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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Divagações 77


Se nos anos 30, as opções, para quem quisesse agir politicamente, tinham uma extrema bipolaridade (fascismo/comunismo), a terceira via dos anos 80 veio transtornar tudo e criar um indeterminismo de águas mornas, um eterno álibi, uma absolvição descansada e prometida de antemão.
Mas eis que, recentemente, essa bipolaridade, com novos contornos, se tem vindo a reacender, sobretudo em espíritos excessivamente juvenis onde, muitas vezes, a cegueira predomina. Estes espíritos leves e ligeiros ganham, assim, um peso irracional no fanatismo do futebol, nas fátimas de joelhos arrastados pelo chão, nos jihadismos animalescos, nos processos de praça pública que os mídia atiçam e provocam. Em suma, o essencial passa ao lado... A ponderação e a dúvida temporal deixam de existir ou são consideradas criminosas. Num justicialismo aberrante, todos acham que devem tomar posição. E de imediato. Atirar a primeira pedra parece ser um acto de fé, uma obrigação cívica, para estes pequeninos juízes de bancada, ululantes.
Não será, por isso, descabido de todo, citar Italo Calvino (1923-1985), que escreveu:
"Para mim, as ideias tiveram sempre olhos, um nariz, uma boca, braços e pernas. A minha história política é, à partida, uma história de presenças humanas."

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Algumas curiosidades sobre "Se questo è un uomo", de Primo Levi


Sendo como é, um dos livros incontornáveis do séc. XX, o TLS, da semana passada, dedica-lhe um extenso artigo de Ian Thomson, que conheceu Primo Levi. Alinhem-se algumas particularidades, que eu desconhecia, referidas por Thomson, a propósito de "Se questo è un uomo" (traduzido em português, por Se isto é um homem), que foi editado em 1947. Aqui vão:
- o livro, inicialmente, foi intitulado "No abismo" e, posteriormente, "Os afogados e os sobreviventes". Finalmente, o editor Antonicelli resolveu aproveitar um verso do poema Salmo de Levi, para título.
- a obra foi recusada por cinco casas editoras, uma delas com o parecer desfavorável de Italo Calvino.  Até que uma pequena e pouco conhecida editora de Turim, dirigida por Franco Antonicelli, aceitou publicá-la.
- a edição foi de cerca de 3.000 exemplares, mas vendeu-se mal, inicialmente. Enquanto, por exemplo, um livro de Italo Calvino saído, na altura, rapidamente esgotou os 6.000 livros que foram impressos.
- a capa da primeira edição de "Se questo è un uomo" recuperou um pormenor  da "Execução de 3 de Maio", de Goya.