Mostrar mensagens com a etiqueta Ingmar Bergman. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ingmar Bergman. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Osmose 115


São incertas, muitas vezes, as razões. Mesmo algumas daquelas que nos levam à acção ou tomadas de atitude, conscientemente. Fazendo-nos crer que há um super-dono invisível das nossas decisões.
Calhou a noite passada que eu tivesse sonhado com uns versos escritos de Sá de Miranda e, simultaneamente (?), com um dos Fernandos, meu amigo (que tive vários, com o nome, nesta vida).
Os sonhos, ainda.
E fico-me a pensar se foi Bergman, há dias, que me fez ir buscar Les Rêves, de Ernest Aeppli, à estante, para o reler, ou se foi a releitura do livro que me levou a bisar Os Morangos Silvestres, do realizador sueco, no Youtube.
As associações são terríveis e, ao mesmo tempo, discretas.
Até porque não consigo situar, em sequência, os meus actos com absoluto rigor temporal.
Que o inconsciente se rearrume, de novo e por si, à sua vontade! Na sua auto-gestão libérrima (?).


sábado, 7 de março de 2015

Pinacoteca Pessoal 93


Para quem o aprenda cedo na vida e o vá praticando, o xadrez pode ser um jogo fascinante. Só os 4 primeiros lances de uma partida permitem, nada menos, de 318.979.584.000 opções combinadas (G. Steiner dixit). Fernando Pessoa e Cavafy dedicaram-lhe 2 poemas célebres e o jogo de xadrez entre o Cavaleiro e a Morte preenche uma boa parte de um conhecido filme de Ingmar Bergman.
O pintor neerlandês Lucas van Leyden (1489?-1533) era um nocturno, quanto a hábitos de trabalho. Tanto, que sua mãe frequentemente lhe ralhava por ele gastar tantas velas, durante a noite, enquanto jovem. Mas devia, também, apreciar imenso os jogos. Além de um quadro sobre o jogo do Gamão e outro com jogadores de Cartas, pintou uma obra intitulada "Jogadores de Xadrez" (em imagem), por volta de 1510, que hoje se guarda no Staatliche Museen, de Berlim. Parece-me uma pintura notável e tem a particularidade de ser uma das primeiras, se não a primeira - tanto quanto sei -, dedicada ao nobre e fascinante jogo do xadrez.

domingo, 4 de novembro de 2012

A força e o jeito


Vi ontem, creio que pela terceira vez, o filme "Shining" (1980), de Stanley Kubrick (1928-1999).  O facto de conhecer o enredo e grande parte das situações permitiu-me escapar à força da teia emotiva subjugante, à atmosfera obsessiva dos vermelhos rútilos, ao peso cúmplice e massacrante da música que atacava o mínimo silêncio de uma reflexão, às imagens excessivas, muitas vezes, desnecessárias. Mas esse distanciamente a que me pude permitir, deu-me também a oportunidade e a hipótese de apreciar, com alguma frieza, a grande qualidade dos cenários, a riqueza profissional da fotografia, a música (Bartok, entre outros) e a notável interpretação de Jack Nicholson.
E ajudou-me a perceber a diferença abissal que separa o melhor cinema americano do grande cinema europeu. A filmografia americana é, sobretudo feita de acção e ritmo acelerado, de ruído e violência, de efeitos especiais e técnica, de emoções provocadas, sobretudo. Enquanto o melhor cinema europeu se alicerça na reflexão, no Tempo medido, nas ideias, palavras e enredos com substância humanistica, não excluindo, de todo, a acção - ética, sobretudo e sempre que se justifica (nunca gratuita). Não rejeitando, sempre que seja oportuno, a visão da violência. Em suma: a força e o jeito. O excesso e a essência.
Entre Kubrick e Bergman, não tenho a menor dúvida em preferir o último.

domingo, 24 de julho de 2011

Divagações 11


Pontual o "pirilampo" abre os olhos, dois minutos depois do "aladino" - já passa das 9 da noite, mas vão acordando cada vez mais cedo: dias a encurtar a luz. Os pássaros andavam atabalhoados, ao fim da tarde, com o vento forte, inesperado, que se levantou. Só azúis no céu, intensificando-se no escuro, a sudeste. Os candeeiros, na rua, acendem às 21,14. Dizem que os relógios, psicanaliticamente, se podem associar à morte (ver Bergman, "Morangos Silvestres"), mas tudo isso é sempre distante, na imaginação. O vento agiganta a sua força, abanando as palmeiras-bébé, no passeio, que parecem quase levantar voo. Não fora o texto sobre François Nourissier (1927-2011), hipocondríaco confesso, que chamava à sua Parkinson, "Miss P.", não havia razões para melancolia. Nem há. O silêncio cá fora espera apenas pela lua. Será que é Lua nova?, porque também não a vejo...
Às claras "search words" : monumentos na Costa da Caparica, de um distinto pesquisador português, o obtuso motor de busca do Google encaminhou-o para o poste sobre o  Mosteiro da Costa (Guimarães), aqui no Blogue. Junta-se assim o Alzheimer ao Parkinson, valha-nos deus! Ao menos a caipirinha estava óptima! 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Memória ?



