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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Achegas para um retrato



"Detesto telefones. Não sei escrever à máquina. Tal como o alfaiate do meu novo romance, exerço o meu ofício à mão. Vivo numa falésia da Cornualha e detesto cidades. Três dias e três noites são praticamente o meu máximo. Não me dou com muita gente. Escrevo, passeio, nado e bebo."

John le Carré (1931-2020), in Um Espião em Privado (pg. 19).

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Últimas aquisições (64)



É um calhamaço respeitável, com 776 páginas, das quais 685 pertencem ao texto base de leitura. Correspondência de um escritor que prezo e de que raramente prescindo. A obra saiu em Novembro de 2025.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Citações DXXIV

 

Por vezes, quando envelhecemos, a nossa infância é o único momento que pensamos ver com nitidez.

John le Carré (1931-2020), em carta para o irmão Tony.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

John Le Carré (1931-2020)


Uma das consequências da idade, quando se prolonga, é o fatal afunilamento e desaparição daquilo que fomos apreciando durante a nossa vida. Fossem livrarias, restaurantes e, sobretudo, pessoas. Que, de um ou outro modo, nos acompanhavam de uma forma próxima, simpática e significativa. No meu caso, o escritor John Le Carré (pseudónimo de David John Moore Cornwell ) era uma dessas sombras tutelares.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

As novas pitonisas


Houve tempo em que algumas editoras, tal como grande parte dos bancos, mereciam a nossa total credibilidade e confiança em matéria de honesta qualidade. A Gallimard, a Portugália, a Surkamp, a Penguin , entre tantas outras, eram à prova de bala, quanto à excelência do que publicavam, também porque tinham uma exigência ética de prestígio a honrar e perpetuar. E, nobremente, faziam gala disso.
Os tempos, no entanto, mudaram. E a Penguin, agora apenas gulosa de mercado, foi engolindo outras pequenas e ronceiras editoras, para melhor impor as suas publicações, de forma mercenária e acrítica.
Eu até sou fã e entusiasta dos romances de John Le Carré. Não de todos, evidentemente, porque, contra ventos e marés, não prescindo do meu sentido crítico nem de leituras isentas de apriorismos.
A novel Penguin, excessiva e exibicionista, comprou a publicidade das páginas 2 e 3 do último TLS (nº 6026), para propagandear bombasticamente, por palavras de Robert Harris (?) que Le Carré será "um daqueles escritores que será lido (até) daqui a um século". A editora inglesa, pelos vistos, entrou agora no rol dos adivinhadores, subscrevendo presságios, na boa companhia de Nostradamus, do Sapateiro de Trancoso, do professor Fofana e de outros bruxos. Francamente, não lhe gabo o gosto nem a vocação...

domingo, 5 de agosto de 2018

Razões biográficas, com pseudónimo

É preciso ter paciência e abandonarmos o frenesi virtual da ligeireza. São cerca de 20 minutos de entrevista a John Le Carré (1931). Eu creio que vale a pena ouvi-lo.

Acasos, oportunidades, gostos


Por mero acaso, ontem, tive a oportunidade, e felicidade, de ouvir, em sequência intervalada, entrevistas a 3 escritores, qualquer delas interessante, tendo em conta a bagagem de experiência pessoal, a obra e inteligência dos autores, mas também a qualidade dos entrevistadores, que acaba por ser, nestes casos, decisiva e fundamental. Foram eles, por ordem cronológica: John Le Carré, Salman Rushdie e, finalmente, Jacinto Lucas Pires.
Tenho de confessar que a entrevista que mais me agradou foi a de John Le Carré, talvez porque seja o escritor cuja obra conheço melhor, mas também porque gosto muito de o ler. Não digo adorar, porque é um verbo que não entra no meu léxico deste tipo de coisas, nem sentimento que costume experimentar.
Pus-me a divagar depois. E, se é certo, que se reflectir um pouco, eu sou capaz de explicar, em palavras simples, a razão por que aprecio Camilo e Eça, Maugham e E. M. Cioran, teria uma enorme diculdade em justificar e argumentar o meu gosto pelas obras de Simenon ou de John Le Carré. Socorro-me de Pascal, que dizia: O coração tem razões que a razão desconhece.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Uma vida em cena


