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terça-feira, 3 de março de 2026

Steinn Steinarr (Islândia, 1908-1958)

 


Fim do Caminho 


Por fim após um dia pesado
termina o teu caminho. Sentado numa pedra
percorres com o olhar o panorama
um instante.

E recordas então
que uma vez, uma vez há muito tempo
começaste a caminhar deste mesmo lugar.


Spor í sandi, 1940 (Amadeu Baptista trad.)


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os nóveis nautas lusos


É o que está a dar!
O Gonçalo, pioneiro, foi à Índia. O Peixoto, melífluo mas ousado, à Coreia do Norte. E o hugo mãezinha, mais atávico por causa da Família, ficou-se por mais perto: aproou à Islândia, que ainda fica na Europa.
E, depois, todos fizeram, em verso ou prosa, relatórios detalhados das suas navegações.
É comprar, meus senhores, é comprar!... 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Imigração milagrosa


Um dos orgulhos dos islandeses é a sua aptidão e passado de marinheiros e pescadores. A pesca é também a única actividade florescente, desde a sua quase bancarrota em 2008. Mas as restrições internacionais a esta actividade, que de algum modo também tem evitado a adesão à U. E., que tem leis ainda mais restritivas para a pesca, provocam à Islândia grandes problemas.
Nos últimos 2 anos, no entanto, o aquecimento das suas águas marítimas, operaram um milagre. Densos cardumes de cavalas (Scomber scombrus) cercaram a ilha e prevê-se, na safra 2012-2013, a pesca de 123.000 toneladas deste peixe pequeno e apetecido. Os islandeses estão optimistas, mas sabem, pela sua longa experiência marítima, que esta benesse, vinda das águas, não será eterna...

sexta-feira, 11 de março de 2011

A indignação civil silenciada - Islândia


Lá em cima, quase no extremo norte do Mundo, no último andar, à esquerda, vivem uns seres humanos, normalmente loiros, algumas vezes, altos; muitas vezes, com olhos claros. Que, talvez por causa do frio, não param quietos, se incomodam, refilam e não se resignam: são os islandeses.
Filhos de deus, como nós, aqui há uns tempos (ainda se lembram?), foram vítimas da tentação consumista do sistema e, sobretudo, dos Bancos e agências de rating crapulosas e parasitas que nada produzem; objectos e bode expiatório da cólera de um deus menor, os islandeses foram atingidos pela implosão de um vulcão de nome esquisito e bíblico e, quase pior do que isto, pela bancarrota virtual. Para além da agiotagem "marcana" e daqueles rapazitos anoréxicos da Moody's, da Standard & Poor's e quejanda tropa fandanga do Universo, que estavam a morrer de tédio e sem nada para fazer de útil (ou inútil), a Islândia foi atingida pela insolvência, decretada pela ditadura económico-financeira mundial. Ultimamente, no entanto, deixou de se falar dos islandeses. Mas eles reagiram, positivamente, do seu sótão alto e frio, só que quase ninguém tem conhecimento disso. Estão irrequietos, atentos e vivos, até pelos sacrifícios e ignomínia a que foram sujeitos.
Será que o Google dá alguma pista sobre isso? Não.
A Associated Press tem informado? Também não.
A Reuters refere os acontecimentos recentes na Islândia? Não.
A Lusa fala deles? Claro que não.
Mas a sociedade civil islandesa não está quieta e mexe. Primeiro afastou o Governo, e votou outro de centro-esquerda. Depois, em referendo, aprovou que os Bancos não fossem reembolsados das "falcatruas" que provocaram. E, mais importante ainda, foi criada uma Assembleia Constituinte de 25 membros para reescrever a Lei fundamental islandesa, que data de 1944.
Já agora e em tempo, alguém saberá de uma insubordinação generalizada da sociedade civil, no estado americano do Winsconsin? Alguém estará devidamente informado sobre isto? As agências calaram-se que nem ratas. Os rapazitos das agências de notícias não sabem de nada. E os preclaros anoréxicos dos ratings estão entretidos, e deliciados, a fatiar o queijo flamengo do Euro. Porque, se não fosse isso, com certeza que já teriam declarado o Winsconsin insolvente, tinham-lhe baixado a nota, e reprovavam-no, no exame.
para ms.