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quinta-feira, 3 de abril de 2025

Suplementos literários

 
Lembro-me bem que, nos anos 50/70 do século passado, cada jornal que se prezasse tinha um suplemento literário semanal. À quinta-feira o "Diário de Notícias", o "Popular" e o "Lisboa", à quarta "A Capital" e por aí fora... A página literária do Diário de Notícias, orientada por Natércia Freire, era uma instituição, e contribuía, através das recensões isentas de João Gaspar Simões, para criar um critério de qualidade na leitura do país. A norte, n'O Comércio do Porto, Óscar Lopes desempenhou o mesmo papel crítico e pedagógico. Actividades que permitiam a grande parte do que se editava que tivesse um mínimo de qualidade literária. Também o jornal Público, que foi lançado em 1990, publicava, ao sábado, um bom suplemento cultural (Mil Folhas), que veio vindo a definhar tal como a qualidade geral do diário. Hoje em dia, à sexta-feira, o jornal insere apenas uma ou duas recensões a obras incaracterísticas no suplemento ípsilon.



Entretanto, a ocupar este vazio, começaram a aparecer uns blogues foleiros e manhosos, orientados por umas mulherzinhas cerzideiras e mercenárias que passam o tempo entre livros e tachos e que, pagas muito provavelmente por editoras pouco preocupadas com a qualidade dos produtos que editam, lhes fornecem títulos a metro e as fazem publicitar a mediocridade dos seus livros e obras para vender aos incautos leitores.

domingo, 12 de março de 2023

Polémicas...



Agora a polémica pessoana transbordou, do hebdomadário do regime e de um blogue fundacional, para a revista Visão, talvez por falta de melhor assunto. Os dois biógrafos encartados digladiam-se, entretanto, a tentar apascentar (o pasto é pouco e os rebanhos pequenos, em Portugal...) o poeta Fernando.
Felizmente, sinto-me fora da corrida. Ainda que antiquado, fico-me pelo clássico e antigo trabalho de Gaspar Simões, que já li há muito e me basta para saber da vidinha de Pessoa.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Evocação



Mais do que o Viver com os Outros (1964), de Isabel da Nóbrega (1925-2021) eu lembro-me sobretudo das suas crónicas no jornal A Capital (Quadratim), que eu lia sempre com prazer. Ou de um jantar num restaurante esquecido entre a Baixa e o miradouro de Santa Luzia em que, por mero acaso, fiquei sentado ao lado dela, na honrosa vizinhança de Óscar Lopes, Eduardo Lourenço e do já também falecido, meu querido amigo António de Almeida Mattos. À falta de melhor conversa, na altura, sei que lhe adivinhei o signo (Caranguejo), facto que a surpreendeu imenso. Expliquei-lhe que a proximidade com Gaspar Simões (Peixes) e Saramago (Escorpião) explicariam, talvez, o terceiro dos signos da Água. Foi isto ainda em finais do século XX, depois de uma sessão de homenagem, no Café Martinho, a António José Saraiva. 
Isabel da Nóbrega faleceu ontem.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Últimas aquisições (16)


Nem sempre acertámos nas compras. E isso acontece com muitas coisas, até com livros. A obra de João Gaspar Simões (1903-1987), de 1941, A Unha Quebrada é um conjunto de novelas fraquinhas e muito datadas na sua inocência romanesca - juvenil, em suma. Tem no entanto uma curiosa capa de Roberto Araújo. Comprei-a por engano e por coscuvilhice nobre julgando tratar-se da efabulação da ruptura de Isabel da Nóbrega (1925) com o também crítico literário do DN que, afinal só vem a ser tratada, como tema de base e desforço, por Gaspar Simões, em As Mãos e as Luvas, de 1975. Fui assim punido pelo destino e bisbilhotice... A desatenção cronológica fez o resto.
Apesar da tradução ser brasileira, foi compensadora, entretanto, a compra de Na Força da Idade (1961), em 2 volumes,  usados, de Simone de Beauvoir (1908-1986). Com o que dei pelos 3 livros pouco mais poderia comprar do que um maço de cigarros. No conjunto, acabou por valer a pena a aquisição conjunta.


