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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Da leitura 61



Depois de uma (re)leitura breve e em diagonal do livro (Outros Tempos) de Júlio Dantas (1876-1962), obra que me pareceu algo especulativa e insuficientemente fundamentada, hei-de encetar a leitura do segundo livro em imagem, do historiador Armando Luís de Carvalho Homem (1950), que HMJ acabou de ler. E a que deu o seu aval de qualidade - meio caminho andado de garantia de leitura, para mim.




sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Citações CDLXVIII



Viajar, - que horror! O que é, às vezes, agradável e útil, é ter viajado. Os incómodos passam - e as boas recordações ficam.

Júlio Dantas (1876-1962), in Páginas de Memórias (pg. 226).

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Últimas aquisições (34)




Li muito Júlio Dantas (1876-1962) durante a minha juventude, pelo menos até conhecer o Manifesto do Almada que me pareceu expurgatório. Mais tarde, vencidos os pruridos adolescentes e o politicamente correcto, voltei-lhe à carga nas leituras, porque o seu estilo sempre me pareceu pitoresco e a escrita, elegante.
Ontem, reincidi mais uma vez e por bem. Num dos já raros alfarrabistas lisboetas adquiri, usado e por 4 euros, o póstumo Páginas de Memórias (Portugália, 1968). E já vou na página 97...

Adenda temporal: bem vistas as coisas, Júlio Dantas não era mais nem menos do que um artista do regime, tal como hoje, a Joana Vasconcelos, salvo as devidas proporções estéticas. Embora o escritor trabalhasse sozinho. Ou mesmo Almada Negreiros, que se academizou nos últimos anos da sua vida.

domingo, 1 de setembro de 2019

Deus seja louvado!


Júlio Dantas (1876-1962) está de parabéns.
A sua obra A Ceia dos Cardeais (1902) já tem um elenco suficiente para poder ser representada, no Vaticano, por actores profissionais e autênticos.
Almada deve estar a morder-se de raiva, no Inferno, ao saber disso...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Idiotismos 28


A informação vai como veio. Colhi-a no "Lisboa dos nossos avós", de Júlio Dantas, no capítulo em que ele refere os antigos cafés lisboetas, que teriam começado a proliferar pelos finais do século XVIII. Substituindo as "hostarias" e as "hortas" seiscentistas. E que, sendo locais de agrupamentos diversos, aí se trocavam ideias, difundiam boatos e se comentavam, displicentemente, factos políticos e outras novidades - antiquíssimas redes sociais... Onde se cavaqueava, em suma.
E é aqui que entram as palavras de Júlio Dantas: "...segundo ele próprio diz, «cavaquear». Esta palavra, trazida para Portugal, no princípio do século XIX, pelos soldados portugueses que fizeram com Napoleão a campanha da Rússia (parece que kabak significa em russo, botequim ou taberna) define, melhor do que qualquer outra, a função social do café. ..."

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Bibliofilia 113


Um dos articulistas do TLS, com regularidade cíclica, propõe-se a si mesmo um desafio, de tempos a tempos: até um limite de 5 libras inglesas, e percorrendo vários alfarrabistas, encontrar um livro interessante e comprá-lo, dentro desse orçamento. Desta vez (TLS nº 5824), em Hammersmith, na Books for Amnesty, conseguiu adquirir, em segunda mão, o volume Marcel Proust: An English tribute (Chatto & Windus, 1923), de C. K. Scott Moncrieff, pelas tais 5 libras.
Nunca me abandonei a estes estados de alma, mas considero esse exercício, no mínimo, curioso. Ontem, e como faço com alguma periodicidade, visitei o meu alfarrabista de referência, na rua do Alecrim, onde ultimamente a oferta tem sido escassa. No meio das poucas coisas novas, à venda, encontrei o livro de Júlio Dantas (1876-1962), em imagem, que descreve antigos usos e costumes alfacinhas (touradas, procissões, Carnaval...). Marcado por 6 euros, venderam-mo por 5.
Como a "colheita" fora diminuta, na mesma rua, algumas portas abaixo, entrei num segundo antiquário que, recentemente, alargou de forma substancial a sua secção de livros usados. Os preços eram outros: consideravalmente mais altos. E, para minha grande surpresa, também ele tinha o "Lisboa dos nossos avós", na mesma edição de 1969, promovida pela C. M. de Lisboa, só que pedia pelo livro uns "puxados" 15 euros!...
Considerei-me um felizardo. E já comecei a ler a obra que, na sua prosa elegante, é muito instrutiva e interessante. Embora não seja rara.

