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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Debates

 


Ontem, resolvi dar uma hipótese a cada um dos onze magníficos e putativos candidatos a PR. Quando os vi, na RTP 1, apercebi-me que um deles devia ser discípulo ou seguidor do Manguel, pois usava chapéu em recinto coberto - como não manda a boa educação. Afinal a criatura Vieira é apenas do mesmo signo astrológico do pastor actual do falecido Borges... O que talvez explique a anomalia exótica.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Citações CDXXI


Os melhores escritores não usam de artifícios; em todo o caso, os seus artifícios são misteriosos.

Jorge Luis Borges (1899-1986), em entrevista (1962).

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Do que fui lendo por aí... 30


Em 2018, Alberto Manguel (1948) foi agraciado com o Prémio Gutenberg. Recentemente saído, o Gutenberg-Jahrbuch de 2019 transcreve o discurso de aceitação do escritor argentino em que ele refere, naturalmente, Jorge Luis Borges, mas também Franz Kafka e a Bíblia. Despertaram-me a atenção algumas considerações que Manguel tece a propósito de leituras, de que vou transcrever um pequeno extracto que me pareceu curioso e mais significativo. Segue:

O ofício da leitura é misterioso. Ninguém sabe (certamente nem os próprios leitores) como é que as palavras da página, captadas pelo olhar, se transformam em experiência, reflexão, memória e, algumas vezes, até em novas criações. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Do que fui lendo por aí...


García Márquez é considerado universalmente como o pai, e Borges como o avô, do «realismo mágico» - uma moda que incorpora elementos fantásticos por entre cenários fastidiosamente detalhados, concedendo a ambos exactamente o mesmo tipo de atenção.

Edmund Gordon, in Harsh lights and hard edges (TLS nº 5923).

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Citações CCLXXV


Arte é a iminência de uma revelação que não se produz.

Jorge Luis Borges (1899-1986) citado por Alberto Manguel.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Das fábulas


Dos animais fabulosos, sempre distingui o Unicórnio como o meu preferido. Segundo J. L. Borges, a primeira referência a ele, terá sido feita na Grécia, muito embora a sua lenda possa ter tido origem na Índia e, através da Pérsia, tenha passado à Europa. Santo Isidoro de Sevilha também o menciona, bem como alguns bestiários da Idade Média. Do renascentista Leonardo da Vinci até ao psiquiatra suiço Carl Jung, o Unicórnio foi fazendo carreira e mexendo com a imaginação humana.
Eu sempre achei que ele tinha alguma coisa a ver com o Nerval (ou Narval), em parentesco, embora muito mais elegante, na sua conformação equestre e não marinha. Mas o Narval existe mesmo...


sábado, 31 de outubro de 2015

A colheita da manhã


Há muito que eu não via (pelo menos desde o tempo da saudosa Livraria Barateira) um estendal tão numeroso de livros policiais, usados, à venda. Principalmente, das colecções XIS e Vampiro. Foi na feira dos Sábados, na rua Anchieta. Uma banca enorme e coalhada de policiais, a bom preço. Acerquei-me, saquei da minha lista de faltas e comecei a confrontar títulos, autores e números: vieram 10. António Nobre e Borges vieram, também, para completar a dúzia. 


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Deus, na perspectiva de Borges


Se a palavra Deus significa um ser que existe fora do tempo, não tenho a certeza que acredite nele. Mas se ele significa alguma coisa, em nós, que está do lado da justiça, então sim, acredito, apesar de todos os crimes, e que o mundo obedece a um desenho moral.

Jorge Luis Borges (1899-1986).

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

J. L. Borges


Como já o disse por aqui, Jorge Luis Borges (1899-1986) não é dos meus escritores preferidos. Nem como prosador, ainda menos como poeta. Mas atribuo-lhe, sem dúvidas e com justiça, uma notabilíssima erudição, considerando-o um óptimo conversador.
Este vídeo com a duração de pouco mais de 16 minutos - eu sei -, apesar do fim-de-semana e das eventuais férias, não é para todos, nem sei se será para muitos alguns. Que este tempo é  mais de saltitos e impaciência.
Que as palavras de Borges aproveitem a quem as mereça!

P. S. : não posso deixar de sublinhar e lembrar as palavras de Alberto Manguel - que o conheceu pessoalmente, e bem - sobre as pretensas hesitações gaguejantes de Borges, ao falar. Que seriam intencionais, talvez para obrigar o seu potencial ouvinte a dedicar uma maior atenção às suas palavras...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Cegueiras


Por três vezes, hoje, a cegueira se cruzou comigo.
Para quem, como eu, utiliza com alguma regularidade o metropolitano, faz sentido eu dizer que, a maioria dos desprotegidos residentes (embora móveis através das carruagens) são ou músicos, ou cegos. E as nacionalidades serão duas: a portuguesa, quanto aos cegos, a romena, quanto aos músicos. Ambos se manifestam pelo som. Não deixa de ser desagradável o batimento seco da bengala, no chão das carruagens, de um dos cegos nacionais. E, no meu entender, ele acentua a batida (como hoje) quando está mais mal disposto - fantasia minha, talvez...
À tarde, chegou-me à mão um postal amigo reproduzindo um quadro, onde a personagem principal é Dom Pérignon. Cego, ele, também, e ao que consta.
Finalmente, à noite, estive a ouvir uma magnífica conferência (1977) de Jorge Luis Borges, em que ele fala da sua própria cegueira e aborda as cores da sua vida. Destaca o seu gosto pelo amarelo que ele recorda como primordial, desde que o viu, pela primeira vez, nos tigres do jardim zoológico. Contrastando com o negro. Da cegueira?

