Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jornalismo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Ele há cada título...

 

É notória e sabida a perda de qualidade do jornalismo nacional e muito poucos dos seus agentes escapam à mediocridade geral. Mas ainda nos surpreendemos com alguns títulos nos jornais de referência.
Mal enjorcados, desarrumados, crípticos como este, acima. Que estará lá a fazer a redundância?

terça-feira, 6 de maio de 2025

Apontamento 181: Jornalismo profissional, responsável e esclarecido: PROCURA-SE

 




Em Berlim, assistiu-se, ontem à noite, à despedida do Chanceler Olaf Scholz, com uma cerimónia militar, julgo de regra, na passagem de testemunho para o próximo responsável pelo Governo da Alemanha.

Da imagem da figura de Olaf Scholz, a que o público teve a possibilidade de assistir, ouvindo o seu discurso, não resta nenhuma dúvida a qualquer pessoa bem-intencionada, esclarecida e conhecedora da língua e cultura alemãs, que se perdeu, sobretudo por uma ignorância atrevida sobre as funções do Estado, um dos últimos estadistas com que a República Federal Alemã, no contexto político alemão actual, poderia contar.

Para quem tivesse dúvidas sobre a estatura intelectual, cívica e cultural do chanceler, ignorando o seu ar e empenho sério, consciencioso, realista e circunspecto, avesso, como bom hanseático, a manifestações espúrias de emoções vagas e sem sentido, deveria ler, se soubesse, os últimos dois discursos.

O discurso nos 80 anos do fim do Campo de Concentração de Neuengamme, Hamburgo, e da intervenção de despedida de ontem à noite:

https://www.tagesschau.de/inland/innenpolitik/scholz-grosser-zapfenstreich-100.html

Fica um aviso à imprensa, até àquela que, por cá, se considera profissional: a saber a RTP. Para entender o mínimo do universo intelectual de Olaf Scholz é preciso saber Alemão e não trocar “alhos com bugalhos”, o que a RTP fez hoje.

Scholz despede-se da governação na Alemanha a pedir "mão firme" ao sucessor”

Com efeito, “mão firme” não corresponde – EM NADA – àquilo que o Chanceler Olaf Scholz desejou ao seu sucessor, porque disse o seguinte:

[“Seinem designierten Nachfolger Merz,  (…) wünschte Scholz für alle Aufgaben und Herausforderungen "viel Erfolg, (…) und eine glückliche Hand".]” 

Ou seja, as “mãos firmes” da RTP não têm nada que ver com as “mãos afortunadas” que Olaf Scholz desejou, num universo intelectual superior, ao seu sucessor na condução do próximo governo da RFA.

Fica mais esta ignorância atrevida, até de uma estação pública com responsabilidade, para se entender que, tanto em Portugal como na Alemanha, a imprensa – da direita, do centro e atá da esquerda – fez da sua própria ignorância uma campanha sem precedentes, contra uma superior personalidade de um Chanceler, puxando o chinelo para a “vidinha” quotidiana e incapaz de entender discursos nobres fora da “caixa”.

 Post de HMJ

sábado, 21 de setembro de 2024

Desabafo (91)

 
O que mais me enterneceu nas notícias sobre o episódio do faroeste escolar ocorrido em Azambuja foi a delicadeza democrática das pinças com que os jornalistas lusos trataram a criancinha de 12 anos, que já estava a ser acompanhada por um psicólogo, embora não informassem se este profissional também usava colete à prova de bala. Nada disseram porém sobre os inefáveis pais da criatura agressora nem sobre as vítimas feridas e hospitalizadas.

domingo, 3 de setembro de 2023

Como vai a leitura...



... ou os pressupostos de um jornalista (?) titular... 

domingo, 9 de outubro de 2022

Apontamento 147: Decadência do Jornalismo na RTP

Ora quem pensava consultar a RTP, quase como único reduto contra o populismo, a falsidade e o jornalismo decadente, enganou-se como testemunha uma pretensa notícia, de 9.10.2022, de uma criatura – não identificada – com o seguinte título:

Preço do leite quase duplicou em apenas um ano, mentira que a meio da conversa passa para “quase duplicou desde início do ano”.


