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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Paisagem urbana e paisagem ribeirinha, numa tarde de Sol


Entre o cavalheiro inteiriçado no seu capote alentejano, que vi passar junto à Igreja dos Mártires e a flexibilidade aérea do pato selvagem, negro, sobre o Tejo, só a cor da cobertura exterior era a mesma. E, entre a visão de cada um , medearam quase duas horas. Em ambos os casos, o Sol teve efeitos diferentes.
O cavalheiro, apesar de agasalhado, ia rígido e tenso, como se fosse com frio e desconforto. Quanto ao pato selvagem, ao Sol das 15h00, mergulhou deliciado nas águas do Tejo, e pôs-se a espanejar as asas. E por lá ficou...
O capote alentejano seguiu em direcção ao Camões. 

sábado, 11 de dezembro de 2010

Os lugares cativos


Que os cegos são, por vezes, transaccionados já eu sabia, porque José Cardoso Pires o escrevera num conto. E também me tinha apercebido de um "pastor" de cegas, que chegou a ter duas: uma loira e outra morena. Mas agora, quando o vejo, anda sempre sozinho. Se calhar, trespassou-as...
Mas hoje, de manhãzinha, apercebi-me de uma velha, de "paupérrimas feições" (G. Rosa), que perseguia, com ar ameaçador, uma cigana romani, gritando-lhe:"- Vai-te embora, vai-te embora!, que tu não és daqui!" A cigana, ainda jovem e de olhar atrevido, apressava o passo, afastando-se.
Já de tarde, vindo eu da rua Anchieta, ao passar pela Igreja dos Mártires, vi de novo a velha pedinte (?), com nariz de bico de papagaio. Estava sentada nos degraus do lado direito e ameaçava, em surdina, um pedinte (?) louro, ainda novo, que se preparava para sentar do lado esquerdo. Dizia-lhe:
"- Deixa, deixa, que alguém há-de vir fazer-te a folha!..."
Pois é, hoje em dia, tem que se defender o posto de trabalho, e lutar por ele.