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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Ponto de ordem à mesa

 
Tivemos hoje uma visita da Universidade Católica Potuguesa, embora só por 13 segundos, mas que muito nos honrou. Deus a abençoe!

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

domingo, 19 de janeiro de 2025

3 fragmentos, algo irónicos ou surrealistas,, de Karl Kraus (1874-1936)



1. Tive uma visão horripilante: vi uma enciclopédia aproximar-se de um sabe-tudo e abri-lo.

2. O filósofo pensa da eternidade para o dia, o poeta, do dia para a eternidade.

3. Não ter um pensamento e saber exprimi-lo - é isso que faz o jornalista.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

3 aforismos (irónicos) de Karl Kraus

 

1. As conversações de barbeiro são a prova irrefutável que as cabeças existem por causa dos cabelos. (pg. 58)

2. A vida familiar é uma intromissão na vida privada. (pg. 60)

3. O uso de palavras pouco usuais é um vício literário. Só se deve atrapalhar o público com dificuldades intelectuais. (pg. 107)


Karl Kraus (1874-1936), in Aforismos.

sábado, 21 de setembro de 2024

Desabafo (91)

 
O que mais me enterneceu nas notícias sobre o episódio do faroeste escolar ocorrido em Azambuja foi a delicadeza democrática das pinças com que os jornalistas lusos trataram a criancinha de 12 anos, que já estava a ser acompanhada por um psicólogo, embora não informassem se este profissional também usava colete à prova de bala. Nada disseram porém sobre os inefáveis pais da criatura agressora nem sobre as vítimas feridas e hospitalizadas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Ironias

 
Recente observação que fiz, pela inversa interpretação que o outro dela fez, levou-me a pensar nas consequências que a ironia muitas vezes provoca. Se acerta e é bem compreendida, galhofa comum, se não, vontade de rir disfarçada, pelo menos da parte do produtor da ideia. Mas também podem ocorrer equívocos complicados, com criaturas menos subtis de entendimento. E pode vir a ser deveras grave o resultado...
Cada um terá a sua ironia. A de Eça era mais linear, a de Camilo, talvez mais dissimulada.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Uma máxima pragmática



Respeite-se o campo e ame-se a paisagem. É esta a atitude mais nutritiva.

Karl Kraus (1874-1936), in Aphorismen.


domingo, 9 de julho de 2023

O bom selvagem...


Estávamos nós, serenamente, no ripanso aprazível e guloso de um almoço de sardinhas assadas e de um entrecosto muito bem grelhado, quando, na mesa ao lado, um pivete de 3 ou 4 anos começou a bater na mãe por uma qualquer desintelingência sem importância de monta. A reacção da progenitora foi nula - apanhou apenas. Quando o pai chegou, pouco depois, o pirralho começou a gritar com ele, pelo mesmo motivo - nada de acção ou resposta paterna, também...
Só faço votos para que, mais tarde, o catraio selvagem quebre alguns ossos dos progenitores, na devida proporção da boa educação que recebeu, e como recompensa. Lá dizia o anarco-surrealista, em jeito de provérbio extravagante: "bate na tua mãe enquanto é nova", para não lhe partires a ossatura frágil (acrescentava eu) quando for velha.

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Grandes tiradas



Eis um potencial candidato em tirocínio para meteorologista. Quem perde são os museus nacionais... Ou não?

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Insurgência militante


A primeira virtude a abandonar-nos, com a idade, é normalmente a caridade, sobretudo por falta de paciência e disponibilidade. Ou cepticismo. Até porque, segundo dizem os manuais cristãos, o reino dos céus é dos pobres de espírito, e essa nossa omissão poderá eventualmente ajudá-los a lá chegar.
Que isto lhes sirva de compensação eterna. Como a uma pedinte romani, ainda jovem, que mendiga sentada junto às escadas da igreja do Loreto (no Chiado), lhe deve servir o telemóvel e os Marlboro extra-longos, que vai fumando para se entreter, enquanto exerce a sua actividade quotidiana.

domingo, 30 de abril de 2023

Chapéus há muitos...


Os últimos a aderirem ou converterem-se foram Manguel e Zimler. Nos anos 60, eram os cachimbos os adereços preferidos para as poses mais foleiras.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Impérios...



De Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre (1900-1987), a páginas 193, cite-se:

"Foi o que sucedeu, estancadas as fontes asiáticas de opulência. Longe de conformar-se com uma viuvez honesta, de nação decaída como mais tarde a Holanda, que depois de senhora de vasto império se entregou ao fabrico do queijo e da manteiga -, continuou Portugal, após Alcácer Quibir, a supor-se o Portugal opulento de D. Sebastião vivo. A alimentar-se da fama adquirida nas conquistas do ultramar. A iludir-se de uma mística imperialista já sem base. A envenenar-se da mania de grandeza."
...

Nota pessoal: é minha convicção que a estratégia educacional estadonovista contribuiu para reforçar esta ideia epopeica, de forma manifesta.

sábado, 26 de novembro de 2022

Sobe e desce


Quem sonharia, aqui há cem anos atrás, na frondosidade galopante do número e carreira de informáticos? 
Entretanto, hoje, há um notório défice na arte dos canalizadores, dos picheleiros e electricistas; embora vá de vento em popa o progresso activo do número dos nutricionistas, dos arrumadores de automóveis e dos psicólogos, estes últimos sobretudo a nível dos estabelecimentos de ensino. 
Haja saúde!

