Paul Klee
Há bastante tempo que se vinha aflorando, em tertúlia
particular semanal nossa, que havia qualquer “fim de festa” no ar, sem se saber o que
viria a seguir. De certeza apenas “a consciência da vida caótica que o capitalismo
engendra”, singularmente expresso por José Gil no seu último artigo:
“Vivemos, neste momento, dois tempos diferentes, em
simultâneo: o nosso presente da vida confinada e o tempo da espera que a
pandemia acabe. Nem um nem outro, nem os dois sobrepostos, ajudam a agir.
Alguns pensam que este período de isolamento deverá ser aproveitado para tomar
consciência da necessidade de mudar de vida, recusando voltar à “normalidade”.
A normalidade representa o tecno-capitalismo e a vida caótica que ele engendra.
(...) Mas mais profundamente, ela mostrou, segundo muitos, a futilidade e o
vazio da vida sem sentido em que os povos viviam antes da pandemia”.
José Gil, Público,
13.4.2020
O que se deseja, certamente e de uma forma lúcida, é que a
humanidade regresse a uma outra racionalidade, porventura numa retrotopia,
palavra que fixei com interesse. O livro de Zygmunt Baumann, com o título Retrotopia está a caminho. Restam, para
já, as palavras do autor, ditas numa entrevista ao El País: “Mirar atrás para recoger no significa ir atrás no volver”.