domingo, 3 de agosto de 2014

Retratos de Catarina


No dote, com outras preciosidades, levou Catarina de Bragança (1638-1705) para Inglaterra, Tanger e Bombaim, que deixaram de ser portugueses. Por lá introduziu o vício do chá e a receita da geleia de laranja, que viria a generalizar-se de nome, para todas as compotas, em marmelade, já que os britânicos são monótonos e grosseiros, no que à gastronomia diz respeito. Para a Grã-Bretanha, levou também consigo uma pequena orquestra de câmara porque, tal como o pai (D. João IV), gostava de música.  O marido, Carlos II, apesar de mulherengo, privilegiava a beleza feminina e, por isso, antes de se comprometer, mandou a Portugal o pintor Dirk Stoop, para que retratasse a Infanta. O quadro (1660-1661) saíu como se vê acima, que Catarina tinha ainda a frescura da juventude, pese embora a testa alta, mal dissimulada sob um caracol enorme...
Mas na corte inglesa acharam-na feia, pouco simpática, além disso, era católica, para lá de ser discreta.

Cerca de três anos depois, Peter Lely, em 1663, faz ressaltar a sua maturidade e, embora os olhos negros fossem bonitos, trazem no retrato uma distância ou miopia ligeira. Carlos II, porém, não ficara desagradado e assim escrevera à irmã: "...o seu rosto não é exactamente uma beleza, embora os seus olhos sejam excelentes e a face não tenha traços grosseiros. Pelo contrário, o seu aspecto é agradável". Mas, e como refere Júlio Dantas (Cartas de Londres), a rainha seria muito pequena e algo roliça de corpo. Teria boa voz - vários autores referem o facto -, cabelos pretos, mas os dentes eram um pouco salientes. Por outras qualidades, atribuem-lhe ponderação e gravidade, bem como inteligência. E, é certo, Carlos II muitas vezes lhe ouvia o conselho avisado sobre questões políticas de difícil decisão.

O retrato, acima, que dela fez Caspar Netscher terá sido executado pouco antes de ficar viúva. Catarina manteve-se ainda uns anos, em Inglaterra, depois da morte de Carlos II e, ao que se diz, era respeitada e bem tratada, embora tivesse saudades de Portugal. Por isso, obtidas as respectivas autorizações, em 1692, partiu no final do ano, tendo chegado a Lisboa, no início de 1693, onde foi recebida, com alegria festiva.
Viveria ainda mais 12 anos, em solo português, vindo a falecer no seu palácio da Bemposta, no ano de 1705, reinava D. Pedro II, seu irmão mais novo.
Devo acrescentar que Catarina de Bragança é, das personagens portuguesas régias, talvez, a que tem uma mais ampla iconografia. O facto de ter sido rainha de Inglaterra terá contribuido, indubitavelmente, para isso. 




quarta-feira, 10 de abril de 2013

Osmose (42)


Dezenas de carruagens passam. Centenas ou milhares de troncos nus ou decepados - como se fosse o cortejo e funeral absurdo de uma floresta -, transformados, talvez mais tarde, em alvíssimas folhas A4, ou no cheiro insuportável à volta de Cacia.
A curiosidade é, por vezes, tão premente e obsessiva que nos faz perder de vista o essencial, inquinando, de forma cega e quase absoluta, o rumo natural da imaginação.
É sempre salutar e vantajoso, em função dos mistérios, convocar o bom senso de Maigret, ou o exemplo das deduções inteligentes de Sherlock Holmes, perante a morte incompreensível dos outros. Júlio Dantas não nos servirá de nada, porque será uma mera redundância, mesmo com o cruel Pim! de Almada.
É importante guardar uma lágrima cativa para o essencial. Às almas simples convém nunca perderem de vista a realidade, a crueza dos números, a eternidade da morte.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Oração fúnebre


Herdado familiarmente de quem já o achava obsoleto ou com pequenas deficiências - imperceptíveis, para mim, que sou um ignorante e rude informático - o meu computador Sony lisboeta deu o berro. Quero eu dizer, morreu-me nos dedos, estava eu a ouvir, via Youtube, um concerto de Natal, em Viena, superiormente dirigido por Karajan. Fez um relâmpago silencioso, mas verde, começou a mostrar traços verdes finos e verticais, depois pequenas rectas negras intercaladas, e foi-se... Deu a alma ao criador. Ignorantemente esperançado, religuei-o quatro ou cinco vezes, e nada. Ecran absolutamente negro, vazio, obscuro como um buraco negro do Universo.
A Sony sabe-a toda. Faz os computadores com prazo de validade, mas não avisa os utentes. Este feneceu no último dia do ano de 2012. O número redondo deixa-me altamente desconfiado e faz-me pensar que, quem faz isto, tem um espírito matemático, doméstico, de horizontes limitados: deve ser infeliz. Ao menos, os frigoríficos que, hoje, no máximo duram 15 anos, avariam definitivamente em meses aleatórios do ano - o acaso, assim, é mais credível. A Sony é mais chapa zero: morra, pim! , como dizia o Almada, do Dantas.

