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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Humor Negro (29)

 


Com chamada evocativa a João Abel Manta, um oportuno lembrete de Luís Afonso, no jornal Público de hoje.


sexta-feira, 25 de abril de 2025

25 de Abril

 


A célebre efeméride alastrou, com toda a propriedade e merecimento, a variadas temáticas. Entre elas a filatelia, cuja imagem feliz acima reproduz, um ano depois (1975), este acontecimento da nossa história.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Bibliofilia 202



Recebi recentemente um catálogo de Natal de um livreiro alfarrabista de Lisboa, promovendo a venda de alguns livros interessantes. De uma forma geral apercebi-me que havia uma acentuada quebra de preços, muito embora, por outro lado, algumas obras mais procuradas e raras se tinham estabilizado ou até, nalguns poucos casos, subido de valor. No primeiro caso, estava a Antologia de Poesia Erótica e Satírica, na sua contrafacção do Rio de Janeiro, sem as ilustrações de Cruzeiro Seixas, que se vendia por 30 euros; ora a mais próxima venda anterior tinha alcançado os 68 euros, segundo os meus apontamentos. Da Artis, vinha proposta a venda, da colecção de as mais belas poesias trovadorescas, da écloga Crisfal, a 25 euros. Esta colecção é de grande qualidade estética, e foi editada durante parte dos anos 50/ 60.



As obras, de cada um dos autores, numeradas, tiveram orientação e escolha de José Régio, tendo sido ilustradas pelos melhores pintores portugueses da altura. Nomeadamente: João Abel Manta, Alice Jorge, Rogério Ribeiro, Júlio Pomar, Lima de Freitas...



Fui ver o que tinha: os números 7, 10 e 12. Respectivamente, de Sá de Miranda, Diogo Bernardes e Frei Agostinho da Cruz. Pois todos eles tinham sido comprados (em muito bom estado) por apenas 6 euros, cada um.

Ora, de 25 para 6 euros, de há uns anos atrás, sempre é uma diferença de tomo muito significativa.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Os nins


Camuflados, diplomáticos e diplomatas, mamando doce, são, às vezes, difíceis de reconhecer.
Na Natureza são os camaleões, em Política, o Centrão sempre pronto a vender-se e pactuar para não perder mordomias, no comentariado mediático, os suaves palreiros do banal flagrante e mediocre. Hábeis malabaristas, no dia a dia, são os de posição neutra, nadadores de águas mansas, os de bem com toda a gente...
São os nins.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Salazar e Guterres, em casa de minha Tia


O inconsciente é como um carro sem travões, desgovernado. Anárquico, surreal, inconveniente muitas vezes, liberto de censuras. Se já o nosso filme interior, quando acordados, muitas vezes, nos compromete, que dizer do nosso mundo onírico, frequentemente libertino, despropositado e caótico?
Não é que na noite passada fui sonhar com Salazar e Guterres, tendo por cenário o terraço de uma casa, bem minha conhecida, na Av. Humberto Delgado, em Guimarães? Saudavelmente, a minha Tia tinha-se ausentado dela, talvez por questões de princípio. Ou, quem sabe?, ofendida, com a intrusão...
Entretanto, os dois Primeiros entraram para o interior da mansão, a fim de dar início ao Conselho de Ministros. A que eu, naturalmente, não tive acesso.
E acordei...


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Idiotismos 36


Na rubrica Idiotismos (nº 7, de 5/12/2012), abordei a expressão cortar na casaca. Por essa altura, e por associação de ideias, em parceria com um amigo, tentámos descobrir, também, a origem e razão da expressão virar a casaca que, de uma forma geral, se aplicava a pessoas que se adaptavam a novos tempos, mudando de opinião, partido e modos de ser, para melhor aproveitarem e se servirem de novas conjunturas políticas. João Abel Manta (1928), muito inspiradamente, pouco depois do 25 de Abril, num cartoon muito sugestivo (em imagem, a encimar este poste), exemplificou de forma humorística, os viracasacas, oportunistas que, tendo servido o antigo regime com devoção, se tentavam integrar, disfarçadamente, na nova ordem democrática.
Mas nem o meu amigo nem eu, nessa altura, conseguimos deslindar o mistério da origem do virar a casaca. Recentemente, porém, no livro Origem de várias locuções, adágios, anexins, etc. (Elvas, 1928), de António Thomaz Pires (1850-1913), preto no branco, tudo era explicado claramente. Acontece que Carlos Manuel (1562-1630), duque de Sabóia, tinha um carácter dúplice e oportunista, que o fazia apoiar ora a Espanha, ora a França, na guerra em que os dois países andavam envolvidos. Consoante os benefícios que, daí, poderia colher. E para não ter que mandar fazer duas fardas de cores diferentes (branca, cor da França, e vermelha de Espanha) mandou fazer um casaco branco por um lado e vermelho, do outro. Podendo assim igualmente servir dos dois lados, e ambos os países inimigos, conforme fosse a ocasião e opção escolhida. Assim se começou a usar a expressão: virar a casaca.

