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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Para grandes males, grandes remédios...


As desculpas esfarrapadas de um tal Ramalho, CEO do Novo Banco, por causa de umas vendas de imobiliário, ao desbarato, do ex-património do BES, fez-me lembrar o brilhante (por causa do gel) Horta Osório, bancário estrangeirado célebre - apesar das depressões - de que a ramalhal personagem foi ajudante menor e obrigado, em tempos. Ou seja, o Ramalho é da escola do Osório.
Estas luminárias, perante a crise de um Banco, têm sempre os mesmos remédios e igual falta de imaginação, para os salvarem: encerram agências, despedem pessoal, aumentam as comissões aos clientes e vendem património ao desbarato (de preferência a amigos ou confrades). Tudo chapa zero...
Para minha grande surpresa, a santa madre igreja portuguesa também não tem muita imaginação e usa dos mesmos fármacos. Até me fez lembrar o escritor inglês Somerset Maugham (1874-1965) e um dos seus melhores contos, intitulado "O Sacristão", em que um dos dois acólitos, de uma igreja inglesa, é despedido para contenção das despesas da paróquia. A desculpa, que o prior lhe dá, é ele ser analfabeto. O facto é que esse sacristão ficcionado serviu a igreja vários anos, sem que isso constituísse impedimento de maior.
Fátima, embora com eufemismos também blandiciosos, prepara-se para fazer o mesmo.
Francamente, ó D. Manuel Clemente!...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Curiosidades 47 : liturgia nacional


Até meados do séc. XX, e desde o início de Portugal, a hagiografia nacional, e mesmo regional, foi-se acrescentando, mais e mais, bem como as festas de santos considerados portugueses. O maior impulso foi dado no reinado de D. João V que obteve licenças pontifícias para celebrar mais festas litúrgicas. Muitas vezes, no entanto, estas celebrações não tinham razão suficiente, porque se baseavam em pressupostos lendários de duvidosa certeza ou até na existência não fundamentada de santos obscuros.
Esta proliferação de festas litúrgicas e celebração de santos "lendários" cessou em 1960, com a intervenção do papa João XXIII que mandou averiguar, rigorosamente, e restringir estas manifestações pouco credíveis. A partir desta data, as celebrações religiosas de raiz e carácter nacional passaram a ser apenas as seguintes:
- 16 de Janeiro: Santos Mártires de Marrocos.
- 19 de Janeiro: S. Gonçalo de Amarante.
- 4 de Fevereiro: S. João de Brito.
- 13 de Fevereiro: as Cinco Chagas de Cristo.
- 18 de Fevereiro: S. Teotónio.
- 12 de Maio: Beata Joana.
- 10 de Junho: Santo Anjo Custódio de Portugal.
- 13 de Junho: Santo António de Lisboa.
- 20 de Junho: Beatas Sancha, Mafalda e Teresa.
- 15 de Julho: Beato Inácio de Azevedo e Companheiros.
- 16 de Julho: Nossa Senhora do Carmo.
- 27 de Outubro: Beato Gonçalo de Lagos.
- 6 de Novembro: Beato Nuno - hoje, Santo. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Homo homini lupus (Homem lobo do homem)


Cruzam-se notícias. Entre o "injusto, indecente, desproporcionado (modelo económico)..." referido pelo prateado e fleumático bispo Carlos Azevedo, pressionado pela quase rotura financeira de delegações de apoio social, orientadas pela Igreja; e entre os "925 milhões de famintos no mundo", número divulgado pela FAO; mas ainda, e por outro lado: (em Portugal) "em 2009 se ter atingido um novo recorde de aberturas de centros comerciais..."
Quando saí, esta manhã, deparei com uma velha mulher andrajosa a vasculhar com um pau o contentor do lixo. Como em Dezembro de 2005, desembarcado cerca da meia-noite, entre a Av. da República e a Av. E. U. da América, dei de caras com um grupo de 4 ou 5 emigrantes em volta dos contentores de um supermercado.
Um sexto faminto (?) aproximou-se, pé ante pé, lentamente. O grupo do leste, quando o viu, já próximo, correu-o à paulada...