Nota: esclareço que estou a usar o computador lisboeta e pessoal de HMJ. O meu acabou, de vez.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O desamor aos animais


É da história: o amor é um sentimento, quase sempre, fugidio. E a necessidade pode muito - já lá dizia Almeida Garrett. A crise, por outro lado, tem muita força. Diz o povo: vão-se os anéis, fiquem os dedos. Já aqui dei conta, em 3/1/2011 (Os cavalos irlandeses e a crise), que os irlandeses tinham abandonado 20.000 cavalos à sua sorte: uns morriam à fome, outros iam sendo abatidos...
Vejo hoje nos jornais portugueses que a Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais tem para adopção 250 animais, que lhe foram entregues pelos anteriores donos. A maior parte são gatos. Aqui, na zona outrabandista, também já se nota o aumento das matilhas e dos gatos vadios. E a procissão ainda vai no adro. Ao contrário do que dizia Júlio Dantas, n' "A Ceia dos Cardeais", não é assim tão diferente o amor em Portugal...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Aves de rapina, a tartaruga e o caracol



O peneireiro cruza veloz o céu azul, com a sua cria, ao lado, pousa primeiro na antena de tv mais alta e, pouco depois, preciso e rigoroso, dispara em flecha para o ninho - o casal de rolas, à distância, foge espavorido. Um pequeno caracol, de casca ainda translúcida, subiu lentíssimo até ao rebordo da varanda a leste: deve ter levado meses para chegar cá acima - talvez pior que o programa do PSD que nunca mais é mostrado aos eleitores, para estes poderem decidir, em Junho. A Troika, entretanto, foi rapidíssima a fazer o seu trabalho e até já o apresentou aos partidos políticos. Celeridade ao ritmo das aves de rapina no seu voo. E até já disse que, quanto ao BPN, é para vender por "qualquer preço". Se calhar, vai ser vendido por 1 euro simbólico. E o Oliveira e Costa, o que se deve rir, como quando foi à Comissão Parlamentar e acabou na galhofa com alguns deputados (aquilo é que eram uns cómicos!...). E, entretanto, a Justiça portuguesa, preguiçosa e morosa, como a tartaruga do meu quintal de infância, vai deixando o homem descansado, depois de todas as falcatruas que praticou. E nem sequer se sabe em que ponto está o processo... Que País! Ao Bernard Madoff, a Justiça americana tratou-lhe da saúde em apenas 6 meses (Dez. 2008/ Jun. 2009) e arrumou-o, atrás das grades, por 150 anos. A nossa, que mandou deter Oliveira e Costa, em Novembro de 2008, ainda deve estar a ponderar, passados 2 anos e meio. Plagiando Júlio Dantas, da sua "Ceia dos Cardeaes": "Como é diferente a Justiça em Portugal!"

Nota pessoal: isto não é uma fábula, apesar de meter vários animais...

sábado, 30 de abril de 2011

Bibliofilia 46 : "A Ceia dos Cardeais" de Júlio Dantas





Este terá sido, creio, o terceiro livro que comprei, com intuitos bibliófilos. E foi em Coimbra, improvável cidade (por incrível que pareça), no início dos anos 60 (1962?, 63?), onde eram inexistentes, praticamente, os alfarrabistas. Na Rua da Sofia, baixa conimbricense, havia uma loja empoeirada que vendia móveis usados que eu, de longe a longe, frequentava; por vezes, apareciam também, em cima desses móveis velhos alguns livros e revistas antigos. Foi lá que comprei a 1ª edição (Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 5 Largo de Camões 6, no ano de 1902) de "A Ceia dos Cardeais", de Júlio Dantas, que, em 1962, já contava 48 edições em língua portuguesa. Afora as mais de 50, em traduções estrangeiras impressas. A pequena peça de teatro de Júlio Dantas, estreada em Março (24?, 28?) de 1902, no então Teatro Dª Amélia (hoje, S. Luís), fora um sucesso. E as edições e representações sucederam-se, frequentes, no tempo. Por isso, e como o livro foi barato (Esc. 2$50), a compra da obra encheu-me de contentamento. O volumezinho (36 pags.) pertenceu, antes, a uma senhora açoreana que lhe inscreveu a marca de posse (Emilia da Camara Leite) e que o terá adquirido na (Livraria?) Teves Adam, de Ponta Delgada. Pessoa amiga, que recordo com saudade, ofereceu-me a encadernação com ferros a ouro, e ligeiro restauro, em finais dos anos 70 do séc. passado.

