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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Bibliofilia 142


Ornado o frontespício com uma singela e ingénua gravura alusiva ao tema do texto (Hospital do Mundo), este opúsculo é apenas um dos 12 folhetos, correspondente a Dezembro, que José Daniel Rodrigues da Costa (1756-1832) fez editar através da Oficina de Simão Thadeo Ferreira, todos os meses, durante o ano de 1805.


Abstemo-nos de falar do autor leiriense pelas várias vezes que, já aqui, abordámos a sua vida e obra, que foi extensa*, embora não de primeira água. Os seus trabalhos destinavam-se a leitores pouco exigentes, mas eram  um eficaz instrumento divertido de leitura. 
O folheto custou-me, desencadernado de uma miscelânea, e quase na viragem do século: Esc. 3.000$00.

* Para se ter uma ideia da prolixidade de JDRC, posso informar que João Palma Ferreira no seu trabalho "Apontamentos sobre José Daniel Rodrigues da Costa e a Fortuna da Sátira", na bibliofilia (incompleta) activa do autor, contempla 87 entradas, de 1877 a 1830. A minha biblioteca conta com 21 títulos do escritor, dois dos quais não constam dessa lista. O que perfaz 89 obras...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bibliofilia 17 : José Daniel Rodrigues da Costa





Nem sempre bibliofilia coincide com qualidade literária. A bibliofilia persegue a raridade, quase sempre; o estudioso da literatura procura, sobretudo, a excelência dos textos.
José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832) terá nascido perto de Leiria e usou, arcadicamente, o nome literário de Josino Leiriense. Tem obra vasta e terá vivido, principalmente, da escrita, como Camilo mais tarde. Mas as suas obras, vendidas em fascículos semanais, quinzenais e mensais, deram origem a alguns "best-sellers", sendo o mais conhecido intitulado "Almocreve das Petas...". Pouquíssimos o estudaram e para além das referências de Inocêncio, há - tanto quanto eu saiba - pouco mais que um trabalho interessante e meritório de João Palma Ferreira, incluído em "Obscuros e Marginados", IN-CM (1980), com o título "Apontamentos sobre José Daniel Rodrigues da Costa e a Fortuna da Sátira" (pgs. 103/138). Contém uma preciosa bibliografia, embora com algumas lacunas. O facto de grande parte das obras de Rodrigues da Costa, tais como "Os Engeitados da Fortuna...", "Comboy de Mentiras..." ou "Portugal Enfermo..." terem sido publicadas em fascículos continuados contribuiu para a raridade de as encontrarmos completas. São, portanto, muito pouco frequentes, muito apetecidas e, normalmente, muito caras. Sendo, como João Palma Ferreira diz, J. D. Rodrigues da Costa pouco culto, os seus livros e poemas não são obra erudita, nem de grande excelência e qualidade literárias. São, porém, fáceis de ler, divertidas e dão uma interessante visão sociológica da época, com os seus maneirismos, tiques, modas e costumes.

P. S. : para MR - o prometido é devido.