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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

2 citações de uma entrevista, sobre poesia e não só


A propósito do lançamento do livro da sua obra poética completa, presente, Para comigo, Joaquim Manuel Magalhães (1945) deu uma entrevista à ípsilon, em que aborda, de forma exemplar, alguns assuntos, para além de poesia. Pensada e com algumas reflexões de grande pertinência, a entrevista, até porque as respostas foram dadas por escrito, as suas palavras merecem ser lidas com atenção.
Que não de maior relevância, aqui deixo dois pequenos excertos, recomendando vivamente, a leitura integral da referida entrevista de Joaquim Manuel Magalhães.

"Nunca fiz uma leitura provinciana da nossa poesia, por isso me espanto com as cotoveladas que os poetas dão uns aos outros por causa do seu lugarzinho efémero."
...
"Traduzir é perder tempo, dá muito trabalho, a maior parte das vezes as coisas ficam tortas em português e percebemos logo que não resultam bem e não pode ser de outra forma."

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

o poeta das minúsculas


Talvez todos tenhamos destas fraquezas: não gostamos, mas repetimos, na secreta esperança de virmos a gostar.
O tempo que eu demorei até ficar convencido de que destestava os chamados "pèzinhos de coentrada" e a "mão de vaca à jardineira"!... Ao fim de um ou dois anos de insistência sacrificada e de 10 ou 12 refeições tristonhas, abandonei o projecto, e decidi nunca mais comer, na vida, estes dois (horrorosos) tradicionais pratos da gastronomia portuguesa.
Ora, de algum modo, aconteceu-me o mesmo com a poesia  de e. e. cummings (1894-1962) - respeitosamente, grafei em minúsculas, como ele usava e gostava. E até nem foi pelas minúsculas, mediocremente plagiadas por alguns menoríssimos escritores deste nosso mundo, que me desaproximei dele. Era, antes, por uma razão de fundo: a poesia dele não me dizia nada.
Li-o no original, li-o nas traduções de Joaquim Manuel Magalhães, e era sempre a mesma coisa - não gostava, simplesmente, mas ia insistindo... Reincidi, há dias, até porque o livro era barato (usado, na imagem, custou-me apenas 1 euro, no meu alfarrabista de referência), numa teimosia desabusada, em mim.
É uma tradução francesa de Jacques Demarcq, creio que cuidada e atenta. Mas não gosto, pronto!
Está decidido: o e. e. cummings vai-se juntar, definitivamente, aos pèzinhos de coentrada...