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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Bibliofilia 225



Não é todos os dias que fico surpreendido com uma encadernação. Se não erro, quatro ou cinco me ficaram na memória, e duas delas tinham a marca do artesão profissional que as fez. Esta, da imagem acima e que me foi oferecida (Obrigado, H. N.), é anónima, mas uma linda obra executada.
O estudo, de Jacinto do Pado Coelho (1920-1984), sobre o poeta João Xavier de Matos (1730?-1789), é o mais extenso e completo trabalho que conheço sobre o vate, embora contenha uma ou duas imprecisões, que não desmerecem o valor do conjunto das 36 páginas integradas na miscelânea.



segunda-feira, 12 de agosto de 2024

Esquecidos (18)

 

Soube, há pouco tempo, que um colégio lisboeta de referência, em relação à literatura portuguesa do século XIX, incluia no seu programa escolar apenas o estudo de Eça de Queiroz. Quanto ao século XX são contemplados unicamente Pessoa e Saramago. O panorama  público de ensino não será muito diferente... Perde-se assim um enquadramento e contexto temporal e cronológico de autores, bem como se soterram no esquecimento a maioria dos escritores nacionais. Mas creio que também Teixeira de Pascoaes (1877-1952), um mal-amado, nunca pertenceu ao cânone português das escolas. Muito embora tivesse merecido importantes estudos de Jacinto do Prado Coelho, Jorge de Sena, Mário Martins, Alfredo Margarido, entre outros ensaístas.
Prado Coelho refere a infância como sendo o tema central na sua obra poética, eu optaria antes pela temática da morte como omnipresente nos seus versos. Não sendo um modernista, a poesia de Pascoaes retém acentos de algum romantismo e, sobretudo, sinais de um simbolismo original e panteísta que difere muito do estilo da obra excessivamente marcada e artificiosa de Eugénio de Castro (1869-1944).
Como contributo de lembrança, aqui deixo um poema de Terra Proibida (1899):

Hora Final

Aí vem a noite... Sente-se crescer...
E um silêncio de estrelas aparece.
Quem é, quem é, meu Deus, que empalidece
E se cobre de cinzas, no meu ser?
Alma que se desprende numa prece...
Que suave e divino entardecer!
Como seria bom assim morrer...
Morrer, como a paisagem desfalece,
Morrer quase a sorrir, devagarinho.
Ser ainda do mundo pobrezinho
E já pairar, sonhando, além dos céus,
Morrer, cair nos braços da ternura;
Morrer, fugir, enfim, à morte escura,
Sermos, enfim, na eterna paz de Deus!

domingo, 17 de abril de 2022

Bibliofilia 197



Não é raro este livro, cuja capa surge a encimar o poste, e tê-lo-ei comprado, em finais dos anos 80 do século passado, ao sr. Almarjão (José Mª da Costa e Silva), da Livraria Histórica e Ultramarina, numa altura em que estava empenhado num texto sobre Teixeira de Pascoaes, para os Cadernos do Tâmega, publicação cultural de Amarante, dirigida por António José Queirós. Trabalho que veio a sair  no número 6 (Dezembro de 1991) da revista, com o título Perfil a meio da Ponte (pgs. 64/6).  
Mas este VI volume da Bertrand tem, no entanto, a particularidade de me lembrar, por associação, uma série de outros nomes.



Antes de mais, o falecido e sábio alfarrabista da Travessa da Queimada, no Bairro Alto. Depois o poeta de Marânus e Jacinto do Prado Coelho que organizou estas obras completas editadas pela Bertrand, com o seu amplo estudo introdutório.
Finalmente, e não menos importante, a dedicatória de Prado Coelho a Ruben A(ndresen Leitão) e mulher Rosemary Bath, pelo Natal de 1970, em que o estudioso refere (a lápis) ter recebido a oferta do livro Páginas VI do escritor.
Pelo meio disto tudo, esqueci-me de anotar o preço que dei pelo VI Volume das Obras completas de Pascoaes... Creio não ser o mais importante.

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Esquecidos (4)

Enquanto 3 canónicos e bolorentos académicos vêm definir em livro, inquisitorialmente, o que se deve ler e lembrar na literatura nacional, venho eu, com generosidade liberal, recordar um mavioso esquecido: João Xavier de Matos (1730?-1789), poeta de tardios acentos camonianos. 



As dez entradas do vate no registo do Arpose dispensam-me que dele fale em pormenor neste undécimo poste. Mas direi que dele falaram bem Garrett, Jacinto do Prado Coelho e David Mourão-Ferreira, pelo menos. E os cegos cantavam os seus versos suaves pelas ruas de Lisboa. A sua Écloga de Albano e Damiana teve inúmeras impressões, muito embora a primeira edição das suas obras em livro só tenha aparecido em 1770.



