos os dias, ao menos pelas suas necessidades básicas.
Quando vejo estes cães a passear os donos, lembro-me sempre de Dino Risi (1916-2008) e da sua "A Ultrapassagem", quando Gassman e Trintignant entram em Roma de carro, de manhã , e se cruzam com um passeante de cães. E Gassman grita, tonitruante: "Liberta-te, escravo, solta os cães!"*

* Como se segue, no vídeo.

Nota pessoal: as novas manipulações do Youtube obrigaram-me ao desdobramento do poste: em texto e vídeo, seguinte.

Il sorpasso, 1962. Campo lungo (www.cinescuola.it).

domingo, 23 de março de 2014

Divagações 63


O silêncio matinal e deserto de uma cidade, sobretudo em domingos inóspitos, é como se fora uma paisagem em aberto, semelhante ao princípio do mundo, onde apenas as casas e as ruas, de construção humana, podem destoar. Embora o silêncio seja tão poderoso, que faz esquecer esses sinais insólitos da mão humana.
Todos nós, decerto, já experimentámos, por insónia imprevista ou noitada escolhida, esse espectáculo raro e tranquilo da cidade adormecida, das ruas vazias, da luz crescente e insinuante que se vai adivinhando pelas sombras tímidas, pelo róseo ou rútilo com que a aurora vai vencendo, pouco a pouco, quase imperceptível, o escuro da noite.
Em desabono do derrame lírico do poste, ou do sentimento poético, e por associação lógica, quando penso nestas manhãs de domingo de cidades desertas, vem-me sempre à memória uma imagem do filme "A Ultrapassagem" (Il Sorpasso), de Dino Risi (1916-2008), com Vittorio Gassman e Jean-Louis Trintignant, entrando em Roma, numa manhã dominical.
Já no centro de Roma, e velozmente, os dois ocupantes do carro desportivo, depois de ruas e ruas vazias, vislumbram um único passeante matinal, numa praça, levando dois cães pela trela, que quase o arrastam. Ao passarem por ele, Gassman grita-lhe: "Liberta-te, escravo! Solta os cães!..."

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A arte de fazer

O título também poderia ser: Kieslowski, na primeira pessoa. E também espelha a minúcia da inteligência do fabro autêntico.
A personagem castigada, interpretada, magistralmente, por Trintignant, com frequência me lembra o juiz penitente de "A Queda", de Albert Camus. Não me pergunto porquê.
O filme passa na RTP2, daqui a pouco, às 22h20. Para quem ainda se sinta europeu... 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Kieslowski e a música magnífica de Preisner


Dá hoje, na RTP2, às 22h26, o filme "Blanc", de K. Kieslowski. Sendo, na minha modesta opinião, a menos conseguida das películas da trilogia "Cores" do cineasta de origem polaca, vale a pena ver e ouvir a excelente banda musical de Zbigniew Preisner. E, amanhã, poderá ver-se "Rouge" com Trintignant, dos três, o meu preferido. É do melhor cinema europeu, que se trata.

sábado, 20 de outubro de 2012

Recomendado : trinta e um - Kieslowski/ Red

É, para usar palavras de Bénard da Costa, um dos filmes da minha vida. Refiro-me a "Red (Vermelho)", final da magnífica trilogia "Cores", de Krzysztof Kieslowski (1941-1996). Com belíssima banda sonora de Zbignew Preisner (1955) e um desempenho notável de Jean-Louis Trintignant. Que, no seu papel, me faz lembrar (sem que eu saiba explicar porquê) o "Juiz penitente" do romance "A Queda" de Albert Camus.
O filme pode ver-se hoje(-amanhã), pouco depois da meia noite, às 00h30, na RTP 2. Boa sessão a quem vier a ver (ou rever)! E que gostem, como eu gosto.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Rohmer




Fez, há poucos dias, um ano que faleceu Éric Rohmer (4/4/1920-11/1/2o10), pseudónimo de Jean-Marie Maurice Schérer. O seu pseudónimo foi escolhido, como homenagem a Erich von Stroheim, realizador de cinema, e a Sax Rohmer, escritor policial. Rohmer era católico, e isso é notório nos seus filmes, ou nalguns deles, pelo menos. Foi dos meus realizadores europeus de referência, com Bergman, Risi, Fellini, Truffaut, e tantos outros, numa época (feliz) em que o cinema europeu não era asfixiado pelo americano. Onde a acção trepidante faz esquecer, muitas vezes, a pobreza dos diálogos e de pensamento. Diálogos, aliás, que nos filmes de Éric Rohmer, tinham uma importância nobre e fundamental.
Para quem goste, a RTP2, passa às 22,4ohrs de hoje, respectivamente: "Os Amores de Astrea e de Celadon", seguindo-se "O Joelho de Claire". Bom proveito!, a quem quiser rever.