 

A bem da verdade, e sendo consumidores habituais de leite fresco, único que, aliás, no meio de sucedâneos que se acumulam durante meses em pacotes não refrigerados nos supermercados, temos bem a prova da evolução dos preços, a saber:

14.02.2022 – Vigor – 0,84 / litro

18.09.2022 – Vigor – 0,94 / litro

09.10.2022 – Vigor – 1,09 / litro  

Como se vê, a pessoa que pretende passar por jornalista não deve ter feito o trabalho de casa, documentando-se antes de palrar. Por outro lado, quiçá fugiu para o jornalismo, porque não gostava de Matemática no Ensino Secundário, embora o domínio de algumas noções básicas de cálculo se considerem essenciais para evitar asneira grossa !

E se os jornalistas, que tanto cavalgam o aumento exponencial dos preços de primeira necessidade, se centrassem em despesas exuberantes como as tarifas dos telemóveis, da internet, etc. ?

Bem sei que as comunicações passaram a ser essenciais pelo facto de permitirem acesso a entidades e serviços ora considerados indispensáveis. Por maioria de razão deviam ter preços regulados. Mas, por aí o jornalista não se mete …

 Post de HMJ

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Cacofonias

Sobre o jornalismo português, eu creio que já disse tudo. Abaixo de cão, é de uma qualidade medíocre absoluta a toda a prova, tirando raríssimas excepções.
Nos generalistas, o Boris, nos dois últimos dias, tem sido o prato de resistência. Hoje, substituiram-no pelo JE dos Santos, que feneceu em Barcelona. E os textos são frioleiras pueris, sem uma ideia pensado - tudo à tona da água repetitiva.
Quanto a vídeos, só a SIC, no noticiário da hora do almoço, deu pelo menos 5 vezes as mesmas imagens do angolano com o Raul de Castro, a passar revista às tropas...
Não há pachorra para esta falta de imaginação, para tanto amadorismo, palha asinina e verborreia palerma!

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Os explicadores dos pobrezinhos


É certo e sabido, nas televisões, depois de uma comunicação institucional, ainda que linear ou foleira, vem logo um pivot solícito explicar ao público pagode o conteúdo da mensagem. Mas não se ficam por aí: depois aparece um comentador avençado desse canal, normalmente apoucado das meninges, a debitar umas banalidades confrangedoras sobre o assunto.
A celebração da República, ainda que chapa zero quanto a discursos, por parte do Medina e do Belenenses, teve direito, como sempre, a explicações das catequistas do costume. Quero eu dizer, dos papagaios palradores, para elucidar o povoléu inculto e ignorante sobre o que as eminências disseram.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Algumas palavras de ontem, sobre jornalismo e redes sociais


A reflectir:

A tal cobardia anónima é, fatalmente, a primeira tentação irresistível: ofender, insultar, mentir, caluniar, difamar, inventar sobre o outro a coberto do anonimato, podendo tudo dizer sem nada arriscar, deve ser uma verdadeira catarse. A seguir vem o exibicionismo (a par do correspondente voyeurismo, para o qual existem os exibicionistas) e a noção de que se é tão importante quanto se expõe a vida aos outros, por mais idiota que ela seja.
...
A coragem das multidões é facílima, a sua cobardia é inevitável. Nas redes sociais este saudável exercício de ajuste de contas com tudo e mais alguma coisa está ao alcance de um simples teclado de computador...
...
Hoje, assistimos à morte acelerada do jornalismo às mãos daqueles que na sombra descobriram como manipular o sinistro algoritmo capaz de controlar os milhões de brothers das redes sociais.

(os extractos transcritos foram colhidos na crónica de Miguel Sousa Tavares, no Expresso de 16/3/19).

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Do que fui lendo por aí... 25


Do jornalismo, aquilo que podemos dizer de mais óbvio é que piorou muito nos últimos anos. Assim como poderíamos afirmar o mesmo de grande parte dos seus agentes ou profissinais encartados.
O número 4 (Dezembro de 2018) da revista Electra, que tenho vindo a ler, consagra ao jornalismo, como temática principal, um bom número de páginas, com alguns interessantes artigos.
Do texto de António Guerreiro, Rezar pelo jornalismo, vou transcrever 2 excertos:

