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domingo, 27 de julho de 2025

Recomendado : cento e sete

 


Não é demais repetir que ando cansado da ficção, de há anos, não só porque grande parte do que é editado, em Portugal, é de fraca qualidade, mas também porque a vida a substitui de forma alternativa e, muitas vezes, excessiva. Viro-me antes para a história, poesia e para o ensaio. Não me tenho dado mal.
Tirando a prosa, as obras de Javier Marías (1951-1922), considerado o mais inglês dos escritores espanhóis, são muito do meu agrado. É o caso deste Literatura e Fantasma (1998), de que vou apenas na página 55 (das 296), mas cuja leitura me tem dado imenso prazer. Por isso aqui o venho recomendar.

sábado, 22 de julho de 2023

Osmose 132

 

Por vezes, contentámo-nos com pouco. Ganhei o dia só porque consegui adquirir na sexta-feira, à tarde, e por apenas 5 euros, o penúltimo livro que me faltava das traduções portuguesas das obras de W. G. Sebald (1944-2001), de quem o colega Javier Marías (1951-2022) dizia que talvez fosse, na altura, o melhor escritor contemporâneo. Depois deste O Caminhante Solitário (Teorema, 2009), fica-me a faltar apenas Os Anéis de Saturno (Quetzal, 2013), dado que Vertigo (1990) tenho e li-o na edição inglesa original.
Escusado seria reafirmar que W. G. Sebald é um dos meus autores de eleição...

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Ideias fixas 70



Eugénio Lisboa, talvez perdulariamente, anda a dar-lhe caça no blogue De Rerum Natura. Embora, na minha opinião, por bons motivos e justificadas razões de falta de qualidade mental dos seus textos (dele). Referindo como razões optativas do gosto do vulgo: o "provincianismo douto, pretensiosismo parolo, infantilidade embevecida (ou) imbecilidade inconsciente".
Se a última soberana inglesa foi celebrada pelo seu mais longo reinado, este artista português do interior - logo saudado por Saramago na sua estreia em prosa, e premiado - arrisca-se a ultrapassar, em breve, o número das obras da bibliofília camiliana (já vai em cerca de 50 publicações...). É "obra"!  Quanto a quantidade.
Mas bastaria ler a última coluna na direita da contracapa do último JL, para aquilatarmos a qualidade mental da sua escrita, sobre Mariás...
Pois que os leitores pobretes nunca lhe faltem. Nem também as empáticas editoras lusitanas. Para seu sustento.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Falta de imaginação ou ignorância visual?



Constata-se, flagrantemente, que grande parte das capas dos livros que se editam em Portugal tem um grafismo indigente de bradar aos céus. As excepções são raras, pelo menos por cá. E uma boa parte das editoras usa bancos de imagens, indiscriminadamente. Depois, há as incongruências despropositadas e crassas...
Há dias, dei pelas capas do último romance de Javier Marías (1951): Tomás Nevinson, ao que parece na sequência de Berta Isla, editado pela Alfaguara. Pois esta casa impressora pespegou, nas capas da obra, fotos do célebre actor francês Gérard Philipe (1922-1959) que - julgo - nada tem a ver com o enredo do romance.
Penso que nem foi por oportunismo, mas por pura ignorância visual.
E será que terão pedido autorização à família do actor?




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Novos caminhos da prosa?


