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terça-feira, 27 de agosto de 2019

Arquivo morto


Nem todas as histórias infantis são para crianças. Lembro-me de, em tenros anos, ter lido algumas que me deixaram uma desagradável impressão. Creio que uma delas tinha por título A Princesa dos sapatos de ferro, ou qualquer coisa assim parecida... Não me lembro, porém, do nome do autor. Mas recordo que o conto tinha ilustrações de Augusto Gomes.
Este pequeno trecho de Ilse Losa (1913-2006) foi mandado para o extinto JL&L, em 1989, através do meu amigo A. de A. M., acompanhado de um post-it, a ele endereçado, como se pode ver na imagem. Não sei se chegou a ser publicado, ou se está inédito, mas também me parece que é uma história para adultos e menos para crianças.



com agradecimentos a A. de A. M..

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Recomendado : setenta e quatro - Ilse Losa (1913-2006)


Editado pela Afrontamento (Porto), em Março de 2018, sob coordenação e prefácio de Karina Marques, o volume Ilse Losa : estreitando os laços é uma bela homenagem à escritora de origem alemã, que veio enriquecer as letras portuguesas. Não só pelo cuidado estético posto na edição, mas também pelo rico e extenso conteúdo. Apenas um senão: muitas das referências em língua alemã estão gralhadas. Uma revisão mais minuciosa e competente tê-las-ia evitado...
Mais do que as cartas e postais de Ilse Losa, são as inúmeras missivas dos seus confrades que abundam no livro. De Almeida Faria a Eugénio de Andrade, de Jorge de Sena a Óscar Lopes, passando por Irene Lisboa, Matilde Rosa Araújo e Maria Lamas. Destacaria sobretudo uma carta de Eugénio de Andrade (pgs. 76 a 81) em que este se defende, justificadamente irado, da imaginação delirante de Cesariny, que o acusou de lhe plagiar alguns versos.
E também duas cartas trocadas (pgs. 254 a 266) entre Mário Dionísio e Ilse Losa, donde ressaltam a sinceridade crítica do metodólogo e a humildade límpida, mas argumentativa, da Escritora.
Deste livro ressumam, aqui e ali, queixas sobre os editores, principalmente, nos parcos e sempre atrasados pagamentos aos autores, nos problemas causados pela Censura, as pequenas tricas do meio literário pequeno e português. E, quem diria, a gula de alguns escritores em serem traduzidos e publicados no estrangeiro, sobretudo na Alemanha, em que Ilse Losa funcionava como importante veículo intermediário.
Não quero deixar de referir que a capa da obra ostenta o conhecido desenho-retrato, que dela fez Júlio Pomar.
Para quem quiser ter uma ideia documentada da segunda metade do século XX português e do seu meio literário, este livro é uma referência importante e imprescindível. Por isso, o recomendo.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Leituras e ocorrências dispersas acontecidas na manhã - miscelânea


Ainda não é desta que eu faço as pazes com a ficção. Tenho à minha espera umas Crónicas (Em Minúsculas) de Herberto Helder, que vou buscar amanhã. E encomendei, na Livraria Escriba, a Correspondência, de Ilse Losa (Estreitando Laços, da Afrontamento), bem como Memórias Secretas, de Mário Cláudio, editadas pela D. Quixote, cuja primeira edição esgotou rapidamente.



Depois de, sem eu dar por ela, no supermercado, me terem impingido, subrepticiamente, uma carteirinha com 3 decalques infantis por que paguei 9 cêntimos, fico surpreendido, através do cartoon de Luís Afonso, no Público, com um novo lobby que está a imiscuir-se, como quem não quer a coisa, nas Escolas: o das inefáveis nutricionistas. Como se não bastassem os psicólogos...



E parece que os diplomatas lusos, no seu melindre de finas rendas e sensibilidade ociosa de croquete, amuaram com o nosso PR, pelas loas que ele teceu, por comparação, ao nosso salvador da Eurovisão, que usa carrapito e tem aquela voz delicodoce e retorcida de pardalito implume.

Ora, cuidem-se!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ilse Losa (1913-2013), quase esquecida?