"O jornalismo editorialista, governado pelos «editocratas» (um neologismo surgido em França há alguns anos e que serviu de título a um livro colectivo), anula a função crítica do jornalismo e funciona segundo a lógica do entretenimento: promove a encenação de polémicas e debates que funcionam em circuito fechado, segundo uma tendência endogâmica, tautológica e mimética que atinge os cumes da exasperação quando há um acontecimento ou um assunto actual que polariza as atenções. Nesses momentos, impera uma lei gregária e o espaço mediático é varrido por uma onda avassaladora que cresce rapidamente, monopoliza todas as atenções, e logo desaparece."
...
"E aqui a lei da concorrência funciona sempre ao contrário: não se trata nunca de procurar caminhos novos e de proceder a novas focalizações, o que é preciso sempre é fazer o que os outros fazem ou, se possível, antecipar o que já se sabe que os outros vão fazer. Esta regra é seguida com especial rigor nas áreas culturais onde o jornalismo se acomodou à lógica das «audiências» e do «consumo cultural» que se confirmam e se alimentam a si próprios. Um círculo vicioso está assim criado, de modo a que tudo funcione para garantir que só se mostra o que já foi visto e só se produz o que já antes foi consumido."


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Mistérios e falsos títulos ou soluções


Cheira a pão quente na rua, inexplicavelmente. À sugestão de flanela húmida, que a chuva deixou no ar. E ao passar junto ao pequeno e despretencioso café-restaurante, contíguo ao quiosque, aonde vou comprar o jornal, vem-me o odor intenso que tanto pode ser da base de um guisado como do estrugido para um arroz de acompanhamento, para o almoço de hoje. Não virei a saber, porém, qual deles se prepara, no interior do estabelecimento...
Nunca gostei muito de mistérios, a não ser para solucioná-los ou para ensaiar hipóteses de explicação.
Daí o meu gosto, desde jovem, por romances policiais, desde que cumprissem as regras clássicas e, ao longo da leitura, eu pudesse ir especulando sobre quem seria o possível assassino, baseando-me nos indícios concretos da narrativa.
Na adolescência, interessei-me largamente e durante muito tempo pelas misteriosas estátuas das Ilhas de Páscoa, que constituem território do Chile. Os gigantescos blocos de pedra, em local onde ela era escassa, eram um fenómeno estranho e de difícil explicação. Datados de meados do século XIII, os meios de transporte naval eram pouco mais que rudimentares, na altura e, assim, pareceria impossível que a pedra tivesse vindo de outros locais, para as Ilhas, por mar. Por terra, dado o isolamento  islenho, também não.
Creio que li, há muito tempo, 2 ou 3 livros sobre o assunto, mas que não avançavam nenhuma credível explicação ou solução para a existência, nesse local, das centenas de estátuas de pedra lá erigidas. O mistério ficou assim por resolver.
Ora, hoje de manhã, no Expresso-online, deparo-me com o pomposo título: Resolvido enigma das estátuas gigantescas da Ilha de Páscoa. Rejubilei! Ia finalmente conhecer a explicação do mistério. Depois, foi a desilusão total. Que "uns arqueólogos norte-americanos", que "junto a fontes de água doce", que na "revista Plos One", que "de terras férteis para culturas agrícolas, como a batata doce"... Sobre como a pedra, de que foram feitas as estátuas, lá fora parar: NADA! A montanha (título) tinha parido um rato (notícia vaga, sem a concreta explicação).
É assim que o jornalismo irresponsável e rasteiro engana e ilude o pagode com títulos bombásticos e apelativos.
Por isso, o mistério continua...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

As palavras de hoje (34)


Apenas um pequeno extracto, mas conviria ler esta crónica de António Guerreiro, na integra, que faz parte da  ípsilon, no jornal Público de hoje. Segue a transcrição:

(...) Quem tomar atenção aos pequenos e grandes sinais, com olhar de analista, descobre facilmente que a escrita jornalística, mesmo nos jornais que gostam de se reclamar como "de referência" (algo hoje tão inexistente como o unicórnio), se inclina cada vez mais - num gesto que se vai naturalizando e tornando-se mimético - perante este ambiente, induzindo uma audiência e afastando progressivamente o público mais exigente. (...)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

As palavras do dia (29)


Do editorial de Stig Abell, no último TLS (nº 5963), a propósito de algumas vicissitudes que têm ensombrado a Inglaterra, destaco, em tradução despreocupada, o seu início, em que é feita uma crítica ao desempenho dos mídia. Assim:

Há um calculismo cruel inerente ao jornalismo: quanto pior é o acontecimento, melhor a história se torna. Boas notícias não são notícia. ...

