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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jogar o reino


As notícias são surpreendentes, logo pela manhã. A senhora de paupérrimas feições, grande amiga do nosso PR, convida os deputados do seu partido à insurreição, incitando-os, aguerridamente, a votarem contra o orçamento - inesperado, pelo menos. Entretanto, diz quem sabe, cerca de 600 farmácias vão fechar, a breve prazo. Negócio que era tão rentável, a notícia enche-nos de fundados receios. Será que a população se voltou para as mezinhas tradicionais e anda pelos campos à procura de ervas grátis e curativas para as suas mazelas e doenças? De qualquer forma, são sinais evidentes da crise e do desnorte.
Mas eu queria falar de coisas mais inocentes, porque, ontem, ao subir as escadas de uma casa amiga, à direita, numa taça vi uns objectos coloridos e simpáticos que, no Sul, dão pelo nome de berlindes. No Norte, jogava-se o reino. E os berlindes chamavam-se bolas de reino. Em longínqua infância, quando cimentaram o passeio da nossa rua, o meu amigo Fernando e eu desenhámos um círculo imperfeito, antes que o cimento secasse. E calcámos, no meio da circunferência, o nosso maior berlinde para, no futuro, à beira das nossas casas, podermos jogar o reino, em campo "privativo" e já marcado. Julgo que ainda lá está.
Eram jogos inocentes e baratos, estes, como jogar ao reino e jogar às "sameiras", ou caricas. Sameiro era o nome de uma laranjada muito em voga, no Norte, e as cápsulas com que brincávamos, herdaram-lhe o apelido. Em cima de pequenos muros ou, na praia, em longos montículos de areia, eram os nossos jogos de Verão preferidos. E baratos.
Hoje, andam a jogar o nosso reino. E sai-nos bem caro este jogo de altas esferas...

para os amigos anfitriões de ontem à noite.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um inocente Jogo de Natal



Os jogos simples, de interior, têm vindo a perder terreno pela concorrência que os jogos de computador, mais sofisticados e, aparentemente, com mais acção (apenas virtual, no entanto), lhe têm feito. Alguns, perderam-se-lhe as regras, outros, mais afortunados, chegaram a ter um tratado e poder-se-á reaprender por ele. É o caso do Tratado do Jogo do Voltarete, de 1834. O Voltarete foi um jogo muito popular, no séc. XIX, quer em Portugal, quer no Brasil; Machado de Assis fala dele, num dos seus livros.
Não sei se ainda se praticará o Jogo do Rapa, pelo Natal. Jogava-se a pinhões, na época natalícia. E com um pequeno peão de madeira, quadrilátero, com os dizeres: R(apa), T(ira), D(eixa) e P(õe). Fazia-se a aposta do número de pinhões para a mesa, rodava-se o pequeno pião entre os dedos polegar, indicador e médio, deixava-se rodar até que revelasse o lado de cima que marcaria o resultado. Quando ficava virada para cima a face do R(apa), era um contentamento, porque ganhávamos todos os pinhões da aposta dos outros jogadores.