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terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Dos brandos costumes

 

A notícia, que fez primeira página do CM e JN, conta-se em poucas palavras.
Um bisonho ex-juiz do MP, e agora do TR, algo um tanto rude e com pouco gosto para se vestir, foi almoçar, na Guarda, com alguns notáveis do PSD (Passos, Rio, Rangel...), que são também apoiantes da nova AD.
Convém apenas lembrar mais duas coisas: dentro de dias vai, finalmente, iniciar-se o julgamento de José Sócrates; e, como diz o povo, "não há almoços grátis"...
Acrescente-se, a benefício de inventário, que a refeição era para celebrar um aniversário.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Os juízinhos portugueses


Os nossos inefáveis agentes de justiça (à portuguesa) vão dar início, agora, ao julgamento do caso, ocorrido na ilha da Madeira, da queda de uma árvore, em 2017, e que provocou vários mortos. São meticulosíssimos no seu trabalho estes nossos juízes e comandita...
Dentro da sua ociosidade, produtividade e profissionalismo incomparáveis, de quantos mais anos vão eles precisar para deixar prescrever o caso BES, o de Sócrates, Bava e Granadeiro e a grande maioria dos seus processos mais importantes?...

domingo, 30 de setembro de 2018

Considerações sobre o ritmo


Aqui há uns anos, um amigo ofereceu-me um pedómetro. Se é certo que eu já andei mais depressa, se quiser, posso medir pelo pequeno aparelho, ainda hoje, o ritmo dos meus passos e as distâncias percorridas nas minhas deambulações diárias, com alguma exactidão.
Quanto a leituras, a situação acaba por ser mais complicada de avaliar. Quando a leitura é aliciante, creio que lemos mais depressa; sendo fastidiosa o ritmo abranda, certamente. Alguém dizia que, ao longo de uma vida, talvez fosse possível ler entre 4.000 a 5.000 livros.
Não gabo a sorte do juiz Ivo Rosa (1966). Nos próximos tempos, e para bem documentar-se, vai ter de ler 21.954 páginas, distribuídas por 55 volumes, extensão total do Processo Marquês. Para ajuizar se o caso vai a julgamento. Ser-lhe-á possível? E quanto tempo levará?

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Os meus títulos do dia

Aqui fica uma estreita selecção das notícias que me pareceram mais importantes, no jornal Público de hoje:
- Alice Vieira põe em causa rigor no Plano de Leitura.
- MP arquiva suspeitas de juízes sobre Sócrates.
- A agressão dirigida a pessoas no poder pode aumentar, tal como os suicídios.
- Já falta comida na mesa dos espanhóis.
Mas também me parece útil transcrever um parágrafo clarividente de Rui Tavares, inserto na sua crónica intitulada "Estúpida Europa". Assim: "...Os nomes dos lugares mudaram, a linha mudou também. Antes a cortina de ferro dividia a Europa em duas metades pela longitude: Leste de um lado e Oeste do outro. Agora as duas metades estão divididas pela latitude, entre Norte e Sul, por uma cortina da dívida. ..."
Até porque as ditaduras podem ter muitas formas...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Os copinhos de leite


Hoje, o nosso ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, brindou-nos com esperança. Anunciou, embora em tom engasgado, que em breve começará, dadas as concessões, a exploração de ouro, no Alentejo, e de gás natural, na costa algarvia. Ao que parece, dentro de 3 anos...
Por um estranho mimetismo, ou moda, nos últimos tempos, os perfis dos líderes e políticos europeus parecem assemelhar-se e reproduzir-se. Repare-se: Blair, Sarkozy, Sócrates - hiperactividade, mais ou menos, agressiva. Mas o clone-tipo parece estar a mudar. O Partido Socialista Francês escolheu François Hollande para defrontar Sarkozy, nas próximas eleições. O melhor que dizem dele, em tom de frase assassina, é que "é um homem normal!". Creio que David Cameron, PM da Inglaterra, é aquilo que, em Portugal chamamos "um menino copinho de leite". Por cá, o PS escolheu, para secretário-geral, António José Seguro. Confesso que vou ter enorme dificuldade em o ouvir, durante 4 anos, à hora do telejornal...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os moralistas da 25ª hora


