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quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

arte menor (40)



Depois

Não sei se alguma vez em Londres
me chegaram versos. Os Kew Gardens
poderiam ser motivo ou cenário suficiente, 
os imensos relvados de Greenwich a perder
de vista talvez me trouxessem as palavras
esquecidas, de longe. Mas recolho, já noite,
de Inverness Terrace, por Outubro a memória,
dos meus passos húmidos, pensados, talvez
de um sentimento vago, estranho caminhante
que me encontra agora, por aqui, outra vez,
sem lhe saber o nome, origem ou razão 
de ser. Mas que me acompanha bem
tê-lo por perto e amigo concordante.


Sb., 12/7/22 - 6 e 30/8/23 - 26/11/23.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Canja


Dizia o ditado, em tempos recuados de penúria, que: Quando o pobre come galinha, um dos dois está doente . E era verdade. Porque julgo que a primeira canja que provei foi em estado de dieta. Era aconchegante, aquele caldo enxundioso com massinhas de letras e 2 ou 3 gemas, muito pequenas, de ovos que ainda se não tinham desenvolvido. E as pequenas olhas de gordura e azeite a sobrenadar a canja, com o seu aroma doméstico e salutar. De galinha que não era preciso chamar-se do campo, nessa altura...
Pois ontem a canja teve um toque internacional, porque os ovos (inteiros e desenvolvidos, desta vez) foram escalfados nuns apetrechos especiais apropriados, mas simples, que tinhamos comprado em Inverness Terrace (Londres), em Outubro passado. E a canja de galinha, tal como as antigas, estava deliciosa!...

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A propósito de um busto, numa rua de Londres


Convivo mal com a estatuária portuguesa actual. E tenho que recuar largos anos para encontrar algumas esculturas de que gosto, normalmente figurativas, sendo que duas ou três são de João Cutileiro (1937). O problema será porventura meu que, não sendo especialista, me guio apenas pelo meu subjectivo gosto estético, faltando-me, talvez, o acompanhamento teórico e crítico de suporte para o que se vai esculpindo pelo país.
A permanência durante uma semana na zona de Inverness Terrace (Bayswater, Londres), levou-me a passar quase todos os dias por um busto muito interessante, de expressão determinada e de boa execução escultórica, pelos meus padrões estéticos. O nome do retratado, Skanderbeg, nada me dizia e, displicentemente, imaginei-o como sendo de algum Viquingue nórdico que, por razões históricas, estivesse ligado à Grã-Bretanha.
O nome do escultor, Kreshnik Xhiku (1958), apesar de me soar a oriental, também nada me dizia. Mas o busto continuou a pairar na minha memória visual, persistentemente lembrado. E resolvi esclarecer a sua razão de ser e origens. Skanderbeg é afinal o grande herói albanês Jorge Castrioto (1405-1468), que foi também conhecido em Portugal e celebrado pelo historiador e cronista Francisco de Andrade (1540-1614), em livro (Crónica do valeroso Príncipe, e invencível capitão Castrioto) traduzido, de 1567. Jorge Castrioto defendeu a independência da Albânia, contra os turcos.



O busto de Skanderbeg foi executado pelo escultor albanês Kreshnik Xhiku, que reside presentemente nos Estados Unidos, e que já tinha esculpido uma estátua equestre, muito interessante, de Jorge Castrioto em Michigan, inaugurada em 2006. O busto de Inverness Terrace foi  instalado, para celebrar o centenário da restauração da independência albanesa, em 2012.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Osmose 90


Há sempre alguma incomodidade nas partidas. Mas também na chegada. Chamam-lhe jet lag, quanto à sensação física de desconforto (muitas vezes, com mudanças horárias e de sono), talvez por conveniência prática de classificação. Mais difícil, porém, é definir e nomear o estado de alma do pré e post-viagem: o não estar cá nem lá. Enquanto não arrumamos, de todo, o chip interno que nos acompanhou. Que as roupas, os livros e as fotos quase se arrumam por si, automaticamente, numa submissão parada de natureza morta.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Algures a Noroeste do Hyde Park


O dominical mercado de artesanato dos anos 80 sumiu-se, reduzido a dois pintores de Domingo, com telas desinspiradas de um surrealismo ingénuo e cores berrantes. Não mais poderei comprar os unicórnios simpáticos e os crocodilos ameaçadores, que lá adquiri nos anos 70/80, a um barrista talentoso, que os expunha no murete de Bayswater Road. Saudoso, contemplei o nº 100, da extensa avenida, onde sir John Barrie (1860-1937), no início do séc. XX, imaginou a saga de Peter Pan.
Inverness Terrace continua pacífica, mas pejada de carros e cheia de sacos de lixo em volta dos candeeiros altos. E Queensway está mais barulhenta, luminosa em néons comerciais de lojas e restaurantes, de supermercados e cafés. O Royal Mail, agora privatizado, ao fundo, perto do Whiteleys (restaurado por fora, continua decadente, por dentro), com atendimento indiano (?), estava sujo e desarrumado de interiores. E muito mais caro: um postal para a Europa precisa de um selo de 1,17 libras, para seguir viagem. Que desaforo!
Só o Hyde Park é que continua um encanto. Com os seus esquilos, bandos de corvos* e patos selvagens. Haja Deus! e sua Majestade britânica, que continua a chefiar essa insólita igreja anglicana e insular.
Nem tudo se perdeu, felizmente...

* Aprendi, há dias, que a um grupo de corvos, se pode chamar a murder of crows, desde finais do séc. XV. Aqui fica, em partilha amiga, para amigos e estimadas visitas, que cá venham.