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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Mercearias Finas 167

 


Ao princípio poderia ter sido a marmita operária, que Pomar eternizou, por outras vias, no Almoço do Trolha, nos anos 70/80 com a Comida Pronta e os Come-em-Pé, aburguesou-se; agora os Take-away acabam por ser uma alternativa de levar para casa de restaurantes em que já não podemos amesendar, como dantes, à vontade. Do nosso predilecto já veio Arroz de Pato, Ensopado de Raia e Pataniscas de Bacalhau com arroz de feijão vermelho - deliciosos. O Pernil, parente afastado do germânico Eisbein (bem diferente), creio que só o tínhamos provado uma vez, na sua magnitude. No restaurante do Arco, na medieval rua de Sta. Maria vimaranense, era por um dia pavoroso de chuva, de inícios de Novembro. Bisámos, aqui há dias, e fomos buscá-lo à Trafaria, à Taberna do Zé da Lídia - esplendoroso. Na fotografia, acima, ainda ele está no ninho, aconchegado, ao lado das frésias, amarelinhas, que já tinham dado um ar da sua graça olorosa... O vinho portou-se bem (Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, alentejano, 14º), mas precisava de mais 2 ou 3 anos para amaciar melhor os taninos. Como dizia Alexandre Dumas, citado por João Paulo Martins: "...o vinho é a parte intelectual da refeição!" E quem sou eu para contradizer tal axioma, de gente tão fina?!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quotidianos lisboetas


Deviam estar a preparar alguma coisa nos jardins do Palácio do Conde de Farrobo, ao Chiado. Recepção, festa, ou vernissage, porque os canteiros estavam cuidados, os arbustos aparados e, por uma nesga de uma porta que dava para a rua, consegui ver 2 cozinheiros aperaltados a preceito e vários tachos e panelas sobre o fogão industrial da cozinha. Próximo, e de um caminhão parado na rua descarregavam vitualhas. Como sempre, à portuguesa, 3 moleques faziam o trabalho, e 5 "cavalheiros", muito direitos e aristocráticos, encostados à parede, davam ordens ou mandavam bocas correctivas aos oficiais mecânicos. Estava calor.
Eu já vinha da Bertrand, após ter resolvido, metafisicamente, uma dúvida difícil. Na mão direita eu tivera "Uma viagem à Índia" de Gonçalo M. Tavares, com prefácio de Vasco da Graça Moura, na esquerda sopesara, indeciso, de João Paulo Martins, "Vinhos de Portugal 2012", sem prefácio, a não ser do próprio autor. Mas eu só queria comprar 1 livro. Tinha que optar...
Entre os muitíssimos autores citados, de um dos livros, e os inúmeros vinhos referenciados, no outro, preferi o João Paulo Martins. Entre a poesia e o vinho, desta vez ganhou Baco. Também é verdade que havia alguma diferença de preços entre as duas obras, o que também conta, num orçamento limitado...