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sábado, 18 de junho de 2022

Um poema de João Rui de Sousa (1928-2022)



 Piscina

da prancha é o mergulho imaginário
até ser só o tronco ou só os membros
e desfazer em água a morte toda
que em poros transportamos sem sabermos

até que liquefeita a morte toda
possamos não mentir ao declarar
que somos peixes vivos voadores
sabemos destruir e transformar


in Corpo Terrestre (pg.105).

segunda-feira, 19 de março de 2012

João Rui de Sousa




Corpo de Ambiguidade

posso e não posso ir-me noite fora
nestes pilares do medo  desta dor
- é quando os dedos ferem (não se tocam)
é quando hesito e coro

é quando vou não vou neste mergulho
em seco a imergir em pobre chão
de caos e flor e vinho e confusão

é quando sem chorar me escondo e choro


Nota: voz discreta e poeta pouco disposto às arenas literárias, João Rui de Sousa (1928) foi galardoado, pela A. P. E., com o Prémio Vida Literária 2012. Merecidamente.