Ao ler isto, relembrei-me da decepção estampada no rosto de uma jornalista da Sic-Notícias, aquando do incêndio em Pedrógão Grande, quando lhe afirmaram que não tinha caído nenhum avião Canadair, em Ouzenda. E ela insistia, qual menina mimada, caprichosa, teimosamente. Pobrezita!...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O (mau) jornalismo, ainda


Se um raio que cai sobre uma árvore, durante uma tempestade seca,  pode provocar fogos de uma dimensão inimaginável, uma notícia incendiária pode também causar, seguramente, sobre criaturas menos informadas, mais sensíveis ou incultas, um movimento de reacção incontrolável, muitas vezes, de natureza política.
Quando, em 1963, estive pela primeira vez na R. F. A., tomei conhecimento de um jornal, de grande tiragem, intitulado: Bild. Os alemães esclarecidos diziam, com alguma sorridente ironia, que, quando se pegava nesse jornal, pelas pontas superiores das páginas, escorria, quase sempre, muito sangue...  
Hoje, ao contemplarmos com alguma atenção os mídia portugueses teremos de concluir, com alguma preocupação e pessimismo, que uma boa parte dos nossos jornalistas (?) procuram, sobretudo, a exclamação, a tragédia, o sangue, procurando excedê-los pelas descrições exageradas de um vocabulário paupérrimo. E servidos por um gesticular excessivo e expressões faciais de um mau actor de segunda classe.
Mesmo que para isso, e sem cruzar informações (regra básica de um bom profissional), dêem crédito ao mais rasteiro boato, para, empolgadamente, noticiarem desastres. Parece ser esse o seu único objectivo fátuo e festivo. E não a simples, mas correcta, verdade.

Aditamento (à temática: jornalismo)


Para avaliar o tipo de jornalismo indigente que se vem fazendo em Portugal, basta lembrar a inventona, ontem, da "queda de avião Canadair, perto de Ouzenda", que circulou pela quase totalidade dos canais televisivos, durante mais de três horas. Até vir a ser desmentida, categórica e oficialmente, pela autoridade de combate aos fogos, no briefing das 19h00.
Quem disse que, em Portugal, não havia fake news?

terça-feira, 20 de junho de 2017

O grau zero do jornalismo


Há sempre quem, de forma despudorada, se aproveite da tragédia dos outros, para daí tirar dividendos ou benefício. Mostrando, num exibicionismo vergonhoso disfarçado de compaixão, as imagens da desgraça. Já nos bastavam essas moles humanas indiferenciadas e imitativas que, desde a morte de Diana, e cacofonicamente, se apressam, de tempos a tempos, a encher de campos de flores, velinhas votivas e mensagens infantis, ou "je suis charlie", os locais, as ruas e as praças dos massacres e tragédias.
Mas sempre se esperava que, ao menos os jornalistas, soubessem respeitar condignamente o luto dos outros e os corpos insepultos. Pois nem isso aconteceu, agora, com a tragédia de Pedrógão Grande. Até uma senhora - curiosamente, também ela vítima de uma infelicidade pessoal, há poucos anos - da TVI, se pavoneou, escandalosamente, em reportagem, ao lado de um cadáver. Outros jornalistas de televisão imitaram este macabro espectáculo miserável, do ponto de vista humano. Chegamos, efectivamente, ao grau zero do jornalismo.

(Chamo a atenção para a exemplar crónica de António Guerreiro, sobre este assunto, publicada no jornal Público de hoje, e intitulada: As vítimas dos incêndios e da televisão. )


terça-feira, 9 de maio de 2017

BB


O que lhe deve ter custado ter escrito para o CM ultimamente, ele, cuja pergunta sacramental, nas entrevistas, aos interlocutores, era: Onde é que estava no 25 de Abril?... Mas, como dizia Garrett: A necessidade pode muito... E um colega, jornalista também, esclareceu, em depoimento televisivo, que a reforma dele era uma ninharia e que Baptista-Bastos (1934-2017) nunca teve fortuna pessoal, e teve que trabalhar, quase, até à morte, que ocorreu hoje, para ir sobrevivendo. 
No único breve encontro em que falei com ele - erámos 4 - a uma mesa de A Velha Gruta, ao Camões, eram horas de jantar, e eu tive o azar de lhe gabar O Homem em Ponto (1984), conjunto de entrevistas, brilhantes e incisivas, a algumas personagens importantes da cena portuguesa. Ficou fulo... E terá dito qualquer coisa como: "...parece que ninguém se lembra dos meus romances e novelas..." Percebi assim, nessa altura, que esse grande jornalista português prezava, acima de tudo, os seus  trabalhos de ficcionista.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Apontamento 90: A LENTA degradação da imprensa escrita