Muitas vezes, a memória prega-nos partidas e recompõe a realidade no passado. Outras vezes, parece excessivamente objectiva, como se tivesse sido espectadora atenta de um acontecimento, e transmite-nos, de fora, a visão de nós mesmos na situação. Embora o nosso retrato seja sempre vago e de difusos contornos, nesse momento. Sobretudo da infância, onde a imagem é, quase sempre, fantasmática, o cenário, muitas vezes, inexistente, os diálogos entrecortados, as expressões difusas. Ficam assim figuras incompletas, rostos de nevoeiro, perdidos no tempo. Pode ser uma cena de caça matinal em silêncio e com muita neblina à mistura, uma travessia do Douro para o Colégio do Sardão que fora uma quinta onde vivera Garrett; o rasgar de uma luva, em Fevereiro, à noite, com sussurros vários, numa despedida. Ou, na manhã, o som de um abrir das águas, no andar de cima (...o primeiro som da casa/ são as águas...), depois de um velório - aqui, estou sentado e sonolento, perante uma freira galega que, durante a noite me explicou, tecnicamente, o que é o coma antes da morte.

Projectámo-nos, ou a memória é que nos arquiva, a seu modo, ajustando as arestas através da imaginação, e compondo o cenário escasso, intemporal. Compõe o possível arrumando as imagens e as palavras, as razões ou causas, de uma forma conveniente, aceitável mas, muitas vezes, de forma mentirosa ou errada. Até na recordação de filmes a memória nos atraiçoa. Misturando o exacto com a imaginação, o que foi com aquilo que, também, poderia ter sido. Hoje, ao rever um filme de Ingmar Bergman ( talvez o que vi mais vezes), "A Fonte da Virgem", com Max von Sydow, percebi a deslocação das imagens, as inexactidões inúmeras a que a minha memória, em auto-gestão e piloto automático, procedeu para, no tempo, arquivar (mal) a sequência do filme. Alterando-o, significativamente.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Rohmer




Fez, há poucos dias, um ano que faleceu Éric Rohmer (4/4/1920-11/1/2o10), pseudónimo de Jean-Marie Maurice Schérer. O seu pseudónimo foi escolhido, como homenagem a Erich von Stroheim, realizador de cinema, e a Sax Rohmer, escritor policial. Rohmer era católico, e isso é notório nos seus filmes, ou nalguns deles, pelo menos. Foi dos meus realizadores europeus de referência, com Bergman, Risi, Fellini, Truffaut, e tantos outros, numa época (feliz) em que o cinema europeu não era asfixiado pelo americano. Onde a acção trepidante faz esquecer, muitas vezes, a pobreza dos diálogos e de pensamento. Diálogos, aliás, que nos filmes de Éric Rohmer, tinham uma importância nobre e fundamental.
Para quem goste, a RTP2, passa às 22,4ohrs de hoje, respectivamente: "Os Amores de Astrea e de Celadon", seguindo-se "O Joelho de Claire". Bom proveito!, a quem quiser rever.

domingo, 29 de agosto de 2010

Memória 37 : Ingrid Bergman

Da claridade de "Casablanca" ao Inverno de Golda Meir, passando por Bergman e a "Sonata de Outono", Ingrid Bergman, nascida a 29/8/1915, deixou um rasto luminoso inapagável.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Memória 32 : Ingmar Bergman


Homem prolífico quer em filmes (mais de 60), quer em filhos (9), Ingmar Bergman nasceu na Suécia, a 14 de Julho de 1918, e veio a morrer, em 30 de Julho de 2007, nas Ilhas Faröe, para onde se tinha retirado. Dividiu a sua vida activa pelo teatro e pelo cinema que diferenciou de forma pragmática e humorística, assim: "O teatro é como uma esposa fiel. O cinema, uma grande aventura - uma dispendiosa amante." Era um entusiasta de gostos alargados que iam de Antonioni a Spielberg. E Woody Allen é um dos fãs mais fiéis dos seus filmes. Os temas de Ingmar Bergman têm a ver, essencialmente, com a condição humana, o desespero e a angústia, a solidão e a morte. Filho de um padre (pastor) também abordou, muitas vezes o tema da fé e a religião, tendo dito uma vez: "Espero não chegar a velho, senão ainda me torno religioso." É redundante dizer que Ingmar Bergman é um dos meus realizadores preferidos.