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quinta-feira, 20 de março de 2025

Idiotismos 52

 

É minha convicção que o léxico vernáculo português cada vez será mais reduzido, em benefício do inglês ou do vocabulário espúrio norte-americano. Creio que isto terá começado de forma mais acentuada, pelos anos 60 do século passado, no Algarve, sobretudo a nivel comercial, alastrando depois para outras áreas.
A proximidade temporal da Páscoa, levou-me, entretanto, a consultar um pequeno opúsculo, de Américo Cortez Pinto (1886-1979), que aborda, de forma competente palavras relacionadas com esta época religiosa: 
1. Pascácio* que, inicialmente, significava "o que nasceu na Páscoa"; ou cara de Páscoa.
2. Pasconso*, composto de Páscoa e Sonso.
3. Sonso, finalmente, talvez proveniente do espanhol "zonzo", mas também com o significado de sem sal. Do latim insulsu. Ou ainda: artificial, disfarçado e mentiroso.
Aqui ficam, assim, alguns esclarecimentos complementares sobre estes vocábulos relacionados com a Páscoa.

* estas duas palavras, na minha juventude, eram também aplicadas a pessoas limitadas ou palermas.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Idiotismos 51



Quanto a mim, há coisas que não têm explicação.
Ora, atente-se: sob o mesmo vocábulo (Cachucho) se albergam duas coisas totalmente distintas. Um peixe teleósteo de corpo rosado e um anel grande e vistoso, geralmente grosso ou com pedra grande.


Se alguém souber a razão, agradeço, penhoradamente, que me esclareça.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Adagiário CCCLX

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Divagações 188


Não terá sido há muito que me deparei num livro com três palavras, cujo significado eu desconhecia. Duas delas eram: canevada (aguaceiro...) e estrezilhado (apertado...).
Não tenho grandes dúvidas que, nos últimos tempos, o léxico português, no seu uso do dia a dia, se foi reduzindo substancialmente. Não chegamos ainda aos 50 vocábulos por que se expressa a média dos adolescentes norte-americanos, por entre vários grunhos... mas, porventura, com o tempo, talvez o consigamos. Diminuinará assim grandemente o nosso horizonte cognitivo mental e cultural. Mas já hoje, por vezes, temos dificuldade em identificar, por uma só palavra, alguns objectos ou actos, utilizando para o efeito paráfrases para os nomear.



E assim chegamos à terceira palavra que eu desconhecia e que dá pelo nome de asseio, pelo menos, em Castelo de Vide, ilustrada pela imagem acima. Pois trata-se de um pequeno receptáculo, para servir azeitonas, com um espaço junto para depositar os caroços. Este nosso asseio terá sido comprado em Estremoz ou em Reguengos de Monsaraz, há um bom par de anos. E tem tido bom uso.

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Idiotismos 50



Na zona outrabandista, a meio do caminho que costumo percorrer para ir comprar o jornal diário, há uma árvore-da-borracha enorme. O seu tronco principal parece uma pata gigantesca de um elefante adulto e a folhagem densíssima obriga-me a uma gincana de curvas no percurso, para conseguir passar. As raízes, muito longas, vêem-se na superfície do terreno, e em grande extensão.
Há dias, cruzei-me com um grupo de 3 cantoneiros que estavam a podar arbustos numa zona próxima e perguntei-lhes se não tencionavam cortar aquela árvore-de-borracha. O mais velho respondeu-me, ao que parece algo incomodado: "O pedido já foi feito e a Câmara está ao corrente. É a eles que compete fazer o trabalho. Mas não vão cortá-la, só vão espontá-la..."
Não há nada como as profissões antigas e instituídas com regras para criar e aplicar, com propriedade, um vocabulário corporativo e competente. Os barbeiros profissionais, por exemplo, no seu trabalho diário, caracterizam pessoas com calvície, dizendo que têm grandes entradas e/ou são escanteadas.* Assim como usam aquele verbo espontar, com o significado de aparar, quando procedem, a pedido do cliente, a um corte de cabelo ligeiro, apenas.

* Que Houaiss não regista no seu dicionário.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

Do proboscídeo



É um pequeno opúsculo de apenas 12 páginas e custou-me 5 euros. Separata da revista "Ocidente", o texto do reputado musicólogo Mário de Sampayo Ribeiro (1898-1966) deu-me a conhecer o vocábulo olifante, como sendo uma trompa decorada, feita de uma presa de marfim de um elefante. O Houaiss regista: "corneta, de uso na Idade Média, feita de um dente de elefante".