sábado, 17 de novembro de 2018

No tempo em que


Sou do tempo em que havia críticos sérios e competentes. Óscar Lopes, Gaspar Simões, Mário Sacramento, por exemplo, cada um à sua maneira, dizia o que pensava, subordinado apenas a um critério estético de qualidade. Não faziam favores nem fretes, não recebiam subvenções das editoras, não se curvavam a amiguismos - em suma, tinham a consciência limpa de julgar, com isenção, os livros que iam saindo. A sua palavra era uma garantia segura, que nos prometia, à partida, uma boa leitura.
Hoje, não. Há revistas que, como os folhetos das grandes superfícies, tentam é vender os seus produtos, neste caso, as suas publicações, há críticos nitidamente enfeudados, há por aí uns blogues que se auto-intitulam de blogues literários (?) administrados por umas costureiras de retalhos, que dizem sempre bem das obras de que falam e ainda têm tempo para produzir receitas culinárias pindéricas, normalmente vegans, ou de nouvelle cuisine de paróquia interior. É a nova crítica...
Às vezes, porém, a excepção vem confirmar a regra, e eu sou surpreendido por um critério isento, na apreciação crítica de um livro. Na ípsilon, de ontem, Mário Santos, sobre uma obra de um  autor muito badalado, escreveu assim: "...o autor conseguiu fundir numa única obra, e com indesmentível e insuperável eficácia, as melhores qualidades de uma historieta de aventuras do Major Alvega e as de uma novela cor-de-rosa de Corín Tellado (que só agora li para poder comparar). Com uma única desvantagem: a ausência das vinhetas da banda desenhada."
A quem me ler, aqui, lanço um repto ou adivinha. De quem falaria Mário Santos: de Paulo Coelho? De Rodrigues dos Santos? De Rosa Montero? De John Fante? De Modiano? De Margarida Rebelo Pinto? Do valterzinho mãe? De Dan Brown?
Prometo a solução, oportunamente...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Leilão


Mais um leilão de livros, manuscritos, e não só, promovido pela Livraria Olisipo, no Palácio da Independência (às Portas de Sto. Antão), nos próximos dias 16 e 17 de Outubro de 2017.
Do acervo, rico em obras raras, nomeadamente, de poesia, destaco os seguintes lotes e estimativas:

368 . Manuel da Fonseca - a 1ª ed. de Seara de Vento (1958), com dedicatória a João Vilaret. Com previsão de venda entre 75/150 euros.
410 . Almeida Garrett - Viagens na Minha Terra, na sua edição original (1846), em 2 volumes, com uma estimativa de 150/300 euros.
632 . Francisco Manuel de Melo - Cartas Familiares (Roma, 1664), entre 300 e 600 euros.
744 . Fernando Pessoa - Mensagem. Primeira edição (Lisboa, 1935), enriquecida com dedicatória do Poeta ao pintor Eduardo Malta. Com uma previsão de venda entre 6.000 e 10.000 euros.

Considerações posteriores e a propósito: não destaquei os livros acima referidos por serem caros, mas por serem obras fundamentais e essenciais da literatura portuguesa. Neste leilão, há livros bastante mais baratos e até alguns volumes de Herberto Helder - normalmente caro - com preços justos.
Abre hoje a Feira de Frankfurt, com a presença paternal do Júpiter francês e da Mutti germânica. As recomendações de compra, quanto a livros saídos ou a sair, na imprensa vendida e especializada (?), são abaixo de cão. Anda tudo pelo light e pelo chinelo...
Deus nos valha! Que falta nos fazem o Marcel Ranicki!, apesar de reaccionário. Para não falar do honesto Gaspar Simões, para aconselhar a gentalha que compra tudo o que lhe recomendam, sem qualquer critério crítico. E se guia pelos best-sellers dos jornais manhosos portugueses...

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Colagem comparativa


Tudo está
eternamente
escrito
(Spinosa)

Tudo está
eternamente
em Quito
(Uma Rosa)

Mário Cesariny
As capas de livros, em imagem, foram produzidas por 2 editoras (respectiva e cronologicamente, Editorial Inquérito e Alfaguara), com um intervalo de cerca de 70 anos, entre si.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Para ler nas férias?!


O grande maganão do Luiz Pacheco (1925-2008) aproveitou o deslize elitista ("Tenho tanto que escrever, que não tenho tempo para ler") do crítico Gaspar Simões, para, através da Contraponto, sua editora marginal, fazer editar este postal de fino recorte estético e humorístico.
Pela minha parte, se houvesse possibilidade e as tivesse à mão, neste período de férias, dedicar-me-ia a obras de Manguel ou Steiner - que neste momento já não tenho disponível. Valha-me ter de lado, para momentos de emergência ou de vazio, uns restos de Cioran e algumas obras de Simenon, autores que são sempre um abençoado refrigério, no meio de tanta mediocridade que se vai publicando...

com grato reconhecimento a H. N..