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sábado, 15 de fevereiro de 2025

Uma fotografia, de vez em quando... (193)



Nascido em Nova Iorque, e oriundo de uma família judaica, o fotógrafo Arnold Newman (1918-2006) destacou-se sobretudo pelos retratos que fez de celebridades. Preparava os enquadramentos de forma minuciosa. Trabalhou para a revista Newsweek, mas talvez a sua obra mais famosa seja o retrato que fez de Igor Stravinsky, ao piano, e que, insolitamente, foi recusado pelo magazine Harper's Bazaar.




sábado, 23 de fevereiro de 2019

Divagações 142


Se algumas, raras, vezes um poste pode ser uma discreta vontade de diálogo com outro poste que vimos e lemos num blogue alheio, a maior parte deles resulta de uma vontade pessoal de tomar posição perante um facto, uma pessoa, um acontecimento que não nos deixou indiferentes.
Por outro lado, romper o nosso silêncio encasulado pode resultar de um irreprimível desejo de partilha com os outros (ainda que anónimos) de uma emoção ou sensação demasiado agradável que não pode só restringir-se às restritas paredes do nosso pequeno universo.
Eugénio de Andrade exprimiu isso, em verso, de uma maneira admirável e para sempre: "...De coisas que te dou/ para que tu as ames comigo..."
Não tenho grande memória para a Música. Melhor dizendo, consigo reconhecer e situar uma melodia, às vezes, quando a volto a ouvir, mas tenho enorme dificuldade em me lembrar, por exemplo, de quem a interpretou, quando e onde.
Se tenho a certeza que vi, ao vivo, execuções de Braga Santos e de Stravinsky, este último no Coliseu, já não estou seguro de ter assistido a interpretações de Maria João Pires, muito embora seja altamente provável tê-la ouvido na Gulbenkian, nos anos 60 ou 70.
Tudo isto para deixar escrito, aqui no Arpose, o nome de Sequeira Costa (1929-2019), que ontem nos deixou. E que era um homem discreto e sério, para além de ser um notável pianista português.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Pinacoteca Pessoal 137


Fracos recursos económicos, do ponto de vista familiar, não permitiram ao pintor russo Aleksander (Jakovlevic) Golovin (1863-1930) completar os seus estudos em Belas Artes, tendo-se iniciado cedo na profissão de aderecista e trabalhado para Diaghilev e Stanislavski. A primeira representação do Pássaro de Fogo, de Stravinski, contou também com a sua colaboração, nos cenários.


Em 1901, projectou com um colega o pavilhão russo da Exposição-Feira de Paris. Entretanto foi aperfeiçoando a sua técnica de paisagens, em que se destaca o Silver White Willow, de 1904. Bem como inúmeros retratos, de conhecidos, amigos e clientes. De realçar, o retrato da Sra. Sliozberg, executado em 1921, pela serenidade e harmonia estética que dele emana.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Pequena história (5) : Stravinsky sobre a música de Schubert


"Perguntaram a Stravinsky se as dilações (longueurs) de Schubert não o adormeciam:
- Que importa, respondeu ele, se quando acordo, penso que estou no paraíso."

apud "Schubert" (solfèges/seuil, 1957) de Marcel Schneider. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Osmose (17)




Sérgio dirige-se para as prateleiras dos CD's, sem opções pré-concebidas sobre o que vai ouvir. Por muito que domine o seu chip pessoal, por vezes, não sabe o que, concretamente, irá escolher ou aquilo que precisa de ouvir: jazz, Mahler, fado, Stravinsky, Trenet, Haydn...Barroco ou romântico? Suave ou a roçar o tom épico das marchas militares? Só perante as lombadas dos discos se vai apercebendo em que estado de espírito se encontra. Retira, então o CD e põe-no a tocar. Relaxa e acende o cigarro. Estende as pernas ao comprido e pergunta-se: "- Quem disse que a poesia era a mais nobre das artes?", e responde, em paz consigo mesmo e convicto, para si próprio: "- Enganaram-se redondamente. É a música."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dylan Thomas, em sequência (II)


Dylan Marlais Thomas (1914-1953), galês, cuja poesia foi sempre escrita em inglês, é ainda hoje um poeta que divide a opinião dos críticos literários. Uns consideram-no um dos melhores poetas do séc. XX inglês, outros acham-no excessivamente retórico e demasiado popular.
Certo é que Igor Stravinsky compôs o "In Memoriam of D. T.", Donovan e John Cale o cantaram e, mais recentemente, em 2000, António Lobo Antunes publicou um livro cujo título sugere, de imediato, (apesar da ligeira mudança de algumas palavras) o início de um dos mais célebres poemas de Dylan Thomas - "Não entres tão depressa nessa noite escura". É precisamente esse poema que iremos traduzir, desse galês de vida excessiva que morreu aos 39 anos, em Nova Iorque.
No poema, sem título, Dylan Thomas incita o pai, octogenário, frágil e quase cego (mas que fora um homem robusto e forte), a resistir, com raiva, à morte - lutando, como fizera toda a sua vida. O poeta utilizou, na composição, a forma "villanelle", frequente em França, no séc. XVI, e que tem um esquema rimático simples. Seis estrofes, cinco das quais são tercetos com rima "aba"; a sexta e última estrofe, uma quadra, com a rima: "abaa". Na tradução, que se segue, não respeitei esse esquema rimático, tentando, no entanto, trair o menos possível o espírito do poema.

Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente,
A velhice deveria arder com raiva até ao fim do dia;
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

Embora os sensatos saibam que a treva os espera,
Porque as suas palavras já não têm o fulgor de outrora
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.

Homens bons, submersos na última vaga, invocando
As suas débeis façanhas que ondulam na verde baía,
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

Homens rudes que prenderam o sol e o cantaram no seu voo
E aprenderam, tão tarde, como lhe ofenderam o destino,
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.

Homens sérios, perto da morte, que vêem no olhar turvo
Da cegueira como podem arder, meteoros, e ser felizes,
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.

E tu, meu pai, aí nas tristes alturas, amaldiçoa,
E abençoa-me agora com as tuas lágrimas ardentes, peço-te.
Não vás p'la noite mansa, assim, tão complacente.
Raiva, raiva contra a luz que vai morrendo.