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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Idiotismos 31


Se há palavras cuja filiação é imediatamente perceptível, outras há cuja origem não é fácil de descortinar. E as próprias pesquisas, que fazemos sobre elas, muitas vezes, ainda nos deixam grandes dúvidas.
A primeira vez que ouvi (ou li?) dizer a palavra gajé, foi em Lisboa. Do Norte, não a conhecia eu. Nessa altura, e por associação com calé, pensei que o adjectivo tivesse raiz cigana. Não tem.
Há dias, voltei a lembrar-me desse termo, ao ouvir mais uma vez o grande Marceneiro a cantar "O leilão da casa da Mariquinhas" ("...ainda fresca e com gajé..."), com letra de Linhares Barbosa, fado que coloquei, recentemente, no Arpose.
Ora, gajé significa garbo, donaire, elegância, airosidade, segundo vários dicionários. O Analógico, de Artur Bivar, dá o termo como: popular. Houaiss, porém, dá-o como derivado de gage (garantia), um francesismo, portanto. Em que ficamos? Que, por aqui, há discórdia, e da grossa...
Seja como for, a palavra, mesmo que alfacinha, continua a parecer-me estranha.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

"...Até das próprias janelas / venderam-lhe as tabuínhas..."


O Oceanário, a TAP, os terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa... Portugal, nos últimos tempos, tem sido uma imensa almoeda, promovida por uns comerciantes ronceiros e venais que, se pudessem e ela tivesse algum valor e préstimo, venderiam a própria progenitora, para arrecadar uns tostões.
Disgusting times, porque nem em português eu encontro palavras que definam o meu estado de espírito e sublinhem este fartar da vilanagem.
À guisa de consolação, lembremos Marceneiro:



terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Marceneiro


Como umas quadrinhas paupérrimas podem ganhar altura e grandeza nesta voz especialíssima de Marceneiro!...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Salão de Recusados XVIII : Crianças



1. - ...Mas as crianças, Senhor
porque lhes dais tanta dor?
porque padecem assim?...

Augusto Gil (1873-1929).

2. - É tão bom ser pequenino,
ter mãe, ter pai, ter avós,
ter esperança no destino
e ter quem goste de nós. ...

João Linhares Barbosa (1893-1965)

3. - Varech

Eu estimo sobretudo os teus olhos incolores
as tuas mãos inúteis, a tua boca verde
Eu falo somente dos relógios caídos, dos autocarros
Eu falo somente dos pés vermelhos
Eu falo... eu falo... eu falo...
No vigésimo século as nuvens são árvores
e os pássaros mais pequenos grandes paquidermes

Sim, é verdade, os cabelos loiros
Então, meia noite!
Senhora, se me dá licença, este dia acabou
por este dia simplesmente

A criança é porca, é inútil
Muito obrigado...

António Maria Lisboa (1928-1953).