#Os Cursos EFA são, por isso, um instrumento basilar
para a prossecução dos objectivos definidos pelo XVII Governo
Constitucional para as políticas de educação e formação,
no qual assume particular destaque a generalização
do nível secundário como patamar mínimo de qualificação
da população.#
[citação de um diploma legal para jornalista tolhido pelo calor dos dias]

Após mais um pequeno “encontro espiritual amigável”, depois das férias, em que, entre outros muitos assuntos, se abordam, com alguma frequência, as fraquezas e a impreparação intelectual e falta de ética da imprensa, tanto nacional como europeia, não consigo calar-me perante mais uma destas “peças jornalísticas” menores.

Sob o título de “Os novos analfabetos” circula por aí, e num jornal semanal de responsabilidade, mais uma peça dedicada à educação, em que o referido semanário gosta de “meter o bedelho”, porque não tem mostrado preparação para uma discussão séria da educação e cultura no país.

Nem sequer discuto o desvario de meter, no mesmo propósito, cidadãs, aparentemente analfabetas, de 70 ou 29 anos actualmente, estes últimos com escolaridade obrigatória de nove ou doze anos, instituída após o 25 de Abril.

Recordar a circunstância de haver, sobretudo em meios piscatórios, idosas ainda com vontade de aprender a ler, faculdade matricial do ser humano que lhes foi negada durante décadas, merece apenas o consentimento de alguém que espera que a imprensa cumpra o seu essencial: informar sobre a situação social, cultural e política do país em que se insere.

Quando depois se começa a falar dos “novos analfabetos” – funcionais (?) ou outros (?) – falando de uma criatura de 29 anos, numa “mistura de vergonha e garra” por não saber ler nem escrever, entramos no terreno inclinado de uma imprensa que, cada vez mais, resolve, com o “modo fala barato de feira”, abordar, pretensamente, assuntos sérios da sociedade. Ora, a seriedade não resulta do discurso final, mas da ética e do saber profundo com que alguém se dedica à sua profissão.

De facto, os jornalistas não sabem, de todo, do que estão a falar, nem podiam, alguma vez, imaginar o que uma tal “criatura de 29 anos” – SOFREU – para que lhe ensinassem a ler e escrever, para além das aulas normais, com: aulas de apoio, programas especiais – de que já não me lembro de todos os nomes que se foram inventando para repescar meninos desviados – porque os infelizes eram, de facto, todos aqueles que insistiam, diariamente, em aplicar semelhante sofrimento em nome da Humanidade e do Estado de Direito que decretou a Lei de Bases do Sistema Educativo.

Se tenho simpatia pela senhora de 70 anos, com enorme vontade de aprender, abomino jornalistas impreparados – porque também me passaram pelas mãos sem nenhuma capacidade para formularem sequer uma ideia ou uma frase correcta – e parece-me altura para denunciar uma imprensa de espectáculo, sem critério ou um mínimo de preparação funcional, nem ética.

Post de HMJ

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Vai fazer toda a diferença...


Ainda há dias me lamentava das saudades que me deixaram Joaquim Letria e Maria Elisa ao desaparecerem dos ecrãs da televisão. Mas havia, porém, uma sucessora digna: Ana Lourenço, jornalista da SIC-Notícias (jornal das 22h00), que eu ouvia com especial agrado. Equilibrada, discreta, competente, dominando os assuntos, perguntando com jeito aos entrevistados, conseguindo diálogos interessantes e esclarecedores. Considerava-a a melhor jornalista da televisão portuguesa.
Durante todo o mês de Dezembro estranhei que não aparecesse na SIC, pensei que estivesse de férias. Mas não, demitiu-se, simplesmente - soube hoje. E, embora eu não saiba as razões, tenho muita pena.