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

A vingança do chinês

 

Medeiam quase exactamente 80 anos entre o nascimento de Lord Mountbatten (1900-1979), que foi o último vice-rei da Índia (inglesa), e o novíssimo primeiro-ministro britânico Rishi Sunak (1980).
Até parece o mundo às avessas, mas eu imagino que, se a rainha Victoria ressuscitasse, havia de sorrir ao saber.

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Citações CDXLI

 


Os homens políticos avaliam o seu poder pelo número de favores que lhes pedem. Por isso não será necessário temer importuná-los com uma cunha; eles medem por aí a sua força.

Maurice Druon (1918-2009), in Le Pouvoir.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Desabafo (68)



Já não nos bastava o choramingas do mãezinha caxineiro, e agora vem este artista também a lacrimejar... 
Lá vai Veneza afundar-se ainda mais!


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Puerilidades


O Google continua a usar iconografia infantil para ilustrar as suas efemérides, aos utentes. No caso vertente de hoje com uns bonecos tipo desenhos animados para anunciar o início dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Das duas uma, ou acha que se está a dirigir só às criancinhas ou então o departamento gráfico do Google é composto por elementos com uma idade mental muitíssimo jovem... 
A ver se crescem!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Antologia 8



Será porventura uma Antologia mais extensa do que o habitual, mas Camilo Castelo Branco (1825-1890) foi, como se sabe, um autor muito prolífico, e bem merece. Aí vão os excertos:

A mentira no romance é uma nodoa, que nausea o publico ilustrado. Alexandre Dumas, escrevendo um romance intitulado «Martim de Freitas», obrigou este heroe a desembarcar em Mafra, nomeou-o alcaide do Castello da Horta, e fez nascer D. Sancho II na Palestina, onde foi baptisado por um tal monsieur d'Evora, arcebispo de Leiria! É uma cornucopia de asneiras este litterato, falando de Portugal.
(Scenas contemporaneas, 2ª edição, pg. 136)

Disse-me que em 18 mezes de namôro apenas lhe dera um osculo. Acreditei. Era assim que se amava em 1845. Os mais atrevidos davam dois osculos.
(Maria da Fonte, 1ª edição, 1855, pg. 361)

A respeito da assignatura pouco legivel dos reis constitucionaes, quer caligraphica quer orthographicamente, padre Casimiro póde citar o exemplo de um querido rei absoluto que, chegado á adolescencia, assignava-se Migel, num bastardinho de traslado com finos e grossos tão claros e legiveis que logo se conhecia que as cinco lettras diziam Miguel.
Já o seu inclyto avô, o snr. D. Affonso VI apprendêra a fazer o seu nome quando casou.
(Maria da Fonte, 1ª edição, 1885, pg. 387)

... e, a este proposito, repetiam as memorandas palavras do senhor Ferrer, lente de direito natural (Coimbra), aos seus discipulos: «meus senhores, quem não puder ser doutor, seja sapateiro.»
(Estrellas Propicias, 1ª edição, pg. 18)

A mãe de Tiburcio, assim que o padre transpoz a porta do carro, fez um trageito de ante-braço e mão que lá chamam «manguito». É um gesto anguloso que exprime mudamente todos os desdens e ironias figuradas da rethorica; não se acha assignalado como indecente nos compendios de civilidade, mas ainda não está bastante usado em desavenças de deputados nas salas das sessões onde se fazem as leis e os manguitos para a nação; usa-se, todavia, nas aldeia como expressão de solercia e fina velhacaria.
(Narcoticos, 1882, I, pg. 150)

Ninguem corteja, em distracção, um homem que apresenta letras de cento e vinte contos. A presença d'um millionario ensina mais cortezia que um compendio de civilidade...
(Vingança, 4ª edição, 1907, pg. 15)


quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Divagações 176


A ironia, usada no dia a dia, pode ser, pela minha experiência pessoal, uma fonte de equívocos, ou até, por extremo limite, causar danos irremediáveis numa relação humana. Aliada à atenção, sensibilidade, mas creio que também à inteligência, essa figura de estilo tem que se lhe diga, e temos que ter em conta os interlocutores em presença, ao utilizá-la. Se Camilo e Eça abundantemente dela se serviram e, no último dos escritores, ela se torna mais perceptível, a ironia camiliana nem sempre é muito evidente nas suas novelas e romances: há que catá-la com mais atenção, numa leitura cuidadosa.
Quanto a nós, sem veleidades literárias, quotidianamente, teremos dela que fazer um uso parcimonioso, para não sermos mal interpretados, como muitas vezes acontece...

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Desabafo (64)



Legenda comum sugerida por um conservador reaccionário, para estas 2 imagens da ípsilon de hoje:

Quanto mais palermas parecermos, mais atenção concitaremos, por parte dos bimbos bem-pensantes.


Será este tipo de iconografia um bom e caridoso exemplo da democratização da arte, tornando-a acessível  ao entendimento de qualquer bicho-careta?