domingo, 23 de março de 2014

J. L. Borges


Confesso, previamente, que não sou grande apreciador da obra de Jorge Luis Borges (1899-1986), e já aqui o referi, antes. Reconheço-lhe, no entanto, e faço-o por uma questão de justiça, a enorme erudição cultural, um amplo conhecimento de línguas e uma prodigiosa imaginação efabuladora - não é coisa pouca, convenhamos.
O último "Obs." dedica duas páginas ao escritor argentino, onde encontrei duas observações que ele terá feito, e que eu achei interessantes. Quando sentiu que estava para morrer, ter-se-ia questionado: em que língua iria morrer... A outra, é uma citação exacta, que aqui fica: "A raiz da linguagem é irracional e de carácter mágico."

Nota pessoal: já no final deste poste, e ao colocar a caricatura de Borges, feita por E. Fernández, achei que quase poderia ser de António Lobo Antunes. E depois lembrei-me que são ambos do signo astrológico da Virgem...Coincidências.

sábado, 29 de setembro de 2012

Sobre o Porto


Se aqui há um mês mo tivessem perguntado, eu diria: - Sim, sim, já li tudo o que Eugénio escreveu. E acrescentaria, talvez: - Excepto "Narciso", que ele renegou, e que publicou muito jovem, ainda.
Mas estava enganado. Por desfastio comprei, num alfarrabista, o volume "À Sombra da Memória" (1993), que reúne textos em prosa de Eugénio de Andrade. Evocações, palavras de agradecimento aquando de homenagens, reflexões sobre poesia. Cerca de metade dos textos não os conhecia eu. E li-os deliciado. Prosa enxuta, simples, da melhor que se escreveu no séc. XX português. Ora, atente-se no início de "A Cidade e a Poesia", em que ele fala do Porto:
"As cidades são como as pessoas, têm os seus segredos, e às vezes guardam-nos bem guardados. Há quem goste muito do Porto e há quem o deteste. Queria falar desta cidade «tão masculina» sem nenhum peso de erudição, que é coisa tão inimiga da poesia, que só Borges, que eu saiba, lhe conseguiu arrancar alguns versos dignos da sua prosa. Também não me parece leal contrapor-lhe outras cidades, e menos ainda Veneza. Toda a gente sabe que se Veneza não cheirasse a água podre seria incomparável, mas cheiro por cheiro antes o de Marraquexe. Marraquexe cheira a cavalos, que é cheiro de homens. Há quem goste do Porto, dizia eu; Marguerite Yourcenar - ninguém sabe, porque foi a mim que o disse - andou por aqui fascinada com a Ribeira e as encostas da Sé. Isto de gostar não tem explicação fácil. O mais simples é, se nos pedem razões, dizê-lo com as palavras de Montaigne: Parce que c'était lui, parce que c'était moi. Mas não só o amor tem estranhos mecanismos, os do ódio não lhe ficam atrás. ..."

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

J. L. Borges via G. Greene


Será um crime de lesa-majestade, mas nunca fui grande apreciador de Jorge Luis Borges (1899-1986). A prosa tem algo de funâmbulo erudito, discretamente exibicionista, e a poesia dele sempre a achei excessivamente literal, rasteira e prosaica. São gostos...
Mas há duas pequenas situações, referidas por Graham Greene (1904-1991), que o conheceu pessoalmente, e que o escritor inglês integrou numa pequena palestra feita na Anglo American Society, em 1984, sobre o artista argentino, que merecem ser lembradas (são transcritas da versão brasileira, daí porventura a discrepância ortográfica). A primeira é uma espécie de programa de intenções que Borges entende como razão maior e motivo da sua obra: "Não escrevo para uma minoria seleta, que nada significa para mim, nem para aquela adulada entidade platônica conhecida como «As Massas». (...) Escrevo para mim e para os meus amigos, e escrevo para facilitar a passagem do tempo." O segundo episódio é mais doméstico. Segue: "...Certa vez, durante o segundo período de Perón, ele (J. L. Borges) vivia com a velha mãe, e receberam um telefonema misterioso. Uma voz de homem disse: «Vamos matar você e sua mãe.» A mãe de Borges respondeu: «Eu tenho noventa anos, portanto é melhor vocês se apressarem. Quanto ao meu filho, será fácil para vocês, pois ele é cego.»" e G. Greene termina dizendo: "Isso, creio eu, dá uma imagem do que era a sua família."  

quinta-feira, 10 de março de 2011

Borges sobre Shakespeare


"Não sei porquê, mas detecto sempre qualquer coisa de italiano, qualquer coisa de judeu em Shakespeare, e talvez os ingleses o admirem por isso, por ser tão diferente deles."

Jorge Luis Borges (1899-1986).