Em jeito de bónus o folheto trazia, no seu interior


, um pequeno cartão com dedicatória de Sampayo Ribeiro ao director do museu regional de Aveiro, A. Manuel Gonçalves.

domingo, 7 de novembro de 2021

Idiotismos 49



Diz-me o meu bom amigo C. S. que, afinal, a expressão idiomática, ou idiotismo, andar com o rei na barriga tem uma origem prosaica e duplamente real. Terá sido usada, pela primeira vez, por um vassalo bem disposto ao aperceber-se que a rainha do seu país andava finalmente grávida. Teria sido a rainha Maria Ana de Áustria, mulher de D. João V? Isso é que já não conseguimos apurar...
Mas isto de andar na barriga tem antecedentes bíblicos, que remontam a Jonas engolido por um gigantesco peixe (baleia?) no bojo do qual lá foi vivendo uns dias até ser vomitado por ele. Na sequência de mar, veio-me à ideia a pescadinha de rabo na boca, prato que vai ser o nosso almoço de hoje, com um arrozinho malandro de tomate. A situação de arrumo do peixe, em si, é para mim uma incógnita esquisita. Arrisco 2 hipóteses:
1. Neste posição, o peixe será mais fácil de fritar (esta razão de ordem prática).
2. Forma exemplificativa de sugerir um círculo vicioso (ordem teórica).
Se alguém lhe souber a origem - estranha aliás quanto a mim - muito agradeço a explicação.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Idiotismos 48

 

Não estou seguro de que o termo idiotismo se aplique com inteira propriedade a este poste.
Acontece que provámos, há dias, as primeiras rainhas-cláudias deste ano. Dulcíssimas e muito boas, este pequeno fruto é chamado, no Norte, também e de forma menos aristocrática - ameixa-carangueja. Não é caso único esta variação geográfica que tem nomes diferenciados. Se os pastéis de nata (ou de Belém) assim são chamados em Lisboa, no Porto são conhecidos por tigelinhas.




E há ainda outro caso ainda mais insólito. Creio que toda a gente conhece, no Sul, e quase todos apreciam as nêsperas que, na zona vimaranense e até no Porto, por vezes, são chamadas magnórios, enquanto que nêsperas, fruto autóctone (?) minhoto, é um fruto escuro ligeiramente ácido, um pouco farinhento, que costuma amadurecer por Novembro, e com este aspecto:


E posso acrescentar que não é muito apetitoso, nem tem grande sabor...

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Idiotismos 47


Não sei se é verdade, como li algures, que alargar o nosso léxico vocabular prolonga também o nosso horizonte mental e cultural. Talvez. Mas é indiscutível que, qualquer idioma, tem palavras moribundas ou já mortas e outras acabadas de nascer, que foram criadas para suprir e nomear novas coisas e competências inexistentes anteriormente.
Da recente leitura de A Ilha de São Tomé nos Séculos XV e XVI (1989), deparei-me com três palavras que desconhecia. Tomei nota. Eram elas:

1. Gatos-de-algália.
2. Arrátel folforinho.
3. Cagunchos (dos ditos açúcares).

Depois, fui ao Morais, para me documentar. Não tive grande sorte... Mas, através de outras fontes, consegui informar-me dos significados, razoavelmente. E aqui ficam as conclusões sobre os termos:

1. Civeta africana, mamífero.
2. Medida usada para pesar especiarias.
3. Remanescentes das canas de açúcar, depois de tratadas.

P. S. : naturalmente, a imagem que encima o poste é a de um gato-de-algália.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Idiotismos 46


Em finais dos anos 80 do século passado, tive ocasião de visitar no Gürzenich, em Colónia, uma magnífica exposição-venda de Livros Antigos, com inúmeras bancas de conhecidos alfarrabistas europeus e norte-americanos, principalmente. Do catálogo luxuoso, que pude consultar, constava apenas um livro português: Arte da Cavallaria de gineta, e estardiota, bom primor de ferrar & alveitaria... (1678), obra de António Galvão de Andrade (1613?-1689). O volume, obra-prima da impressão portuguesa, e em muito bom estado, estava precificado a 1.100 marcos alemães. Ainda hoje sai muito caro em Portugal, quer em leilões de livros, quer nos alfarrabistas.


