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sábado, 8 de julho de 2023

José Mattoso (1933-2023)



Há pessoas que ficam connosco, pois nos ensinaram alguma coisa. José Mattoso é um nome na memória. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Instantâneos de Outono, com interrogações


As moscas impertinentes e raivosas abatiam-se, em voo picado, sobre coisas e gentes, com persistência reiterada e teimosia selvagem (kamikaze moribundas?). De nada valia enxotá-las, porque regressavam sempre. O vento vinha do mar.
O empregado muito jovem (abandono escolar?), com brinco de pirata do séc. XVIII, começou a perder o norte e as estribeiras com a chegada do sétimo e oitavo clientes. O homem vinha acompanhado e era parecidíssimo com o José Mattoso (seria primo?), embora mais jovem, nada franciscano e mais ofegante.
Vinha a dizer para a jovem: "Parece-me uma história muito pouco isenta" (Ramos e Loff?).
Eu já tinha acabado o café, quando o vento começou a soprar mais forte e a chuva ameaçava. Saí apressado em direcção a casa (iria lá chegar sem me molhar?).

domingo, 23 de maio de 2010

Nos 87 anos de um "Senador" da Pátria



Num país em que os "senadores" da Pátria se podem contar pelos dedos (arrisco: Adriano Moreira, Freitas do Amaral, José Mattoso e Mário Soares) relembro Eduardo Lourenço que hoje completa 87 anos. Com palavras suas de "O Labirinto da Saudade":
"Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe..."

terça-feira, 13 de abril de 2010

Cavaleiros-monges



Volta recente me fez andar por territórios que, antigamente, foram domínio, ou inspiração patronímica da Ordem de Santiago. E a compra e leitura do pequeno livro "Ordens Militares e Religiosidade - Homenagem ao Professor José Mattoso", de meu aproveitado gosto, anima-me a que partilhe, neste espaço, um breve excerto, de maior sabor e não menor curiosidade - a quem interessar. Assim, um pequeno estudo de Saul António Gomes ("Monges e cavaleiros de Portugal medieval: os horizontes espirituais"), no livro citado acima, refere algumas palavras de S. Bernardo de Claraval (1090-1153) sobre os cavaleiros Templários, que passo a citar:
"...Detestam o jogo de xadrez e o dos dados; aborrece-os a caça e nem sequer se entretêm com a caça por aves de rapina. Odeiam mimos e estriões, magos e jograis, canções profanas ou espectáculos de jogos, como outras falsas vaidades ou desaguisados. Tonsuram o cabelo, sabendo, segundo o Apóstolo, que é desonra deixar crescer a cabeleira. Raramente lavam o corpo, embelezam a face ou cuidam do penteado, andando cobertos de poeira, queimados pelo sol que os abrasa e pela loriga que os protege."

domingo, 7 de março de 2010

Salão de Recusados XI : José Mattoso



De José Mattoso (1933) e de um seu depoimento intitulado "Uma ideia para Portugal" vamos transcrever alguns excertos que nos parecem significativos.

"A História só sabe o que aconteceu. Ignora o futuro e o condicional. (...) Haverá ainda lugar, no mundo de hoje, para uma concepção humanista da existência? Seja qual for o sentido que demos ao conceito, o que quero dizer é que não acredito numa ideia para Portugal senão baseada no respeito pelo Homem e pela sua dignidade. O domínio da técnica ameaça o Homem porque dá o poder mas não garante o seu bom uso. (...) Só conheço uma resposta: aquela que se deduz da «conversa» entre Javé e Abraão antes da destruição de Sodoma e Gomorra: «Será que vais exterminar ao mesmo tempo o justo e o culpado? Talvez haja cinquenta justos na cidade: matá-los-ás a todos? Não perdoarás à cidade por causa dos cinquenta justos que nela podem existir?» (Génesis.,18.23). Só Deus sabe que proporção de "justos" no conjunto de cada cidade é suficiente para ela subsistir. Pelos vistos, Javé até se contentava com dez. Mas ninguém sabe.

O que a vida me tem ensinado é que existem mais "justos" neste mundo do que se pode saber através dos jornais. Há muitas formas de santidade oculta, nem que seja por meio do sofrimento assumido, do apaziguamento, da noção do dever. A religião católica aliada ao individualismo atrofiou o conceito de "justo". A história do Génesis propõe que se creia no efeito da acção do "justo" sobre a comunidade a que pertence em virtude do princípio de solidariedade. Os "justos" são a porção viva e sã, mas escondida, da comunidade a que pertencem. Garantem a sua capacidade de regeneração. O fundamento da esperança no futuro é o reconhecimento dos "justos" que nos rodeiam, seja qual for o meio em que vivem e o apoio que somos capazes de lhes dar na sua luta pela "justiça". Talvez isso sirva de antídoto contra a desilusão que nos causam os poderosos da finança, da política ou do espectáculo."

in "Público" de 6/3/2010.