Não sei se será um vício exclusivamente português, mas creio que não. Até porque La Rochefoucauld o sublinhou através da máxima: "Les vieillards aiment à donner de bons précepetes, pour se consoler de n'être plus en état de donner de mauvais exemples" (aqui no bloge, em tradução, a 29/11/09). E Charles Aznavour, paralelamente e numa outra direcção, emite o mesmo conceito na canção "Alléluia". O facto, é que já estou cansado de ver figuras públicas e ex-ministros darem conselhos para bem gerir as suas "ex-cátedras", depois de largarem o lugar e de terem tido oportunidade de os aplicar, objectivamente.
E os nomes, em questão, abundam. Desde Marçal Grilo que, depois de largar o Ministério da Educação, escreveu o livro "Difícil é sentá-los". Até Campos e Cunha, o ministro-cometa de Finanças no 1º consulado de José Sócrates e que, quase todas as semanas, dita regras (no "Público") de como se devem gerir as finanças e economia portuguesas; e ainda um obscuro juíz que, quando se aposentou do Tribunal de Contas, veio perorar sobre o que devia ser feito nessas competências. Para não falar dos senhoritos portugueses bem instalados na vida, ou a comer à mesa do orçamento, quando vem dar conselhos à populaça para gastar menos e se sacrificar: "Bem prega Frei Tomás..." E, no mínimo, esta hipocrisia vai fazendo escola.
O último caso flagrante foi António Barreto no seu discurso moralista do 25 de Abril, a zurzir nos políticos, quando ele próprio também o foi, e não está livre de críticas.
E fico-me por aqui, para não ir mais alto e mais acima...

terça-feira, 3 de maio de 2011

"Inconcluso desejo no limiar do transe"



O título que encima este poste não é meu, felizmente. Pertence a um plumitivo que, nos anos 90, assim intitulou um seu artigo de análise crítica, num defunto jornal literário. Usei-o, para não o esquecer, mas é, no meu entender excessivamente barroco, de mau gosto estético embora, quiçá!, possa ter alguma intenção erótica da parte do seu autor literato...isto, há gente para tudo, nestas coisas da literatura. Mas não é de literatura que eu queria falar, vamos, mas é, ao discurso: - Não percebo, hoje em dia, esta pressa política em comentar ou contraditar, de imediato e para os media, qualquer declaração do Governo. A prestação televisiva, cerca das 20,45 hrs., do Primeiro-ministro, que tinha a seu lado um Teixeira dos Santos patibular, para anunciar (parcialmente) o acordo com a Troika, mereceu incontinentemente e 10 minutos depois, uma declaração de Eduardo Catroga (pessoa, aliás, que respeito), pelo PSD, que foi, no mínimo, gaguejante, atabalhoada e infeliz. Seguiu-se, qual serial-killer, o comentário metralhado de Francisco Louçã. Assunção Cristas, do CDS, como teve mais tempo, foi também mais ponderada, prudente e medida. Porque que é que esta gente não pensa, antes de falar? E escolhe, friamente os argumentos explicando, claramente, as razões? Curiosamente, não ouvi nenhuma declaração do PCP. Ou se guardou para o fim sabiamente ou preferiu pensar antes, para falar de depois. Não é impunemente que se tem a honra de ser o mais antigo partido político da democracia portuguesa. 90 anos sempre dão alguma sageza...

sábado, 23 de abril de 2011

O uso ligeiro das palavras e dos números





É conhecido o fosso que separa, habitual e culturalmente, os homens da Ciência dos homens da escrita ou das Letras. O assunto foi abordado, e bem, por C. P. Snow (1905-1980) no livro "The Two Cultures", em 1959. Snow sabia do que falava porque era, ao mesmo tempo, físico e romancista. A frequente ignorância, dos cientistas, pelas Humanidades e dos literatos, pelos números, acentuou-se muito, nos últimos tempos. E contribui para a leviandade de alguns raciocínios que, por obrigação, são feitos com palavras.



Li hoje, no jornal "Expresso", de 22/4/11, uma entrevista a um jovem professor (Ricardo Reis) de economia, na Universidade de Columbia, onde a "leveza" com que usa as palavras ao abordar alguns temas, quase me pareceu roçar a demagogia. A uma pergunta do jornalista: "...a produtividade é baixa porque os salários são altos, é verdade?"; o jovem professor responde: " A resposta tem duas versões. A primeira diz-nos: a crise que hoje vivemos deve-se à subida dos salários na última década, incluindo a subida em 2009 - uma decisão eleitoral do primeiro-ministro, José Socrates. Um erro terrível: os nossos custos por trabalhador são hoje 30% mais caros do que na Alemanha. ..." Será que o nóvel economista desconhece que o salário mínimo de Portugal é o mais baixo, ou dos mais baixos, da UE.? E que os salários altos portugueses são, na UE, dos mais elevados? Nem uma palavra sobre a organização do trabalho, em cada um dos países, nem uma frase sobre as agências de rating e a sua co-responsabilidade na crise... Com raciocínios destes, com esta leviandade no uso das palavras, o que é dito, na entrevista do "Expresso", parece-me apenas um abuso demagógico e irresponsável.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Memória do Tempo : o Norte e o Sul


Houve uma altura, no tempo (1975-76), em que os políticos portugueses rumavam ao Porto, para receber o aval, benção e protecção do general Pires Veloso, que era chamado, na época, vice-rei do Norte. Hoje, somos mais cosmopolitas, mas continuamos a rumar a Norte. Mais concretamente, a Berlim. Onde Sócrates e Teixeira dos Santos se vão encontrar, esta quarta-feira, com Angela Merkel. Com variantes, a História repete-se, com outros figurantes.