Embora correndo o risco de me
repetir, sublinho que não acredito na inocência da criação literária, mas
também não encontrei isenção nos campos da ciência ou até do desporto, tão em
voga nos nossos dias.
Felizmente, pertenço ainda à
geração dos praticantes de desporto, de diversas modalidades, nos vários graus
de ensino, muito antes de entrarmos nesta “nova religião da actividade física”,
com imposições de moda, formas de estar e pensar.
Assim, livrei-me deste novo “ente”
todo-poderoso desportivo, e também não me obrigaram a jogar futebol, como não
impuseram aos meus colegas masculinos a prática de “ballet”.
Dito isto, entendo que atrás de
uma ideia salutar do desporto se instalou todo uma indústria, formas de vida unívocas,
espiritual e material, que não aprovo nem pretendo alimentar.
E, no meio deste pântano, também
se perverteu o ideal dos Jogos Olímpicos, tão em voga actualmente. No entanto,
quem ler, com atenção alguns artigos, publicados no DIE ZEIT, sobre a matéria,
concluirá que a pureza dos Jogos Olímpicos se desvaneceu há muito.
Bastou-nos, aqueles que como eu
tiveram a tarefa de transcrever os escritos de Carl Diem – em epígrafe – o contacto com um dos obreiros do Comité Olímpico para perdermos a ilusão quanto à pureza do ideal dos Jogos Olímpicos, no passado, e,
com maior razão, no presente.
Post de HMJ