Se Mémoires (1985), de Alec Guinness (1914-2000), é reordenado por grandes temáticas, que definem os capítulos (Chère Martita, Vers le Rivage...), o diário My Name Escapes Me (1996), com prefácio de John Le Carré, é menos ambicioso, dando conta, dia a dia, de deslocações e viagens, de jantares amigáveis, de questões de saúde em que, apesar de tudo, o registo nunca perde um tom de optimismo mitigado e de humor sibilino, ou de ironia, que vai fazendo companhia à imparável velhice.
E se o último capítulo de Mémoires, é todo ele inconclusivo, pela tentiva de Alec Guinness tentar descobrir, em vão, a identidade do seu anónimo pai, o diário, de 1996, conclui-se na data em que o seu único filho, Matthew, completa 50 anos. Para trás, ficam esboços de retratos, humaníssimos ou pitorescos, de Gielgud, Edith Sitwell, Ralph Richardson, Peter Glenville, Hemingway e outros, numa galeria de afectos e de cordialidade de que, talvez, só Alec Guinness, apesar de actor, fosse capaz.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Tempo frio


Tempos de recolhimento, estes em que o frio intenso empurra para o ameno morno das casas, a quem não tem de sair, já não trabalha ou chegou à idade em que dispensa os cortejos carnavalescos.
Sob a sombra tutelar de Alec Guinness (1914-2000) me correu o dia de hoje. Um bom amigo tinha-me emprestado as Mémoires do actor britânico, assim como O Peregrino Secreto, de John Le Carré, que este dedica: "Para Alec Guiness com afecto e gratidão".
E como não há duas sem três, acabei por ver, no Youtube, um filme brando de Ronald Neame (1911-2010), intitulado The Card (1952), com um bom desempenho de Alec Guiness e uma inesperada e jovem Petula Clark. Tempo que dei por muito bem empregado... Embora o frio continue. Lá por fora.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Considerandos e consolação


Todos os anos, por esta altura, o TLS dedica algumas páginas a depoimentos de críticos, escritores, ensaístas e tradutores, de reconhecido mérito, para que se pronunciem sobre os melhores livros que saíram ou que eles leram durante o ano, e que consideram de maior interesse ou qualidade. Cumprindo a tradição, o penúltimo TLS (nº 5981) recolheu testemunhos de 63 personalidades muito diversas, ligadas às Letras.
E todos os anos, com alguma curiosidade, eu procuro descobrir minuciosamente se há algum nome português. É raro. E este ano não foge à regra. Indirectamente, no entanto, é referido um livro que também aborda o colonialismo português (Europe after Empire: Descolonization, society; and culture), entre outros (inglês, francês, belga e holandês) colonialismos.
O livro mais referido, pelos depoentes, é A Legacy of Spies, de John Le Carré, que eu li em tradução portuguesa e não me entusiasmou por aí além. Por outro lado, há inúmeras referências a livros do passado e autores já falecidos, como se houvesse uma fuga para trás, por desilusão com o que se publicou recentemente. Joseph Conrad, Evelyn Waugh, e até o Memorial de Santa Elena, de Las Casas, passando por Machado de Assis e Antonio Machado, merecem pareceres elogiosos, no TLS.
E, no meio disto tudo, para colmatar a lacuna portuguesa, eis que me aparece a imagem de uma obra de Joana de Vasconcelos, numa das últimas páginas do TLS!? Rejubilei. Embora fosse apenas para iconografar uma recensão a um livro que aborda o problema da religião, na Irlanda. Mesmo assim...

domingo, 22 de outubro de 2017

Mercearias Finas 126


Fiquei na dúvida mas, na mesa à minha esquerda, de perfil, pareceu-me ver John Le Carré percutindo afanosamente um Apple diminuto e elegante, enquanto debicava uma salada vegan bem colorida e bebendo água de Évian. Acoplado ao Hilton de Bayswater, o Aubaine serve clientes do hotel e alguns passantes que se tentem pela sua cozinha de feição gaulesa e pela carta de vinhos não muito extensa, mas bem seleccionada, ao que me pareceu. Os preços são acessíveis.
No conduto, optámos pelo Steak and Frittes, e para libação Le Montalus, branco de 2016, com 12,5º, meio seco e saboroso. Das Côtes de Thau, com duas castas que eu desconhecia: Colombard e Terret. Fizeram muito boa companhia à carne tenra dos bifes bem passados, que vinham com uns raminhos muito frescos e verdes de agriões...


