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sábado, 12 de dezembro de 2015

A Cultura já mexe


A informação, colhi-a no blogue duasoutrêscoisas, que acompanho com gosto e interesse, e que é dinamizado e orientado pelo embaixador Francisco Seixas da Costa.
É possível que Serralves, por sugestão de João Soares, possa vir a expor os Miró da Parpública - que, estupidamente, por decisão dos seus dirigentes, quase foram vendidos, todos e ao mesmo tempo (imagine-se!!!...).
O convite foi feito pelo ministro da Cultura, recentemente, à Fundação nortenha.

domingo, 7 de junho de 2015

Palavras em desuso


Patriotismo é hoje uma palavra em desuso. Pior, para muitos, é considerada perigosa ou, pelo menos, envergonhante. A par com o vocábulo Património, por muita gente tido como uma abstracção romântica, despida de sentido e sem rentabilidade económica. Engrossam, no fundo, a categoria desses abencerragens embotados de espírito que, na segunda década do século XX, levaram à votação, na Câmara de Guimarães, deitar abaixo o Castelo, para com as pedras da fortaleza se calcetarem as ruas da cidade. O Castelo salvou-se por um voto, e ainda lá está. Como por cá andam, ainda hoje, os utilitaristas modernaços, bem como os leiloeiros e merceeiros burocratas que têm vendido o país ao desbarato. Coisas e resultado de um internacionalismo de direita, acrítico e sem cultura, que encontra grande prazer em arremedar, nos seus discursos, um léxico mascavado a imitar a língua inglesa, mas de raiz americana. Senhoritos pobres que talvez sejam felizes e se sintam mais importantes, assim.
Quem não valoriza a pertença nacional de um Crivelli, ou a permanência em solo português de um significativo acervo de obras de Miró, na minha opinião, é um pouco rombo de cabeça ou pobre de espírito. Os patacos por que serão trocados, rapidamente serão gastos em munificências de discutível qualidade e breve duração. E o país cada vez ficará mais pobre, mais desinteressante como destino de turismo cultural - hoje, muito procurado. Ficarão apenas esses turistas do eléctrico 28, que pouco deixam, mas tudo fotografam sem critério nem sentido estético de gosto.
O último L'Obs dedica algumas páginas à agressiva caça ao tesouro de várias instituições culturais (norte-americanas e europeias), na sua gula por obras importantes e acervos culturais significativos de artistas famosos, de forma a enriquecer o seu património. Seja ele nacional, ou estrangeiro, de origem. Algumas precauções chegam a parecer-nos insólitas. Surpreendeu-me, por exemplo, que a BnF (Biblioteca Nacional de França) faça deslocar, periodicamente, um Conservador da instituição, a casa do escritor Pierre Guyotat (1940) para registar os últimos livros que ele comprou, os seus apontamentos e até os SMS do seu telefone portátil, garantindo assim, antecipadamente, um acervo tanto quanto possível completo do artista. 
Como quase sempre, Portugal continua atrasado e na cauda da Europa. Os agentes culturais viegas e quejandos despacham crivellis, para poder continuar a fumar Habanos, outros pensando ser modernos e desempoeirados querem vender mirós e as jóias de família, para com esse dinheiro comprar bugigangas inúteis que, na sua parolice mental, lhes parecem indispensáveis. Patriotismo? Património? Isso já não se usa e é redundante!...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Agiotas e mecenas


 É com particular satisfação íntima que, por vezes, sei ou tenho notícias sobre mecenatos que se reúnem em vontade colectiva, e financeira, para adquirir (e doar, eventualmente), de forma a não deixar sair do país, obras de arte com interesse nacional. Se há nisto algum proveito natural para o(s) próprio(s), decorrente da dedução nos impostos, também há, no facto, algum brio patriótico que não pode ser desvalorizado.
Aquando da recente telenovela portuguesa dos Miró, ainda pensei, ingenuamente, que algum Santos, algum Roque ou Amorim, algum Belmiro se chegasse à frente, ou mesmo alguma instituição mostrasse interesse em que este acervo pudesse ficar em Portugal. Mas estes senhoritos estão mais interessados em levar dinheiro para a Holanda, do que deixar ficar telas em território nacional...
É essa a grande diferença, de qualidade. Porque, ontem, soube que a National Gallery, de Londres, enriqueceu mais o seu acervo, mediante um mecenato esclarecido. O quadro "Men of the Docks", do pintor americano George Bellows (falei dele, aqui, em 16/1/13), vai ficar na Inglaterra. E a National Gallery já lhe reservou lugar condigno, numa sala, entre Claude Monet e Camille Pissarro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Décadas


Pese embora o erro da generalização excessiva que tem, muitas vezes, um fascínio irrecusável, eu pecador me confesso. Já em tempos, aqui no Arpose (poste de Domenico Modugno, "Lontananza") tentei abordar, de forma subjectiva, as fracturas das décadas 50, 60, 70... do século passado. Hoje, ao reler(?) o prefácio de Rosa María Pereda ao livro Joven poesía española (Catedra, Letras Hispánicas, Madrid, 1993), deparei com o mesmo "pecado". Como segue, traduzido.
"... Os poetas a que me refiro - a quem os seus inimigos chamaram já novíssimos ou venezianos - são o fruto dos anos 60, da década da revolta, do entusiasmo pelas liberdades individuais e civis, do crescendo revolucionário no terceiro mundo e no ocidente, da aparição da chamada nova esquerda - e da inimaginável possibilidade de existência da nova direita...-, dos anos dourados de Praga e da Califórnia, enfim, desse processo que culmina no Maio 68, para abrir a porta a outra década, a dos anos 70, sem dúvida algo mais sórdida, seguramente mais triste. ..."
P.S.: para c. a., até pelo Miró.
Nota: em nome do rigor e com grato reconhecimento a 2 bons Amigos, se declara que este Miró " is a fake". Que me perdoem a distracção, mas como eu gosto de dizer: "no melhor pano cai a nódoa".