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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Apontamento 106: A cor e a qualidade do jornalismo



Ontem, acompanhei, um pouco, a “jornada épica” do debate televisivo entre A. Merkel e M. Schulz, candidatos, respectivamente, da CDU (da direita) e do SPD (da Internacional Socialista) a um lugar de chanceler da Alemanha, nos próximos anos.

Procurando informar-me sobre o desenvolver da campanha eleitoral da Alemanha, com a devida distância, e a reflexão “intramuros”  sobre as autárquicas,  o estado da política e a consciência dos eleitores, não posso deixar de sublinhar que um debate, entre candidatos, de 90 MINUTOS, é um “assassinato por entusiasmo” !

Primeiro, porque os eleitores já não têm uma capacidade tão prolongada de concentração. Segundo, porque os jornalistas não pretendem, objectivamente, colocar-se ao serviço do bem comum da informação, o que impede que as pessoas estejam atentas com o objectivo de serem esclarecidas. A agenda dos jornalistas já não coincide com a essência da sua razão de ser, a saber, o seu mister de informar, esclarecer e contribuir para o bem comum. Foi, aliás, o que se viu, mais uma vez, ontem.

Sucede, no entanto, que os nossos jornalistas ainda são mais alinhados nesta “agenda” oculta da política. Enquanto nos vários jornais da Alemanha ainda se discutia quem tinha sido o vencedor da noite: MERKEL OU SCHULZ, por cá os jornais principais já tinham a “caixa” preparada. MERKEL GANHOU.

Ora, como a SENHORA MERKEL poderá ser a próxima “chefe ideológica” máxima do jornal para que trabalham os nossos jornalistas, convém posicionar-se cedo. 

Felizmente, e por enquanto, ainda entendo outra língua e outros jornais de referência. 

Post de HMJ

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Glosa (6)


Domingo. No tempo em que eu ia à missa, e já começara a pensar, embora impreparadamente, apreciava bastante aqueles oficiantes (raros, aliás) que, depois da leitura do Evangelho, glosavam de forma inteligente e clara aquilo que tinham acabado de ler para os paroquianos, através de uma interpretação pessoal comentada. A grande maioria dos padres, no entanto, limitava-se a reproduzir a história do Evangelho, de forma canhestra, vacilante, como que num eco desfasado e paupérrimo de palavras banais. O que me dava um grande tédio, quando não, bocejo e sono...
Há dias, e durante cerca de 25 minutos, na SIC-notícias, a propósito do recente terramoto de Taiwan, uma inepta e verborreica jornalista tentava, por palavras, comentar as parcas e repetitivas imagens que iam aparecendo no ecrã sobre a tragédia. O que ela dizia não ultrapassava, em nada, o que íamos vendo, porque decerto não sabia chinês, nem lho traduziam para ela poder acrescentar um pouco mais de explicação a essas imagens que, continuamente, iam passando no ecrã. Repetiu, assim, as mesmas banalidades umas quatro ou cinco vezes, num péssimo trabalho jornalístico.
Mas não é caso único. Já me habituei, também, a que depois de um corriqueiro discurso político (do PR, por exemplo) o(a) inefável jornalista de serviço, imediatamente e durante quase outro tanto tempo, comece logo a debitar em sotto voce, como que a explicar aos palermas dos telespectadores, as sábias palavras da mensagem política ouvida. Tudo isto me provoca um inenarrável tédio e uma cansada irritação.
Para não falar da multidão de comentadores minorcas que pululam por aí e que glosam dias e dias, interminavelmente, aquilo que vai acontecendo (política, futebol...) numa linguagem de pau seco e num eco de plágio sistemático que, mesmo muito espremido, não traz sequer uma ideia nova ou uma única achega original. Será que isto nunca mais muda? Será que esta gente não tem um mínimo de sentido crítico?