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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Mercearias Finas 207

 


As nozes chegaram cá a casa, ainda neste passado Janeiro: estão caras, mas são boas.
Das nogueiras lembro-me das duas de Merkenich, plantadas por um antepassado de HMJ, e que eram para, crescendo, vir a ser fabricada a nova mobília doméstica, com madeira fina e nobre. Perdeu-se no entanto a intenção pelo caminho, mas os frutos secos foram sendo produzidos todos os anos para prazer da família. Também me recordo das nogueiras vimaranenses da Inha e do seu quintal campesino. Bem como dos boníssimos bolos de nozes que ela fazia, para nos deliciar, ao lanche.
As recentes e sobrantes estão agora na cozinha à guarda do metálico cão quebra-nozes que, há mais de 60 anos, cumpre bem o seu serviço mandibular.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Retratos (15)


Havia um licor de noz, que a Inha fazia, quase tão aromático como as compotas e a marmelada, que perfumavam o longo corredor, do alto dos armários da sua térrea e frágil casa, quase no centro da cidade. Era no tempo sem fronteiras, quando o campo convivia ainda, harmoniosamente, com o tecido urbano.
Depois, era o brilho azul afectuoso dos seus olhos, os seus cabelos brancos rematados por um puxo discreto, no alto da sua pequenina cabeça, já tremelicante.
Como me separei disso tudo, não o conseguirei dizer ou explicar. O tempo (ou a distância?), além de escultor, é também um anestesiante assassino de afectos.
Ao sair de sua casa, para chegar ao portão de saída, já velho e chiante ao abrir, eu lembro-me que, pela álea frondosa, me acompanhavam, ladeantes, nogueiras e carvalhos, pinheiros e castanheiros, macieiras e limoeiros. Mas vinha, também, sempre comigo, o perfume aromático e caricioso do corredor. Até chegar a casa, que não me ficava longe..