A prosa parece querer assumir, neste século XXI, novos caminhos ou derivas de experimentação, talvez por cansaço ou esgotamento das orientações a que a ficção tinha sido conduzida. A efabulação de ficção-autobiográfica ou a prosa glosada sob o mote de outras artes, como a pintura e a fotografia, parecem assumir ou denunciar algumas dessas vias mais significativas. As viagens, sob um novo ângulo, em que se misturam história, biografia, revisitações de outros autores, diarística e ficção romanceada convocam, por exemplo, Bruce Chatwin, Claudio Magris e Paul Theroux.
Quanto à fotografia, como ponto de partida, mote ou fonte de inspiração, se ela surge esporádica, tímida e um tanto canhestra nos romances de Modiano, vem a ganhar dimensão maior nos livros de W. G. Sebald e, pelo menos, numa das obras mais recentes de Javier Marías ( Vidas Escritas, 2007).
Se neste livro, e na primeira parte, Javier Marías nos dá, por palavras e pequenos episódios, muitas vezes pitorescos, retratos instantâneos de 20 autores, na segunda parte (Artistas Perfeitos), cuja prosa é antecedida de 37 fotografias de cerca de 25 escritores, o escritor espanhol efabula livremente sobre as poses, os tiques observados nas fotos, as expressões, a indumentária usada e as conclusões a que chega a sua imaginação ou fantasia para caracterizar esses artistas. Creio que por aqui anda, ainda que discutível, uma experiência nova e singular de retratar e fazer prosa.



Para ilustrar o que disse, escolhi, dessa segunda parte de Vidas Escritas, o retrato do poeta W. B. Yeats (1865-1939), tirado por Howard Coster, em 1935, que Mariás seleccionou, fazendo-o acompanhar das considerações que lhe consagrou, neste livro. Assim:

Um poeta inegável é sem dúvida Yeats, apesar de na fotografia ter já os cabelos brancos e não ser costume associar facilmente os homens de idade com a produção de versos. Ao observar a sua expressão, vê-se um fanático ou um iluminado, alguém de carácter demasiado forte e convencido de tudo o que faz ou opina, é uma expressão de autenticidade. O cabelo desalinhado salva-o de ser velho e quase parece loiro, dota de movimento e brio toda a cara, é um indivíduo a que sobeja vigor. Mas chamam também a atenção as sobrancelhas mais escuras; e esse olhar invisível, apenas adivinhado por detrás das lentes, faz com que seja realmente com os lábios firmes que olha, como se todo ele fosse tão-só voz. (pg. 267/8)

sábado, 26 de janeiro de 2019

Sobre traduzir


Numa entrevista recente, Javier Marías (1951) reflecte, entre outras coisas, sobre a sua actividade de tradutor como sendo uma via de consolação. Em tempos, diria eu, de defeso e de esterilidade criativa própria, sobretudo. E o escritor acrescenta que é como que se houvesse um rascunho inicial, sobre o qual é necessário trabalhar, aperfeiçoando.
O fazer sua a voz dos outros tem aspectos muito próximos da criação, numa euforia porventura menos febril e por caminhos mais definidos. Como também alguém já disse que, mais que bem conhecer o idioma de que se traduz, é absolutamente obrigatório dominar amplamente a língua (sua, na maior parte dos casos) para que se verte.
Importa muito menos, porém, que o estado de espírito do tradutor se coadune com o teor do texto, ou possa ser paralelo à energia criativa original que o desencadeou. Há sempre qualquer coisa de caótico, inconsciente ou não domável, por inteiro, no fenómeno e forças da criação. A reordenação faz-se, normalmente, numa fase posterior, mais consciente.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Dando contas


Tenho mesclado as leituras.
Na fase incipiente das primeiras páginas, eu diria que Bellow é irregular e Marías guloso. Neste último caso, querendo significar que me apetece ler mais. E, embora se trate de coscuvilhice nobre, essas pinceladas impressionistas, sobre alguns escritores (todos falecidos), compõem retratos singulares. Implicam também um atento trabalho de sapa que a bibliografia compulsada e trabalhada por Marías (6 páginas) amplamente explica.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Transições (5)


Seguramente, estas duas obras vão atravessar comigo o ano e prolongar-se, em leitura, por 2019. Javier Marías é para mim uma iniciação e de Saul Bellow há muito que não lia nenhum livro, mas considero-o um grande escritor norte-americano. Tenho assim expectativas bastante positivas.