Não fora MR, no Prosimetron, e também eu me teria esquecido do centenário do nascimento de Ilse Losa, que passou a 20 de Março. Escritora portuense de adopção, mas nascida na Alemanha, discreta mas de escrita firme onde abordou, maioritariamente, memórias e recordações. Autora também de livros para crianças, onde um humor subtil, às vezes, se cruzava com universos sensíveis e mágicos.
A capa de "Encontro no Outono", em imagem, de João da Câmara Leme, sempre me lembrou os pequenos pinhais dispersos (ainda lá estarão?) de Esposende, onde ela costumava passar férias, com a Família, e se juntava, na preferência, a Agustina.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ilse Losa, de viagem


Até pouco depois de meados dos anos setenta e, com particular incidência, nos anos 50 e 60, a publicação de livros de viagens, por parte de escritores portugueses, era abundante. Estou-me a lembrar, por exemplo, de "Embaixada a Calígula" por Agustina, "Jornadas na Europa" de Urbano Tavares Rodrigues, "Descobri que era Europeia" de Natália Correia, entre outros livros.
A partir dos anos 80, creio, e muito embora o tema Viagens tenha ganho foros de alforria e destaque, até numa importante cadeira universitária ("Literatura de Viagens"), a edição deste tipo de livros decaíu, substancialmente. A Universidade, em Portugal, vai sempre muito atrasada em relação à realidade, habitualmente...
Entenda-se que, nos finais do séc. XX, as viagens se foram democratizando. Melhores salários, em geral, inter-rail para a Juventude, viagens aéreas low-cost, o programa Erasmus. Conhecer o estrangeiro passou a ser, quase, normal, até entre os jovens. Não falemos de Cancun ou da Praia das Galinhas, por uma questão de caridade cristã...
Em conclusão: o tema Viagens perdeu força e interesse, na leitura. Foi por isso talvez que, ontem, resolvi comprar, num alfarrabista amigo ( o Bernardo), um livro que desconhecia da bibliografia de Ilse Losa (1913-2006), escritora discreta, esquecida, mas que, afectuosamente, estimo. O livro intitula-se "Ida e volta, à procura de Babbitt", e fala de uma viagem aos Estados Unidos (1959) desta escritora nascida na Alemanha, de origem judaica, naturalizada portuguesa, que se fixou (1934) e casou, no Porto, com um arquitecto português, e de quem teve duas filhas. É também autora de histórias infantis muito interessantes e que revelem uma sensibilidade generosa e atenta aos outros.
O livro de viagens de Ilse Losa lê-se bem... Embora a surpresa ingénua da descoberta da modernidade da sociedade americana, que se nota na escrita de Ilse Lose, hoje, na época da globalização, quase nos faça sorrir. Julgo que este livro nunca foi reeditado. Mas estou a lê-lo, com muito agrado.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O castanheiro de Anne Frank, como motivo


O "Diário de Anne Frank" publicado pelo pai, em 1947, que foi o único sobrevivente da família - morta em campos de concentração - , foi um livro de leitura transversal a muitos jovens, e das obras mais traduzidas no mundo. Em Portugal, traduziu-o Ilse Losa, para a Livros do Brasil.
Na ausência de notícias mais importantes, o jornal "Público" de hoje, na última página, destaca e refere a morte definitiva e queda, motivada por uma tempestade em Amesterdão, do castanheiro secular que Anne Frank, quando escondida com a família, num sótão, para escapar aos nazis, via da sua janela. Fala dele, aliás, algumas vezes, no seu diário ("O castanheiro está coberto de flores e acho-o ainda mais belo do que no ano passado", 13/5/1944). Na sua existência limitada e claustrofóbica, em plena adolescência, era um sinal de beleza e mudança.
As árvores foram sempre portadoras de esperança, tiveram valores simbólicos e eram, muitas vezes, sinal de estabilidade e permanência na mudança (vida/morte), ao olhar humano, e apoio à imaginação devota. Da árvore de Jessé à figueira de Judas, do carvalho de Guernica (que inspirou a Wordsworth, em 1810, um poema: "Oak of Guernica! Tree of holy power..."), resistente ao bombardeamento de 1937, até à oliveira da Colegiada de Guimarães; do olmo de Antonio Machado ("Al olmo viejo hendido por el rayo / y en su mitad podrido...") à azinheira de Fátima, as árvores perpetuam-se no coração dos homens. Ou na adolescente e vibrante esperança de Anne Frank. Mas os homens envelhecem e morrem, algumas árvores conseguem ser centenárias e, mesmo, milenares. Parecem eternas aos homens, ou para usar palavras e lembrar Sá de Miranda:

"...Eu vira já aqui sombras, vira flores
vi tantas águas, vi tanta verdura,
as aves todas cantavam d' amores.

Tudo é seco e mudo; e, de mestura,
também mudando-m'eu fiz doutras cores;
e tudo o mais renova: isto é sem cura."

P. S.: para c. a., que anda a reler Sá de Miranda. E faz muito bem.