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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Isabel 3 - Saramago 2



Em dias de luto nacional, a monarca inglesa ganhou ao nosso Nobel de Literatura. E empatou com Soares, Sampaio, Amália e Eusébio.
República laica, a nossa, não se pode dizer que não é generosa e mãos-rotas com outros regimes...

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Filatelia CXLVIII


(Ora vamos lá, humildemente, em nome da aliança velha e luso-britânica, contribuir para a mainstream do momento régio! O grande jubileu isabelino.)

São 70 anos em que o retrato, perfil ou efígie de Isabel II (1926) surge em tudo quanto é selo emitido pelo Reino Unido. Do acesso ao trono, em 1952, passando pela coroação a 3 de Junho de 1953, até hoje , é o mais longo reinado inglês, ultrapassando o da rainha Victoria (1819-1901). E, com certeza, a temática filatélica especializada mais frequente.


Se até aos anos 70 do século passado, de um modo geral, o número de emissões de selos britânicos era comedido, a partir daí a séries dispararam. Não só as comemorativas, mas também as emissões base, através das cores e tonalidades, selos fosforescentes ou não, e variações de produtos filatélicos para coleccionadores. Com o Platinium Jubilee, espero ainda o pior...



quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Mercearias Finas 151


O Mateus é mais velho do que eu. Rosé, quero dizer. Porque a colheita inicial, criada pela família Guedes, da hoje Sogrape, aponta o ano de 1942 para o seu nascimento enológico.
Contaram-me, mas não garanto a absoluta veracidade da história, que a sua promoção e marketing se fez de forma artesanal, embora intensa, inteligente e pertinaz. Entre outras oferendas, mandavam todos os anos uma caixa de garrafas do vinho para a família real inglesa. E, ao que parece, Isabel II habituou-se...
O lançamento das magnum Mateus Rosé, pomposamente, aconteceu no ano de 1978, no Zoo de Londres. Por essa altura, já Jimmy Hendrix, da mesma colheita (1942) estava conquistado e convencido. Mas também já morto.
Os Guedes diriam como Leonard Cohen: "First we take Manhattan!". Porque o resto dos marcanos vieram a seguir, acarneiradamente, como é costume. E os EUA são hoje o maior mercado do Mateus Rosé, neste nosso mundo.
Quanto a mim, o último rosé que bebi era da Quinta de Lagoalva. E também não fiquei freguês...

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Utilities


Entre pretendentes, como o de cá, e os efectivos estrangeiros, ainda há um ror deles por este mundo fora.
Dos asiáticos e alguns, raros, africanos coroados, pode dizer-se que alguns ainda exercem um restrito poder. Os restantes, europeus na sua maioria, são mera mobília decorativa de velhos palácios, observientes obsoletos de rituais caricatos para divertimento e gáudio de turistas, inspiradores de historinhas para crianças (muitas vezes adultas...), figurantes com lugar cativo em revistas rosadas, meras utilities reinantes.
Se Rainier ainda teve a utilidade de tornar o seu principado viável e rentável, financeiramente, através do jogo e do fisco, atraentes, se Juan Carlos contribuiu, em definitivo, no passado, para desmontar uma tentativa de ressurreição franquista, os seus descendentes revelaram-se meras caricaturas de poder inútil, quando não de circos iconográficos para o povinho ver, ou simples sustentáculos de trafulhices familiares.
De Isabel II, sabemos nós que serve apenas de leitora anual dos discursos que o seu primeiro-ministro lhe elabora, por tradição e ritual, formais. Será que a augusta senhora nada tem a dizer sobre o Brexit?
Se calhar ainda não pensou nada sobre isso, muito simplesmente...

domingo, 22 de abril de 2018

Filatelia CXXIII


Dificilmente saberemos, um dia, aquilo que Isabel II pensa da vida e do mundo. Ou mesmo do Brexit. E, embora, num tom irónico de um documentário que vi, recentemente, o jornalista refira que, em relação à biblioteca da Rainha, os livros parece não terem sido mexidos nos últimos 40 anos, dou o benefício da dúvida de que Isabel II, do alto dos seus 92 anos e da sua experiência de 66 anos de reinado, alguma sabedoria terá adquirido. Mesmo que leia pouco e que veja muita televisão. A crise do Suez (1956), a guerra das Malvinas (1982), a morte de Diana (1997), tê-la-ão, decerto, feito reflectir um pouco, pelo menos.



Também o Royal Mail sofreu profundas alterações, de 1952 até hoje. De uma gestão equilibrada em emissões de selos, gradualmente, passou a uma desenfreada política comercial, que se iniciou bem antes até da sua privatização. Por uma questão de justiça, refira-se a grande qualidade gráfica que se tem mantido, por entre ventos e marés, nas séries dos correios ingleses. Não creio que Isabel II tenha tido grande influência neste facto, muito embora a colecção filatélica da Casa Real britânica seja considerada como uma das mais completas e melhores do mundo, graças à paixão e empenho que Jorge V (1865-1936), seu avô paterno, distinto filatelista, lhe consagrou.