E enquanto HMJ tinha por horizonte, em frente, o Kensington Park, com que ia alegrando a vista, eu ia observando a azafama interior do serviço, ao fundo. Em que pontificava um jovem chefe de mesas, ágil e dinâmico que, embora pudesse ser mourisco pelo sotaque e pela tez acobreada, também me fazia lembrar o Andy Garcia do "Padrinho III", do Coppola.
Ressalvo, em tempo, que o Aubaine, como restaurante, não tinha nada de mafioso...

sábado, 7 de outubro de 2017

Miscelânea descentrada


Levei cerca de uma hora a ler um hebdomadário e um diário, saídos hoje, ainda frescos.

Haverá alguém que imagine o Prémio Nobel a ser atribuído a John Le Carré? Creio que não.

Premeia-se por contraste, para tomar posição. Veja-se o da Paz, ou a deslocação do Sabadell...

Sempre Verão, também cansa. Porque conheço algumas pessoas que aspiram a ver a chuva, de casa.

Os 2 jornais, que li, recomendam quase só vinhos de 9 a 30 e tal euros. Para quem?

Recordo que, nas Cooperativas do Douro, as uvas se estavam a pagar a menos de 1 euro, o quilo.

No "Expresso", há dois encartes, grossos, sobre Angola. Vingança do chinês, ou subserviência lusa?

Vou reler o último livro de Gastão Cruz (Existência) para arejar a vista e mudar de alma.

Que, como dizia um poeta inglês: a esperança terá de ir para outras coisas.

Até porque Londres e o seu hipotético nevoeiro não me vão, seguramente, mudar a vida.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A sequência e o tom


Mais almanaque do que folhetim, evito, no Arpose, as rupturas excessivas na sequência de postes, apesar disso. Por vezes, consigo até mini-temáticas de assuntos convergentes que se sucedem com alguma lógica.
Mas acabam por ser frequentes as encruzilhadas, os novos caminhos, as mudanças de tom ou teor da escrita. Entre o mar de Aveiro (foto de Dieuzaide), ontem no Blogue, o meu sono e sonho da noite ( Linha de Estoril e Cascais) e a piscina aquecida, matinal e outrabandista, havia um ponto comum: a Água. Imperceptível para as visitas, sem esta minha subjectiva explicação. Mas não é disso que quero falar, agora.
Saiu recentemente, na Penguin, o último livro de John Le Carré (1931), A Legacy of Spies, que, creio, virá a ser traduzido e editado em Portugal, ainda este ano. Que prossegue, alguns anos depois, a sequência que tem George Smiley como personagem principal. A recensão de Robert Potts, no TLS (nº 5971), intitulada The spies who came back rather old, não é muito lisongeira para com o romance. Se não questiona o tom nem a qualidade da escrita desta obra de Le Carré, aponta diversas incongruências cronológicas do enredo, se referenciadas às ficções anteriores da saga de Smiley. Seria altura de, com benevolência, lembrar Simenon falando dos seus livros: Sou verdadeiro, mas não sou exacto.
Donde eu poderia concluir que, frequentemente, é mais fácil manter o tom do que a sequência condizente...

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Recomendado : sessenta e seis


Por vezes, é difícil apercebermo-nos, no decurso da amena leitura, se é de memória-ficção que se trata, ou de memória-realidade o que vamos lendo, porque o ritmo dos acontecimentos deste volume de John Le Carré (1931) é, quase sempre, acelerado e fascinante.
Depois há retratos breves, mas impressivos, de Richard Burton e Alec Guiness ( uma espécie de alma gémea de John Le Carré, já o sabíamos...), de Kubrick e de Fritz Lang, quase cego e em plena decadência profissional. Só por isso, valeria a pena comprar e ler este livro.
Remato com uma citação interessante: Graham Greene diz-nos que a infância é o saldo credor de um escritor. Por essa medida, pelo menos, eu nasci milionário. (pg. 319)
Recomendado.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Revivalismo Ligeiro CXXIX