domingo, 25 de julho de 2010

Curiosidades 12 : Coimbra, Daudet e a ataxia




Quando por Coimbra andei, no início dos anos 60, a pequena cidade grande era muito provinciana nos tiques das suas gentes - e não se julgue que é má vontade minha : nasci lá, muito embora tenha passado a minha infância e adolescência no Minho. Quando lá voltei para estudar na Universidade, cedo me apercebi do conservadorismo e da pequenez de horizontes mentais da urbe. Mesmo na Universidade. Embora houvesse "malgré tout" uma interessante vida cultural devida ao esforço incessante da Associação Académica que foi ferida, cobardemente, na sua autonomia, pelo decreto-lei 40.900, de Lopes de Almeida, ministro da Educação na altura, e que fora lente em Coimbra.
As livrarias da Lusa Atenas não eram muitas e limitavam o seu acervo, pragmaticamente, a livros escolares e colaterais. Não havia ousadia na oferta, mas conservadorismo e oportunidade. Alfarrabistas, nem se fala: havia um, próximo dos Gerais, no caminho para o C. A. D. C., com umas pequenas estantes, na exígua loja, e duas ou três centenas de livros, a maioria escolares. Mas a meio da Rua da Sofia, e onde menos se esperava, havia uma loja poeirenta, de móveis usados, que tinha, quase sempre, alguns livros em segunda mão, e revistas. Foi lá que comprei a 1ª edição ( hoje com mais de 50 edições ) de "A Ceia dos Cardeais"( 1902 ), de Júlio Dantas, que terá pertencido a uma senhora, de nome Emília da Camara Leite, e que foi comprada, pelo carimbo, na Teves Adam, de Ponta Delgada, Rua do Conselheiro Hintze Ribeiro, 38. Como teria chegada o livro a Coimbra, não sei. Nessa loja de móveis usados, da Rua da Sofia, comprei também, talvez em 1962, três exemplares de "La Petite Illustration", de 1930, revista que se dedicava, como se diz na capa, a publicar novas peças de teatro, romances, poemas, etc. O nº473 é dedicado a Alphonse Daudet ( 1840-1897 ): "Pages Inconnues". Do escritor francês, eu tinha lido "Lettres de mon moulin" e acompanhara, em " O Cavaleiro Andante", as "Aventuras de Tartarin de Tarascon". Não sabia é que Daudet tinha sofrido, a partir de 1884, de ataxia, doença que se caracteriza pela gradual falta de coordenação de movimentos que afecta a força muscular e o equilíbrio. O escritor teve a coragem de descrever o progresso da doença em " La Doulou" ( A Dor), referindo: "Ma douleur tient l'horizon, emplit tout...". Foi isso que aprendi em "La Petite Illustration" que comprei no adelo da Baixa coimbrã.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Leituras Antigas III : "Coração" e "Falam os Animais"




A leitura destes dois livros está separada, no tempo, por cerca de 4 anos. O volume "Falam os Animais" (da colecção Milflores), escrito por Salomé de Almeida (1893- ?), está ainda com marca de posse, em meu nome, manuscrita por minha Mãe - ainda eu não sabia ler. "Coração" de Edmundo de Amicis (1846-1908), traduzido por V. de Magalhães, li-o por volta dos dez anos de idade: e gostei muito. Para ser justo, deveria juntar-lhes, talvez, "A Pátria Portuguesa" de Júlio Dantas (1876-1962) que representa, para mim, a mesma memória agradável de leitura. Embora Júlio Dantas seja mais apologético do que Edmundo de Amicis.
Quer "Falam os Animais", quer "Coração" foram editados pela Empresa Literária Universal (15, Rua da Hera, 17 - Lisboa). Creio que datam de finais dos anos 30. E, curiosamente, utilizam, nas capas, as flores como motivo de fundo.


P.S.: Para MR, que primeiro falou de "Coração", no Prosimetron.