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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

o poeta das minúsculas


Talvez todos tenhamos destas fraquezas: não gostamos, mas repetimos, na secreta esperança de virmos a gostar.
O tempo que eu demorei até ficar convencido de que destestava os chamados "pèzinhos de coentrada" e a "mão de vaca à jardineira"!... Ao fim de um ou dois anos de insistência sacrificada e de 10 ou 12 refeições tristonhas, abandonei o projecto, e decidi nunca mais comer, na vida, estes dois (horrorosos) tradicionais pratos da gastronomia portuguesa.
Ora, de algum modo, aconteceu-me o mesmo com a poesia  de e. e. cummings (1894-1962) - respeitosamente, grafei em minúsculas, como ele usava e gostava. E até nem foi pelas minúsculas, mediocremente plagiadas por alguns menoríssimos escritores deste nosso mundo, que me desaproximei dele. Era, antes, por uma razão de fundo: a poesia dele não me dizia nada.
Li-o no original, li-o nas traduções de Joaquim Manuel Magalhães, e era sempre a mesma coisa - não gostava, simplesmente, mas ia insistindo... Reincidi, há dias, até porque o livro era barato (usado, na imagem, custou-me apenas 1 euro, no meu alfarrabista de referência), numa teimosia desabusada, em mim.
É uma tradução francesa de Jacques Demarcq, creio que cuidada e atenta. Mas não gosto, pronto!
Está decidido: o e. e. cummings vai-se juntar, definitivamente, aos pèzinhos de coentrada...