A frase "The past is a foreign country: they do things differently there" (O passado é um país estranho: fazem lá coisas de modo diferente) é conhecida, e considero-a um dos melhores inícios de romance inglês, que conheço. A obra em causa, que li no original em 1965, é "The Go-Between" (O Intermediário), escrita por L. P. Hartley (1895-1972), publicada em 1953. O livro foi adaptado ao cinema, em 1970, por Joseph Losey, com script de Harold Pinter, e interpretado por Julie Christie (Marian) e Alan Bates (Ted), nos principais papéis.
O núcleo central do enredo reside nos amores clandestinos e impossíveis de uma jovem de família rica, que está noiva, com o caseiro da quinta, Ted. A jovem (Marian) usa Leo Colston, de 13 anos, para portador de mensagens, em encontros com o caseiro. O tema é também o da perda de inocência de Leo, ao descobrir as razões, e o sequente traumatismo que sofre pelas consequências do seu papel de Mercúrio - tendo sido descobertas as relações do par, Ted acaba por se suicidar. A acção do romance decorre em 1900.
Não sei se hoje ainda se usam mercúrios, ou intermediários, para o estreitamente de relações amorosas mas, no meu tempo de juventude, isso era frequente. Fui Mercúrio, por três vezes, na minha infância/adolescência, mas as relações que medeei não eram pecaminosas, nem tiveram consequências demasiado funestas. E, há que dizê-lo, também utilizei mercúrios, algumas vezes. Sem grandes resultados, aliás...