Acontece que, por escassez televisiva de qualidade fílmica, tenho vindo a ver, no Youtube, a interessante série Smiley's People (1982), da BBC, baseada na obra homónima de John Le Carré. A temática e o ambiente, por associação, além da magnífica interpretação de Alec Guinness, levaram-me a folhear a tradução portuguesa de O Terceiro Homem (nº 6 da celebrada colecção Miniatura, da Livros do Brasil), de Graham Greene. Daí foi um passo até me lembrar do sucesso que o tema musical (criado e interpretado pelo austríaco Anton Karas) da película teve, em anos já  recuados do século XX. A utilização da cítara, pelo seu tom exótico, terá também contribuído decerto para a sua divulgação muito popular. Aqui deixo essa música original, em evocação saudosa.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Em sequência musical adequada


Em relação com o poste sobre John Le Carré, a música de Sol Kaplan (1919-1990), que acompanhava o filme "The Spy who came in from the Cold" (O Espião que veio do frio), realizado, em 1965, por Martin Ritt, e baseado no romance homónimo do Escritor inglês.

Recomendado : quarenta e três - John Le Carré


A propósito da recente saída do último livro de John Le Carré (1931), o "Obs" (nº 2554, de 17/10/13) fez-lhe um oportuna entrevista, na sua casa da Cornualha.
O Escritor aborda, com objectividade e crueza, a política e situação mundial, traçando retratos realistas e impiedosos de alguns políticos (Blair, Bush, Arafat...), mas não só, embora a literatura não seja o prato de resistência.
Altamente recomendável, esta entrevista de 7 páginas, para quem leia o francês e goste da obra de John Le Carré. Não dará, com certeza, o tempo por mal empregue.

domingo, 29 de julho de 2012

John Le Carré


Creio que um livro bem escrito resiste, quase sempre, a uma tradução, desde que honesta, mesmo que não seja mimética, nem muito genial.
Acho que nunca tinha lido este livro (O espião que saiu do frio, Minerva, 1973) de John Le Carré (1931). Mas vi o filme, de 1965, com Richard Burton e Claire Bloom, e gostei muito.
A obra, The spy who came in from the cold, que Graham Greene elogiou, entusiasticamente, teve o prémio Somerset Maugham e é um belíssimo livro da temática de espionagem, no tempo da Guerra Fria. John Le Carré que, por breve espaço, foi também espião, sabia do que falava. A atmosfera que consegue criar e transmitir, a descrição que faz destes homens sem alma, secos e estruturados na sua própria solidão, faz desta obra, de grande qualidade literária, um belo romance.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sob o signo da Índia


De manhã cruzei-me, por 2 vezes, com Sikhs e os seus típicos turbantes, barbas e bigodes cerrados e crescidos, monoteistas, originários do Punjab e, ao que parece, afáveis. Apercebi-me depois que estavam a pintar uma casa, ali para as bandas do Chiado. Mais tarde, numa livraria de Campo de Ourique que estava em saldos (leve 3, pague 2) de livros brasileiros, para extinção de fundos, adquiri dois volumes de Graham Greene e um de John Le Carré, em tradução. Num deles, "Reflexões", Graham Greene fala de viagens e vários locais do Mundo. A Goa ( Goa, a Incomparável) dedica 7 páginas bem interessantes. A sua visita terá decorrido, provavelmente, em 1963, pouco depois da saída dos portugueses e da integração na União Indiana, dos territórios de Goa, Damão e Diu. Graham Greene refere que os indianos de Goa não falam mal dos portugueses, e têm boas recordações do último governador luso (Vassalo e Silva). Mas demos a palavra ao romancista, num pequeno excerto sobre Goa: "...Parecia um sombrio lugar apocalíptico, a Velha Goa, com o corpo encolhido de São Francisco Xavier na grande igreja do Bom Jesus, construída em 1594, o dedo do pé que uma senhora cortou com uma mordida preservada num relicário, e o crucifixo de prata em seu túmulo retorcido por um ladrão católico, uma semana antes. Num armário da mesma igreja estavam as caveiras dos mártires, e outras partes dúbias preservadas em vidros com essências, que me lembravam os que são vistos nas vitrinas dos especialistas chineses em Kuala Lumpur, anunciando tratamentos para hemorróidas. (...) Nas paredes e nas casas há sinais para evitar o mau-olhado; uma caveira é pendurada numa mangueira carregada, para prevenir qualquer olhar de inveja; nas pilastras dos portões há leões para preservar a casa do mal - são sinais católicos e hindus - quem se importa? (...) Portugal contribuiu para a formação do caráter especial de Goa e esse caráter pode sobreviver a Portugal por um ou dois anos. ..."