Definitivamente, em algumas paragens, o verbo amar (ou, em vez dele, o verbo adorar) substituiu o antigo, tradicional e algo discreto verbo gostar, colocado no ferro-velho lexical, para sempre, talvez porque nessas pobres cabecitas era necessário algo de mais supino e grandiloquente, para expressar a inundação de sentimentos incontinentes que se apossara da sua imaginação transbordante.
(Repare-se, entretanto, nesta maravilha de comentário metafísico aparecido num blogue dito cultural (?) que, quase invariavelmente, começa os seus textos por: "Assisti...". Remata essa comentarista, num poste dedicado a um filme austríaco, assim: "Amei sua resenha." Filosóficamente abstracto, não é?)
Pergunto-me, cismando, como é que essas generosas criaturas de mãos rotas verbalizarão o seu amor pelas criancinhas inocentes que, porventura, terão lá por casa...