Hoje, data do aniversário de Isabel II (21 de Abril de 1926), o Royal Mail não se esquecerá, com certeza, de celebrar o facto, com uma condigna emissão de selos, alusiva à efeméride.


sábado, 8 de abril de 2017

Filatelia CXVIII


Não se peça a um coleccionador de selos que conheça  o nome dos artistas que desenharam os selos que ele vai juntando. Ao filatelista normal, isso passa-lhe normalmente ao largo...
E, no entanto, algumas vezes, o autor da maqueta e desenho da estampilha é um artista de fina sensibilidade e gosto. E o resultado, esteticamente, muito bem conseguido.
Nascido em Toulouse (França), Edmund Dulac (1882-1953), ainda jovem veio a naturalizar-se inglês, tendo executado grande parte dos seus trabalhos de ilustrador de livros na Grã-Bretanha. Obras das irmãs Brontë, Poe, Andersen, Shakespeare, entre tantas outras, foram enriquecidas pelos seus desenhos, em parte influenciados pelo traço dos pré-rafaelitas,


O que nem toda a gente saberá, e muito menos os filatelistas, é que foi Edmund Dulac o autor dos desenhos de grande parte dos selos ingleses emitidos durante o reinado de Jorge VI (1936-1952); e por aí se pode ver a qualidade do traço do artista. Também o desenho do pano de fundo, ou cenário, de um dos selos (1sh. 3p.) da emissão da coroação de Isabel II é de sua autoria.


Já em 1942, Dulac tinha contribuido, a pedido do Governo inglês e por solicitação do general De Gaulle, para a série da denominada Marianne of London. Do facto, não se esqueceram os correios franceses de emitir um selo comemorativo, em 1994, para celebrar essa efeméride patriótica.



O que foi, no fundo, uma forma simples, mas objectiva de divulgar a obra de Edmund Dulac.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Idiotismos 39


A fazer fé naquilo que afirma António Thomaz Pires, no seu Origem de várias locuções, adagios... (Elvas, 1928): "Os turcos cumprimentam-se uns aos outros, com : SALAMALAI KOM (a saúde vos acompanhe); destas palavras árabes veio a palavra salamaleque."
Actualizadamente, a expressão correcta será Salaam Aleikum, traduzível por: a paz esteja convosco. E a adaptação ao português, ou corruptela fazer salamaleques vale por um tratamento cortês algo exagerado.

domingo, 20 de novembro de 2016

Retro (90)

Há mais de 60 anos foi assim. Donde se poderão comparar as reverências e vénias. Não os diálogos, infelizmente...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Filatelia LXXVI


É o que se poderia chamar: uma multiplicação régia... 22 isabéis, é obra! O que vale é que há mais dois selos, para quebrar a monotonia. Recebi, ontem, este insólito envelope franqueado, da Inglaterra.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A rainha


O jornal "Le Monde", de 3/2/12, dedica um extenso artigo a Isabel II, a propósito do 60º aniversário da sua coroação. O periódico refere, entre outras coisas, que a rainha não abdica, nunca, da escolha pessoal, muito criteriosa, dos seus colaboradores mais próximos, quer sejam secretários, consultores ou damas de honor - que são 12. Não quer, por exemplo, homens com barba ou bigode, no seu séquito. (Embora o jornal não refira que as suas escolhas nem sempre foram acertadas. Anthony Blunt (1907-1983), seu consultor para Arte, veio a descobrir-se, em 1979, que trabalhava para o KGB. Mas realmente não usava barba, nem bigode...)
E "Le Monde" termina, muito british, dizendo que Isabel II não reina, de facto, senão sobre os cisnes, as baleias e os esturjões do seu reino. Um inglês, com humor, não diria melhor.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

David Hockney


Abriu recentemente e prolonga-se até 9 de Abril uma exposição de pintura de David Hockney (1937), na Royal Academy, em Londres. O pintor inglês, com a sua proverbial irreverência, tinha declinado há pouco o convite para retratar Isabel II, por ocasião do 60º aniversário da chegada ao trono. Disse, em resposta, que estava muito ocupado "a pintar as paisagens de Inglaterra. Seu país (dele e da raínha)". Mas, aos próximos, acrescentou que "preferia pintar pessoas suas conhecidas". A Tate Modern vai inaugurar, em meados de Abril de 2012, uma mega exposição da obra de David Hockney, consagrando a sua Arte.
Na foto da imagem, Hockney, tendo por cenário de fundo o quadro "The Arrival of Spring in Woldgate, East Yorkshire" (2011).  

domingo, 13 de novembro de 2011

Fotogenias...