para A. de A. M., afectuosamente.

domingo, 21 de julho de 2013

Trocadalhos


Em 1862, Camilo fez editar a sua obra-prima, Amor de Perdição, que foi um sucesso; dois anos depois, publicou Amor de Salvação, em 1864. Que não teve o mesmo acolhimento, da crítica e dos leitores.
Ao invés, há oito dias atrás, o nosso inefável PR anunciou, em discurso barroco e cabalístico, a sua obra maior: o governo de salvação nacional - que foi um flop. Hoje, irá, talvez, pré-anunciar uma obra menor: um (des)governo de perdição nacional. Paz à sua alma mortificada!...
 Cegueira por cegueira, a de Camilo era genial. E, mesmo assim, suicidou-se.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Escrever de pé


De Pessoa, já eu sabia, porque ele próprio o refere, ao explicar a génese de Alberto Caeiro, no dia 8 de Março de 1914: "...comecei a escrever de pé, numa cómoda alta, como escrevo sempre que posso..."
Pois, hoje, a propósito da Casa de Tormes não querer emprestar (tiranetes!...) uma secretária alta que lá tem, para figurar numa exposição em S. Paulo (Brasil), o meu Amigo queiroziano contou-me que Eça de Queiroz também gostava de escrever de pé. Acrescentando: "E Garrett, também!"
Já lá vão três, a escrever de pé! E eu a imaginá-los a escrever sentados...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Filatelia XXXV : a terra a quem a trabalha


Provavelmente mais por populismo do que por pragmatismo político, a jovem super-ministra Cristas lançou a ideia, numa acção da melhor agit-prop, de que o Governo se prepara para tomar posse das terras sem dono, e não trabalhadas, para as redistribuir por quem faça delas produção e seu ganha-pão. A ideia, em si, é simpática, mas a História de Portugal ensina, pelo passado, que não é nada fácil modificar o modo e posse das terras. Muitos tentaram modificar a filigrana rendilhada do minifúndio minhoto ou retalhar o ancestral latifúndio alentejano, mas sem grandes resultados. Do PREC da Reforma Agrária ao reordenamento legislativo de António Barreto e, depois, acção prática de Sá Carneiro; do rei D. Fernando, com a sua Lei das Sesmarias de 1376, até ao Marquês de Pombal, a terra portuguesa mexeu e mudou de dono, mas posteriormente voltou tudo ao mesmo, numa fatalidade que parece secular.
Daí estes selos alusivos, indirectamente, às reformas e leis que foram sendo feitas, sobre a posse da terra portuguesa. Da série filatélica a comemorar as Sesmarias, emitida pelos CTT, em 1976, ao grafismo revolucionário de João Abel Manta, com a representação do camponês e o soldado, em 1975. Acrescentei ao conjunto, pela sóbria beleza, o talhe doce sobre desenho de António Lino, do selo de 1955, com o retrato do rei D. Fernando, integrado na série Reis de Portugal da 1ª Dinastia.
Aguardemos, então, pela Reforma Cristas, para ver...

sábado, 3 de abril de 2010

Uma ficção pascal


Integrada na celebração da Paixão de Cristo, parece oportuno relembrar A Relíquia, obra de Eça de Queiroz, injustamente relegada para segundo plano.
As reproduções de diferentes pintores, lembrados a propósito da Paixão de Cristo, tanto no Prosimetron como no Arpose, trouxeram à memória o "sonho" do Teodorico queiroziano. Eis alguns trechos:
"Mas vêr Jesus ! Vêr como eram os seus cabellos, que pregas fazia a sua tunica, e o que acontecia na terra quando os seus labios se abriam ! ...
(...) A lenta aragem que balançava na janella o ramo de madresilva, e lhe aviviva o aroma, acabava talvez de roçar a fronte do meu Deus, já ensanguentada d'espinhos ! Era só empurrar aquella porta de cedro, atravessar o pateo onde gemia a mó do moinho domestico, - e logo, na rua, eu poderia vêr presente e corporeo o meu Senhor Jesus tão realmente tão bem como o viram S. João e S. Matheus." (...)
Ao terminar o "sonho", o amigo Topsius remata:
"- Theodorico, a noite termina, vamos partir de Jerusalem ! ... A nossa jornada ao Passado acabou ... A lenda inicial do christianismo está feita, vai findar o mundo antigo !" (...)

P.S.: citação com base na edição de 1902, Porto, Livraria Chardron.

Dedicado aqueles que partilharam comigo a leitura d'A Relíquia.

Post de HMJ