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quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Citações CDLI



Todo este mundo é aparente; e, na verdade, todo este mundo é real.

Joaquim Braga (1925-?), in Aforismos e Ensaios Filosóficos (2002).

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Retratos (24)



Esguio, muito seco de carnes, pele muito branca, o que nele mais surpreendia era o aperto de mão musculado e forte vindo de uma tão aparente fragilidade corporal. 
Naquela vilória desengraçada e repetida, encontrá-lo era um oásis de frescura, no meio das minhas deambulações profissionais desinteressantes. E o prólogo apetecido de dez dedos de conversa estimulante. Bancário reformado, viúvo, pertencera à tertúlia lisboeta de José Marinho, era um ledor compulsivo e os seus diálogos tinham quase sempre um pendor filosofante.
Ele no início dos seus 80, eu a entrar nos sessenta, apesar da diferença de idades, fizémo-nos amigos leais, porque nos entendíamos facilmente. Trocámos muitas ideias e livros, mas há mais de 5 anos que o não vejo. O mais provável é já ter falecido, seguindo talvez o seu amigo Luís Amaro que lhe morava perto e de quem me falava muitas vezes.
O que eu não posso esquecer é que referindo-lhe eu, esmorecido, as leituras de Cícero (De Senectute) e Simone de Beauvoir (La Vieillesse), nos preparatórios para a velhice, J. Braga me tivesse oferecido, alguns dias depois, os Comentarios sobre la Vejez..., de Blanco Soler. Que foi, até hoje, o melhor livro que li sobre o assunto. E que conservo, religiosamente.
E já que falei de coisas santas, e a ele, que era crente, lhe desejo daqui a tranquilidade filosofante, lá, no assento etéreo, para onde provavelmente subiu.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bibliofilia 44 : Tarcísio Trindade


Morreu há dias, pouco depois dos idos de Março, com quase 80 anos, em Lisboa, mas era natural de Alcobaça. Era um homem que cultivava alguma distância, na sua extrema afabilidade educada. Profundo conhecedor dos mistérios e meandros da bibliofilia, Tarcísio Campos Trindade (1931-2011) desencantou das traças da antiguidade, em 1965, o primeiro incunábulo escrito em português (Tratado da Confisson, 1489) que manteve a sua posição primeva até que, em 1996, João Alves Dias nos deu a conhecer o "Sumario das Graças", impresso por volta de 10 de Abril de 1488. Desde os anos 70 que Tarcísio Trindade tinha casa aberta (até tarde, normalmente) na Rua do Alecrim, nº44, em Lisboa. Era um local de encantamento e descoberta para quem gostasse de livros. Lá conheci António Valdemar e Joaquim Braga, por lá passou, muitas vezes, Pina Martins, lá aparecia, e cavaqueava, Artur Anselmo. Os preços dos alfarrábios eram justos, daí que, frequentemente, alguns colegas de profissão lá fossem, para comprar obras que revenderiam, mais caras, depois, nas suas lojas. Era preciso passar todos os dias, porque, normalmente, todos os dias havia novidades expostas para venda. Lá comprei um folheto raro de Mariana de Luna, de 1641, uma primeira edição de Rubén Darío, com dedicatória, que pertencera a Alberto de Oliveira, a "Clepsydra" (1920) de Camilo Pessanha, na sua edição original, e tantas outras obras raras ou preciosas. Havia sempre uma pequena informação ou nota útil de Tarcísio Trindade, quando se fechava a transação, sobre o livro em causa. Passou o ofício ao filho, Bernardo Trindade, que herdou a amabilidade do Pai, e grande parte dos conhecimentos, mantendo a actividade, no mesmo local, com os mesmos princípios.