Do longo título do volume, sobressai o termo estardiota (ou estradiota) que eu já conhecia e sempre achei exótico. Palavra que traduz uma forma própria e clássica de montar das senhoras, de lado. Hoje, creio que raramente se usa e as modernas amazonas cavalgam exactamente como os homens, com cada perna para o seu lado.
Alguns dicionários registam o termo como sendo: "arte de montar firmando-se o cavaleiro nos estribos e estendendo as pernas." Há quem anote o significado de soldado mercenário albanês, e quem dê a palavra como proveniente do italiano stradiotto (soldado).


Creio, no entanto, que cavalgar à estardiota era apanágio e privilégio de damas nobres e rainhas, que assim se faziam representar, mais femininas, compostas, e dignamente. Como a rainha Victória, em Balmoral, neste quadro de Charles Burton Barber, de 1876.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Idiotismos 45


Ora, hoje, que se anunciam para o almoço jaquinzinhos, pus-me a pensar se a alcunha se deve a algum Joaquim com que fossem parecidos esses carapauzinhos pequenos, a exemplo dos Oscares de Hollywood, que assim foram crismados por a bibliotecária da Academia, Margaret Herrick (1902-1976), ter achado a estatueta do prémio, em 1931, muito parecida com o seu Tio Oscar. A história correu mundo e assim lhes ficou o nome.



Petinga fia mais fino. Que é sardinha miúda, sabem-no todos, mas donde lhe virá o nome?
Diz Houaiss, referindo Nascentes, que provirá do tupi (pe'tinga), com significado de pele branca.  Morais já antes o tinha referido, acrescentando que, no Brasil, a esse peixinho pequeno lhe chamavam: petitinga. E mais não disse o estudioso da língua portuguesa.
Por isso, nós, simples ignorantes, teremos de nos ficar por aqui.

sábado, 14 de julho de 2018

Expressões populares de Ílhavo


Não tendo sido feita à bangalhota*, com expressões e idiotismos regionais a capôlo**, esta obra monumental, de Domingos Freire Cardoso, foi-me oferecida pelo meu amigo AVP, ilhavense emérito, a quem mais uma vez agradeço.
Por ela se fica a saber que as gentes de Íbalho não usam o v, mas tão só o b, no seu linguajar popular. E o livro, embora não abarque exclusivamente expressões ilhavenses, é um importante contributo apurado e uma monografia de grande valor sobre o falar regional da beira-mar.
A ele voltarei, com certeza, mais vezes.

Notas:
* = de qualquer maneira, feito no ar.
** = à farta, em grande quantidade.

sábado, 30 de junho de 2018

Idiotismos 44


Recebemos há dias, vindo de familiares em férias na Bretanha (França), o postal em imagem.
Não sei se, hoje em dia, ainda se utilizam os adjectivos bera e roscofe que, nos tempos da minha juventude, eram muito usados para qualificar artigos de má qualidade ou pessoas falsas.
A primeira das palavras é um aportuguesamento do alemão Baer. Esse senhor, joalheiro em Berlim, teria começado a comercializar, por toda a Europa, jóias com pedrarias falsas como se de brilhantes  verdadeiros se tratasse. Essas falsificações chegaram a Portugal por volta de 1908. Quando, mais tarde, se descobriu a marosca, a palavra bera viria a ser usada  para apelidar alguém ou alguma coisa que fosse falso ou mau.
Quanto à segunda palavra, ela é proveniente do apelido de um suiço-alemão (?) Roscopf, relojoeiro de profissão, que criou um tipo de relógios de muito má qualidade e que se estragavam muito rapidamente. Uma outra versão atesta que esses relógios eram vendidos aos marinheiros, no porto francês de Roscoff (Bretanha), pouco antes de eles zarparem nos seus barcos, porque esses objectos de medir o tempo avariavam cerca de 24 horas depois de começarem a trabalhar. Uma espécie de negócio de ciganos, como ainda hoje se costuma dizer...
Provavelmente, também alguns marujos portugueses foram endrominados. Dessa forma se chegou assim, em Portugal, ao adjectivo roscofe, para nomear qualquer coisa de muito má qualidade.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Idiotismos 43


