"Bosch é muitas vezes olhado como o último pintor da Idade Média, em que os dogmas da Igreja ainda se mantêm, enquanto Brueghel surge como pioneiro, como o céptico visionário da Idade Moderna."
Joseph Leo Koerner (1958), in Bosch and Bruegel.
Não resisto ao comentário de uma breve nota. Se a "Carroça de Feno" (Bosch) espelha, claramente, o cortejo de fantasmas e temores medievais, bem como a imaginação delirante, de cariz religioso, o quadro de Pieter Brueghel ("O camponês e o ladrão de ninhos") não deixa de expressar, alegremente, um realismo liberto da proibição de regras e dogmas, muito dirigido ao gosto de viver. A que não falta, cúmplice e dialogante, o dedo apontado à atenção do espectador, porventura desatento... Em qualquer dos casos, obras-primas da pintura europeia, que me apraz aqui deixar em imagem e arquivo.