Nota: a confirmação veio-me do Blogue duasoutrêscoisas. Creio que, por lá, o sentimento é o mesmo...

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Apontamento 73: "Uma crítica da linguagem"



Falando, como sempre, com conhecimento de causa e propriedade intelectual, cultural e, sobretudo, linguística e literária, António Guerreiro debruça-se, na sua última intervenção cívica, sobre o jornalismo.

O seu texto coincidiu com alguns excertos de – bom e mau – jornalismo que andei a coleccionar ao longo do dia. De forma tranquila, li e guardei, para memória futura, uma parte de um texto de Viriato Soromenho Marques, no DN de hoje, autor que, como sempre, se destaca pela capacidade de se centrar na essência e numa propriedade linguística já fora do comum:

1 – “Mas, rompendo o véu obscuro da novilíngua do Eurogrupo, se a "confiança" (leia-se, submissão) não for demonstrada, o "acordo" (leia-se: ultimato) falhará. Nessa altura, talvez a Grécia seja arrastada para fora da zona euro numa explosão de desordem e violência social. Com isso, a zona euro entrará na lista infame dos crimes contra a humanidade.”

Viriato Soromenho Marques, DN, 17.7.2015

O mau jornalismo, ou seja, aquele em que “a crítica da linguagem” se encontra perfeitamente ausente, revelando uma transmissão “acrítica” de aberrações constitucionais, sociais e pragmáticas:

2 - «As Finanças reforçam que “o novo regime de deduções baseia-se no sistema e-fatura e nas novas tecnologias, o que garante um regime simples e sem burocracia ou papéis, em que as despesas reais de cada família são registadas de forma automática e eletrónica no Portal das Finanças. O regime permite também, pela primeira vez, que os contribuintes consultem as despesas que realizam ao longo do ano e acompanhem em tempo real a evolução da respetiva dedução no IRS, e permite ainda que a administração fiscal possa pré-preencher totalmente a declaração de IRS e, dessa forma, simplificar e facilitar a vida a milhões de famílias portuguesas”».

Ana Sofia Santos, Expresso, 17.7.2015

Ora, para a jornalista do Expresso, à semelhança do Senhor Provedor de Justiça, não existe nenhuma “falha de ordem Constitucional relativamente  a conceitos de igualdade de direitos dos cidadãos”, quando se institui, como obrigatório, um regime de deduções no IRS baseada numa plataforma electrónica.

A excelência de um “regime simples e sem burocracia ou papéis” não será para os “info-excluídos” – voluntários ou obrigatórios – sem nenhuma hipótese alternativa. Aliás, a senhora jornalista nem sequer chega a avaliar questões de essência.

Na sua promoção dos “superiores serviços da AT” nem sequer consegue explicar a “retroactividade de despesas de saúde” que, passados 6 meses, obrigam a juntar uma receita médica para uma compra simples de um BEN-U-RON.

Resta acrescentar, como proposta para o Senhor PM apresentar na próxima reunião de líderes, voltando a brilhar com as suas prestações de excelência, que a Alemanha siga o exemplo português. Sucede que as farmácias na Alemanha nem recibo passam ou entregam !

Post de HMJ

terça-feira, 5 de junho de 2012

Namoro entre Poderes


É um tema interessante, este, que o "N. Obs." tratou recentemente e que, de algum modo, foi desencadeado pela vitória de François Hollande - que vive com Valérie Trierweiler, jornalista do "Paris Match". Não é caso único e cada vez se torna mais frequente o acasalamento entre políticos e jornalistas. Mas, caso curioso, o enlace tem sido sempre entre jornalista-mulher e político-homem: Strauss-Kahn/ Anne Sinclair, Alain Juppé/ Isabelle Boudin, G. Schröder/ Doris Köpf. E, entre nós: Fernando Seara/ Judite de Sousa, José Sócrates/ Fernanda Câncio...
Atracção entre Poderes que, muitas vezes, pode resultar em conflito de interesses e aproveitamentos pouco claros, se os intervenientes não tiverem exigência e preocupações éticas. Porque, se não, faz todo o sentido a frase dúbia do jornalista Pierre Salviac: "A toutes mes consoeurs, baisez utile, vous avez une chance de vous retrouver première dame de France".