Há pessoas que, em definitivo, nunca serão fotogénicas. Eu também não sou. E, com a velhice, a situação piora muito. Há que acentuar os cuidados e evitar os "alumbramentos" assustados, ou senis, das nossas expressões fotográficas. Muitas vezes, não há pose estudada e preparada que nos valha...
Consola-me estar em boa companhia, felizmente. O nosso Pretendente Duarte, nas fotografias, tem sempre um ar desasado, infeliz e deprimente. E Isabel II, pelo menos por esta amostra de Die Zeit, também não se ajuda muito a si própria, nem minimamente.
Cuidem-se!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Assassinato por entusiasmo


O título deste poste tem autor: E. M. Cioran. É um conceito que uso muito, porque é muito expressivo e define bem um tipo de sentimento apaixonado que carece de objectividade e medida. A imagem que escolhi tem legenda brasileira e também caracteriza esse sentimento de afecto exagerado: "abraço de urso". Dito isto, vamos ao cerne da questão. Porque me lembrei do conceito, a propósito do carinho que despertam, nos europeus, as personalidades americanas com matriz cultural europeia. Se acrescentar um nome, por exemplo, Woody Allen, tudo ficará mais claro. O realizador não é especialmente apreciado, na América, mas nós, europeus, quase todos o adoramos. O presidente Obama é outro caso sintomático de popularidade, fora de portas que excede, de longe, o afecto que a América lhe dedica. E não é só o povo europeu que o idolatra: basta ver o olhar embevecido de Isabel II (pese embora a idade), nas fotografias, para chegar à conclusão, que o fascínio parece ser transversal e o "assassinato por entusiasmo", colectivo. Eu até compreendo, ou tento perceber: com tanta mediocridade a governar a Europa, um estadista, um pouco acima da mediania, até sobressai - ainda para mais, porque é alto...
Mas deve ser feito um aviso à navegação: não se peça demais ao Sr. Obama, ele é de carne e osso, talvez seja bem intencionado, mas está onde está, também, para tratar da sua vidinha e da vidinha dos seus... Não o matem por entusiasmo, please!...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Filatelia XXII : Rainha Victoria (Inglaterra)


Nascida a 24 de Maio de 1819, Victoria subiu ao trono em 1837, foi coroada Imperatriz da Índia no ano de 1877 e veio a falecer em Janeiro de 1901, cumprindo assim o mais longo reinado de Inglaterra, por via feminina. A sua trineta, Isabel II terá de reinar até 2015, para bater o recorde da Rainha Victoria. Foi no reinado de Victoria que a Inglaterra iniciou, como pioneira, o uso de selos de correio, em 1840, com o "penny black", que se mostra, na imagem, na primeira linha. E usando, sempre, a efígie de Victoria, em efígie, situação que tem sido respeitada, na Inglaterra, com os reis que se lhe seguiram, até hoje.

Nota, e em tempo: por qualquer exquisitice ou Alzheimer progressivo do Google, não tenho conseguido re-comentar as observações de Amigos e visitas no Arpose. Que me desculpem. Eu é que não posso perdoar, de maneira nenhuma, esta falta de profissionalismo e eficácia googlesca, e grotesca duma empresa (?) do século XXI...  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Civilidade (4) : beija-mão Real


"...Apenas se faculta a licença para o Beija-mão, irá seguindo na mesma linha os que vão adiante, fazendo ao entrar huma leve cortezia ao Mestre Sála, Esmoler Mór, e Camaristas, que estão defronte de El-Rei. Chegando junto á Magestade, lhe faz huma genuflexão, que consiste em dobrar hum pouco ambos os joelhos, ficando o corpo direito, e immediatamente pondo hum joelho em terra, lhe beija a mão; e levantando-se, torna a fazer-lhe outra genuflexão, como a primeira, e voltando sobre o lado direito, vai sahindo para fóra com muita gravidade. Dando quatro, ou cinco passos, se vira de todo para El-Rei, e lhe faz a segunda continencia, curvando, como disse, os joelhos; e para os Camaristas, que lhe ficão então fronteiros, huma leve inclinação; e voltando, como primeiro, dá os passos, que restão até á porta, por onde se sahe da sála, e dahi faz a ultima genuflexão á Magestade, e a segunda reverencia aos Camaristas, que lhe ficão ao lado, principiando daquelle, em que acabou na primeira cortezia até os ultimos; o que se pratíca igualmente nos Beija-mãos das Rainhas, e Princezas com as Damas, e Senhoras, que lhes fazem a Côrte. ..."

Padre D. João de N. Sra. da Porta Siqueira, in Escola de Política ou Tratado Practico da Civilidade Portuguesa com as regras... (4ª ed., Porto, 1803)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Principes de Gales sexagenários



Passam hoje exactamente 100 anos sobre a morte de Eduardo VII que emprestou o seu nome a um dos mais equilibrados e bonitos parques de Lisboa. A sua subida ao trono inglês deu-se quando tinha quase 60 anos, mercê do longuíssimo reinado de sua mãe, a Rainha Victória que morreu em Janeiro de 1901. Eduardo nascera a 9 de Novembro de 1841. Foi até há bem pouco tempo o titular recordista como Príncipe de Gales. Agora, para o Guiness,o novo recordista é o Príncipe Carlos, filho de Isabel II, que no próximo Novembro fará 62 anos. Com a longevidade das raínhas inglesas é bem possível que Carlos não chegue nunca a ser rei...