Ao que parece, no inglês norte-americano os hífens têm vindo a desaparecer, ultimamente, enquanto na Grã-Bretanha se têm mantido. O que tem provocado algumas reacções daqueles que costumam escrever para publicações dos dois países, devido às diferentes grafias.
Em Portugal o movimento, se calhar, vai em sentido inverso. Dei-me conta que o antigo regabofe, agora, para ser correcto, deve escrever-se: rega-bofe. Com hífen, portanto. Porquê, não sei, porque o facto já é anterior ao AO. Mas a palavra não deixa de ser curiosa, em si.
Entendida literalmente significaria: molhar os pulmões (bofe/bofes). Mas os dicionários registam que um rega-bofe é uma festa onde se come e bebe à farta ou, então: vida airada; mas também poderá significar folia ou divertimento em larga escala.
Pessoal ou subjectivamente, tenho rega-bofe como muito próximo do ad libitum da praxe académica coimbrã que gritado pelo chefe de trupe permitia que um infeliz caloiro fosse rapado totalmente, pelo grupo. Mas também me lembro do é fartar, vilanagem, que Álvaro Vaz de Almada, Conde de Avranches (1390-1449), pronunciou na batalha de Alfarrobeira, antes de se entregar à morte, lutando.

sábado, 30 de setembro de 2017

Adivinhas e folhetos de J. D. R. da Costa


Soube viver, ao que parece, este Josino Leiriense, poeta arcádico, de seu nome completo: José Daniel Rodrigues da Costa (1757-1832). Sobretudo por se ter acolhido a altos patrocínios, como o do Intendente Pina Manique. Mas escrevia e publicava muito, coisas menores é certo, mas divertidas. Que se vendiam bem pelo Rossio e pelas Portas de Sto. Antão, em forma de folhetos de cordel. Além disso, teve acesas polémicas com Bocage, que talvez não lhe perdoasse a índole conservadora.
Bem gostaria eu de saber quem lhe compraria as publicações: talvez escriturários e comerciantes, alguns poetas menores, mestre-escolas, média burguesia letrada, provavelmente, a pequena fidalguia ociosa...



Deste Barco da Carreira dos Tolos, em 12 fascículos mensais, adquiri 9, ficando a faltar-me o I, VI e VII (respectivamente, dos meses de Janeiro, Junho e Julho), que não os havia no alfarrabista. São da segunda (?) edição, de 1820, pois a original foi publicada em 1803. O magano do José Daniel usava de alguns pequenos truques para manter acesa a curiosidade e fidelidade dos leitores. No final de cada folheto, por exemplo, punha uma adivinha, cuja solução só era fornecida no folheto do mês seguinte...


Em relação a esta última adivinha, posso informar que a resposta era: Sepultura.
Também fiquei a saber, pelos folhetos, que machacaz era, na altura, um indivíduo corpulento, mas desajeitado; por vezes, finório, espertalhão. Quanto à expressão andar à donata, não lhe consegui descobrir o significado. Estes idiotismos, populares decerto, nem sempre tiveram seguimento de vida, no tempo.


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Idiotismos 42


O facto de ter dois dedos de testa não seria um glorioso atributo, antes denunciava, no entendimento popular, diminuta inteligência, comprovando assim, pela similitude antropológica, as teorias de Darwin. Enquanto que uma testa alta e ampla prognosticava, para muita gente no passado, boas capacidades de pensamento. Ainda hoje se exercitam, sem fundamento científico, estas artes divinatórias, através das feições dos seres humanos, analisadas à lupa.
Os brasileiros têm mais tendência para classificar estados de espírito, fazendo essa projecção através do reino animal. Para caracterizar a felicidade dizem que um sujeito está como um pinto (pintaínho) no lixo. Invocando indirectamente o facto de ter muito por onde escolher, para bem se alimentar. Cabe aqui recordar tempos de penúria, ou o médico e sociólogo brasileiro Josué de Castro (1908-1973) e o seu clássico  A Geografia da Fome (1946).
Nestes dois casos, que referi, une-os a oposta dicotomia: abundância/escassez. Que a esperançada voz do povo preferiu consagrar e transformar em provérbio feliz: Não há fome que não dê em fartura.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Idiotismos 41


