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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Esquecidos (6)



Na minha opinião, e de forma ligeira, foi um ar que lhes deu. Escritores neo-realistas, tão populares e lidos, nos anos 50, 60, 70 do século passado estão hoje sepulcralmente esquecidos. Das novas gerações, quem se lembrará (e menos lerá...) de José Loureiro Botas, J. Marmelo e Silva, Faure da Rosa, Leão Penedo, Romeu Correia, Ferro Rodrigues, Fernando Lopes... Escapam Alves Redol, Carlos de Oliveira (que inflectiu a sua obra, e bem) e talvez Fernando Namora, que a Bertrand lá vai reeditando.

Estar na moda e ancorado excessivamente no presente tem os seus custos. Nalguns casos, é uma pena que alguns destes prosadores estejam esquecidos para sempre.

 

Nota pessoal: chamo a atenção para a qualidade de algumas destas capas. De bons profissionais, claro!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Bibliofilia 78 : curiosas raridades



Nada prometia que os dois livros, em imagem, viessem a ser raros. Mas o acaso proporcionou que sejam. Foram ambos retirados do mercado, por razões diferentes. O primeiro (Adolescente Agrilhoado, de José Marmelo e Silva), de 1986 (4ª edição), impresso pela Caminho, com prefácio de Maria Alzira Seixo, terá sido retirado do mercado, por litígio entre o Escritor e a Editora - segundo me disseram. O segundo (O Pêndulo Afectivo, de Egito Gonçalves), prefaciado por Óscar Lopes, a cargo da Afrontamento, para sair em 1991, nem sequer foi posto à venda. Tinha dois erros de impressão clamorosos: a bibliografia de Egito Gonçalves vinha com os livros publicados, até aí, pelo poeta António de Almeida Mattos; e, além disso, não continha a habitual ficha técnica. 
Os livros foram-me oferecidos por dois bons Amigos. Um deles, infelizmente, já falecido.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A efemeridade do gosto



Quando, há dias, um jovem me argumentava com as excelências de também 2 jovens escritores portugueses, justificando e reforçando o seu gosto entusiástico com os prémios e traduções, no estrangeiro, das obras desses autores, eu, que os achava apenas de qualidade meã ou razoável, contrapunha-lhe o exemplo da antiga fama, prémios e inúmeras traduções que se fizeram da obra de Fernando Namora, hoje, esquecido e, que, dificilmente, passará à história literária do séc. XX português.
Adolescente e jovem, também eu li, com entusiasmo muitos dos livros de Namora, mas hoje não consigo explicar, para mim mesmo, porque apreciava tanto a sua escrita. A tentativa, aqui há três ou quatro anos atrás, para o reler e reavaliar, saldou-se por uma rotunda desilusão e fracasso. É evidente que, com a idade, vai crescendo o nosso grau de exigência, fui conhecendo e lendo obras maiores, começando também por ser mais selectivo no meu tempo de leitura e suas opções. Por outro lado a ficção portuguesa raramente foi "romance de ideias" (se exceptuarmos Vergílio Ferreira e pouco mais), e os factos têm duração efémera, a paisagem e sua descrição modificam-se, os sentimentos mudam, os conceitos de moda, perdem-se, rapidamente.
Falei ontem de Redol, aqui no Blogue, e de Marmelo e Silva, por acréscimo, entre outros escritores desvalorizados ou esquecidos, actualmente. Uma Amiga, em comentário, falou no eventual centenário deste último autor português. Fui ver: José Marmelo e Silva nasceu a 7 de Maio de 1911, na Covilhã. Há um ano, o seu centenário, portanto, e não me lembro de alguém ter falado nele, apesar de ser pai do poeta José Emílio-Nelson (1948) que também trilha caminhos literários.
Ora, Marmelo e Silva teve algum nome, nos anos 50, 60 e 70, era conhecido e falado, por quem lia, ou estudava literatura. O seu "Adolescente agrilhoado" entre 1947 (ano de publicação) e 1986, teve quatro edições - coisa não despicienda, na altura. Quem, hoje, com menos de 40 anos lhe saberá o nome e obra? É certo que os seus livros falavam de universos pequeninos, provinciais, de pecados de consciência, de matrizes excessivamente cristãs. Hoje, as vivências são outras, as mentalidades diferentes, os gostos deslocaram-se para outras paragens e mundos...
Mas, atenção!, o facto de estar obrigatoriamente à la page, ou no centro da moda e da mundanidade, não significa perenidade. Já Drummond dizia "Não faças poemas sobre acontecimentos..." - cito de memória. E, como eu dizia ao meu jovem interlocutor, que referi no início deste poste, não basta escrever bem, usar "piercings", ou falar de locais emblemáticos (Veneza, Trieste, a Índia, por exemplo) para deslumbrar o pio leitor, citando autores de culto e na berra, para passar no exame do Tempo. É preciso muito mais do que isso. Sic transit...

com agradecimentos a MR.