O Poeta, que gozou da protecção do Marquês de Nisa e de Fr. Manuel do Cenáculo (na BPE existem inúmeras cartas e manuscritos seus), foi sendo reeditado até ao primeiro quartel do séc. XIX, mas depois deu-se-lhe um quase total apagamento. Nascido, porventura em Alfange (como sugere J. do Prado Coelho), no termo de Santarém, João Xavier de Matos viveu em Lisboa, Porto (alguns poucos anos, onde se fez sócio da Arcádia Portuense), Vidigueira e Vila de Frades, onde veio a falecer. E onde tem nome de rua.

Aqui ficam dois sonetos seus do primeiro tomo dos três existentes da sua obra esquecida.

sábado, 25 de maio de 2019

Memória 131 (de uma Colecção)


Os tempos leveiros de espírito que vamos vivendo, talvez ajudem a explicar a inexistência, que eu saiba ou me lembre, actualmente, de uma colecção de ensaística com a qualidade desta da Ática, em imagem, que se prolongou por quase três décadas, em Portugal.
Mas também a Sá da Costa, a Verbo, a Editora Ulisseia tinham as suas colecções de estudos e ensaios que, não sendo propriamente académicos, ajudavam os leitores a pensar e a desenvolver o sentido estético e crítico.


Hoje, as editoras estão mais preocupadas e interessadas em promover obras de auto-ajuda, para uma população cada vez mais carecida de competências e infantilizada, biografias pífias de pivots televisivos para consumo bisbilhoteiro do populacho, ou ficções paupérrimas de publicistas que fazem da sua exposição pública o ganha pão da sua actividade mercenária. O ensaio deixou de estar na agenda da edição e também, talvez, do público leitor.


Dos ensaístas aqui representados, apenas José-Augusto França (1922) sobrevive. Mas é sempre um reencontro enriquecedor revisitar Sena, Mourão-Ferreira e Prado Coelho nas páginas memoráveis destes ensaios da Ática.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Em defesa e proveito do nome


Quem deixou família, ainda tem quem o defenda ou proteja de barbaridades póstumas e apropriações indevidas e malfeitorias mal atribuídas.
É o caso de um poema de Sophia, fracote, que corre mundo pela net, como se fosse dela, não sendo. E é o que, normalmente, acontece quando não se cruzam dados e, à falta de biblioteca, se recorre a empresas de cultura barata e pindérica da net, como "O Pensador", "O Citador" e quejandos, para referir textos consagrados de autores célebres. Não se julgue porém que figuras prestigiadas, por preguiça académica, não copiam também de outros, às vezes, incorrendo assim no erro e pecado original. António José Saraiva, por exemplo, num trabalho, para a Clássicos Sá da Costa, atribuiu a Correia Garção alguns sonetos que são, realmente, de Cruz e Silva. E Jacinto do Prado Coelho, copiando de Júlio de Castilho, produziu algumas incorrecções num pequeno ensaio sobre o Abade de Jazente (Paulino António Cabral). No melhor pano cai a nódoa...
Dizia eu, no início, que sorte tem quem deixou família. Porque uma das filhas de Sophia tem procurado limpar o nome da Mãe, de excrecências menores que, falsamente, lhe são atribuídas por esses amadores rasteiros de poesia, que pululam neste mundo ignaro. Eugénio de Andrade não teve essa sorte, mas por outros motivos. Bem mesquinhos - diga-se.
Leio, no TLS (nº 6043), que Jane Austen conta, presentemente, com 330 descendentes. Sorte dela! E deles, ao mesmo tempo. Que lhe vão aproveitando a marca e o nome, para ir ganhando fama e para ir produzindo publicações menores e até produtos comerciais, que têm tido grande sucesso à custa da célebre romancista, cujo bicentenário da morte se comemorou, recentemente.
Isto, para o comércio, não há ninguém como os ingleses!... 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Divagações 135


Com o tempo, qualquer moeda se deprecia para os nacionais que a usam. E, normalmente, um imóvel terá tendência para se valorizar, ao menos, consoante os índices de inflação. No presente, e em Portugal, as subidas de preço no imobiliário, especulativas de algum modo, só se explicam, não pelo valor real das casas, mas pela intensa procura personificada por estrangeiros e pelos artíficios criados pelos mercados que se dedicam à habitação.
Ando a ler, com atenção mas intermitantemente, Problemática da História Literária (Ática, 1961), de Jacinto do Prado Coelho (1920-1984). Foi com enorme surpresa que me deparei com o nome de Benedetto Croce, crítico e teorizador literário, que é muitas vezes citado. Na altura, era um ensaísta muito frequentado, tal como Harold Bloom, aqui há 20 ou 30 anos. Quem saberá hoje de, ou lerá, Croce, nesta fugacidade e efemeridade dos tempos?
Celebra-se hoje a implantação da República, com sentimentos amortecidos em relação à data, embora com o valor simbólico de um acontecimento patriótico que marcou a História de Portugal. Daqui a 108 anos, como se irá celebrar o 25 de Abril?
Porque uma coisa são as efemérides, e outra são as efemeridades...