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sexta-feira, 18 de março de 2022

Retro (112)



O anúncio era de 1909 e vinha na guarda posterior do número 230 do voluminho sobre a História da Literatura Portuguesa, obra que tinha a indicação preciosa de: "Acomodada ao programa dos Liceus". Este livrinho, da útil Bibliotheca do Povo e das Escolas, não indicava o nome do autor do texto publicado.
Quanto à publicidade ao livro de Júlio Dinis, creio que dispensa quaisquer comentários.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Esquecidos (1)


Escritor, tradutor, médico e jornalista, de seu nome completo Rodrigo Botelho da Fonseca Paganino Júnior, nasceu em Lisboa a 2 de Agosto de 1835. Teve vida breve, pois veio a falecer, em Carnide (Lisboa), a 22 de Setembro de 1863.


Foi amigo de Herculano e era figura muito conhecida nos meios literários lisboetas, sobretudo pela colaboração frequente na imprensa da época. A sua obra, em prosa, mais celebrada foram os Contos do Tio Joaquim,  editados em 1861, tinha Rodrigo Paganino apenas 24 anos de idade.
As diversas histórias da literatura portuguesa, a partir daí, foram-no sempre referindo.


O livro (306 páginas) foi muito falado e elogiado, embora com temas rurais e enredos singelos moralizantes, pressagiando, de algum modo, a carreira mais solidamente estruturada de Júlio Dinis (1839-1871), mais tarde. Tenho no entanto grandes dúvidas que hoje o autor ainda seja lido. Ou até mesmo referido. A insistência no pendor algo romântico da sua escrita afastará porventura os mais cépticos leitores empedernidos...
O meu exemplar, da edição original, tem dedicatória à irmã do escritor, Maria Máxima. Está em bom estado, encadernado, e custou-me 15 euros, recentemente (tinha sido remarcado dos 25 iniciais).


Óscar Lopes (1917-2013) denomina de "contos rústicos" estes, com alguma propriedade... Mesmo assim, na sua simplicidade e elegância da escrita corredia, podem ainda hoje ler-se desenfadadamente.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Já não há prosas silvestres


As novas gerações, maioritariamente, abandonaram os campos, as vilas e aldeias. Dificilmente os jovens reconhecerão, hoje, o cheiro do estrume de cavalo ou saberão identificar, à vista ou pelo cantar, um rouxinol. Longe vai o tempo dos romances bucólicos de Júlio Dinis ou da tensa ironia rural da prosa camiliana, feita a transição adequada de Aquilino e depois do paroxismo ideológico dos neo-realistas, que também se mudaram para ficções citadinas, um pouco mais tarde. Ainda que alguns jovens artistas alternativos, agora, talvez por razões de sossego, poupança e marca distintiva de diferença, possam habitar Santiago do Cacém ou Ourique, Vila do Conde ou Bobadela, é de Nova Iorque, Veneza, Trieste ou Reiquiavique que eles gostam de falar, para se darem a ares de cosmopolitas e viajados. Mas também com os potenciais leitores se deve passar o mesmo. Embora seja sempre gratificante batermo-nos, rija e saudosamente, com as poesias e prosas límpidas e autênticas de um J. Riço Direitinho, agrónomo, ou de um Pires Cabral, transmontano, ainda vivos, que são talvez os últimos abencerragens desses cenários de ruralidade literária portuguesa de antanho, ainda que presente.
Mas aos novos, falta muitas vezes o nervo, as causas, a ossatura do real e até verdadeiros motivos para prosas maiores. Perdeu-se, entretanto, o cheiro das urbes, dos cafés fumarentos e linguarudos, da exiguidade das caves suburbanas que ainda povoam alguns dos romances de Cardoso Pires e Nuno de Bragança, por exemplo. E parece que nada se ganhou em troca. Até a poesia é etérea e voltou a ser domínio e obra de finos nefelibatas ou de obesas associadas das casas de Sta. Zita.
Desse abandono dos campos, em parte, se herdou também essa fogueira cíclica dos incêndios desmesurados no Interior português. E eu pergunto-me se algum destes novos prosadores seria capaz de ensaiar alguma novela de jeito com cenário sobre esse flagelo maior e real que, todos os anos, nos atinge nessas zonas rurais de quase total ermamento. Mas será isso deveras importante?
No plano intelectual é bem provável que não...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lembrete 15


Saiu hoje, com o jornal Público, o primeiro livro (edição fac-similada) de muitos que foram proibidos pela Censura e retirados de venda, no tempo do Estado Novo.
Para lá de ser uma das obras pioneiras do Neo-realismo, "Gaibéus" (1939), de Alves Redol (1911-1969), traça um retrato realista do campo, em tudo contrastante com a visão idílica rural dos romances de Júlio Dinis (1839-1871), escritos cerca de cem anos antes.
Não menos importante, o livro vem acompanhado do texto do relatório do Censor, que conduziu à apreensão e proibição da obra. Tudo isto ao preço imbatível de 1,95 euros, na compra do jornal diário.