É comum dizer-se, na invernosa estação, popularmente, que: está um frio de rachar! Ou, socorrendo-nos de Eça, pelo Verão: está um calor de ananases. Em tempos, vi referido algures, por alguém, que o sítio mais quente da Terra (África?) é denominado por: a Fornalha de Deus, apropriadamente, por certo...
Quem estudou inglês, deve lembrar-se da exótica expressão it rains cats and dogs (Chovem cães e gatos), para exprimir uma chuvada torrencial. O clima é uma fonte inesgotável de metáforas, por onde a imaginação humana se exercitou, sobretudo na definição de casos extremos que, ciclicamente, costumam afectar as pessoas e os animais.
Num dos últimos Le Monde (28/7/2017), a crónica de Muriel Gilbert é, toda ela, dedicada a estas expressões idiomáticas que são usadas por todo este nosso mundo. Desde o Soleil de Plomb (Sol de Chumbo) ao Froid de Canard (Frio de Pato), franceses, passando pelo Transpirer des Carottes (Transpirar Cenouras), que os gauleses têm um vasto repertório...
Mas também os italianos, sob um calor excessivo, lhe chamam um Sol de partir as pedras (un sole che spacca le pietre) e, no Languedoc, para referirem uma forte chuvada, costumam usar a expressão: chover patas de burros (plou de cambas d'ase). E, para acabar com animais, também, há que referir os habitantes da Baviera que, no rigor do Inverno dizem que "está um frio de porco!", idiotismo que eu não compreendi inteiramente... Porque, nisto de maldizeres, quanto ao tempo frio, os franceses levam a palma, por exemplo, referindo (desculpe-me, o pio leitor!): un froid à geler un pet (um frio capaz de gelar um peido). 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Idiotismos 41


Consolem-se, que hoje as palavras estranhas, ou regionalismos, vão ser do domínio da gastronomia. E, para mais, do Minho. Alto, quer-se dizer, que as li pela primeira vez num livro de um poeta vianense, que era também bom garfo e apreciava a boa mesa - António Manuel Couto Viana (1923-2010). O volume, que gentilmente me foi oferecido pelo meu bom amigo H. N., com dedicatória do seu autor, tem o título saboroso de Bom Garfo & Bom Copo (Vega, 1997). 
Vamos, então, aos idiotismos. Os primeiros que me apareceram são alcunhas minhotas da estimada Lampreia, ciclóstomo que costuma aparecer por Fevereiro e Março, ciclicamente, para prazer dos gourmets e não só, nas suas mesas. Pois, no Alto-Minho, chamam-lhe também: chupa pedras e flauta de sete olhos, por razões do seu habitat, mas também do seu aspecto físico. Assim seja, à moda minhota, como a provei este ano, ali para os lados do Areeiro, à bordalesa. E boa que ela estava!
Quanto ao pentear do vinho, diz-nos Couto Viana, recorrendo a José Pedro Machado e ao seu Dicionário, que é: deixar "o vinho encorpado estrias e rubis ao longo das paredes internas da tambuladeira ou malga de prova." A tijela, ou malga, claro, serão minhotas.
E, hoje, por aqui me fico.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Idiotismos 40


Creio que era um velho sábio chinês que dizia para o bem-amado neófito: Oxalá vivas tempos interessantes ! - em votos sinceros de felicidade, à despedida.
Ora eu diria que, no presente, não me posso queixar, deste início de 2017. Veremos o que se segue.
Faria, no entanto, sobre estes últimos badalados acontecimentos, uma troca de feira de gado por negócio de ciganos. E, em relação a alguns preços de vinhos para presentes de Natal, que vi publicitados no consagrado Expresso e outros tantos no Público, repontaria com redobrada indignação: Vão lá roubar para o pinhal de Azambuja!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Idiotismos 39


A fazer fé naquilo que afirma António Thomaz Pires, no seu Origem de várias locuções, adagios... (Elvas, 1928): "Os turcos cumprimentam-se uns aos outros, com : SALAMALAI KOM (a saúde vos acompanhe); destas palavras árabes veio a palavra salamaleque."
Actualizadamente, a expressão correcta será Salaam Aleikum, traduzível por: a paz esteja convosco. E a adaptação ao português, ou corruptela fazer salamaleques vale por um tratamento cortês algo exagerado.